WEG (WEGE3) sofre pressão do câmbio e tarifas dos EUA
Banco Safra vê crescimento da multinacional brasileira WEG (WEGE3) no longo prazo, apesar dos desafios que pressionam os resultados atualmente
30/10/2025 3 minutos
Ambiente macroeconômico incerto e tarifas dos EUA devem continuar pressionando o crescimento e a rentabilidade da WEG | Foto: Divulgação
A WEG (WEGE3) deve enfrentar impacto da valorização do real no curto prazo, e também da implementação de tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras, além da queda nas receitas do segmento de energia solar.
Esses fatores devem pesar tanto na receita quanto nas margens no 4T25. Como resultado, o Banco Safra avalia que o crescimento em 2025 deve ficar próximo a um dígito, com margem EBITDA tendendo para o limite inferior da faixa histórica recente, em torno de 21%.
Os temas relacionados às perspectivas de crescimento da WEG para os próximos anos, bem como a aceleração de novas linhas de produtos e pressões temporárias sobre o desempenho foram debatidos pelos especialistas do Safra em reunião presencial com o CFO da empresa, André Luís Rodrigues, e com o gerente de RI, Felipe Scopel.
Perpectivas de crescimento para a WEG (WEGE3)
Equilibrando fatores favoráveis e desafiadores para 2026, o Banco Safra espera tendências positivas com esforços para mitigar os efeitos das tarifas e a aceleração de condensadores síncronos, sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e iniciativas de mobilidade elétrica (a solução de propulsão elétrica da WEG está presente em dois terços da frota brasileira de 1.800 ônibus elétricos).
Essas iniciativas devem compensar parcialmente os seguintes aspectos:
- (i) fraqueza no segmento solar;
- (ii) crescimento mais lento em transformadores nos EUA, com espaço limitado para reajustes de preços, já que a empresa parou de repassar aumentos em meados de 2024;
- (iii) demanda incerta por produtos de ciclo curto, especialmente no mercado americano. Assim, esperamos expansão de receita em dois dígitos baixos, com margens entre 21% e 22%.
Desafios tarifários da WEG nos EUA
A WEG enfrenta duas tarifas: 50% sobre exportações brasileiras e a tarifa da Seção 232 sobre aço e alumínio. A primeira deve ser parcialmente mitigada com a migração da produção para o México até meados de 2026. Já a Seção 232 é mais complexa, pois afeta todos os produtos importados, incluindo transformadores feitos no México, que têm 20%-25% do custo atrelado ao aço.
Mesmo com redução da tarifa sobre o Brasil, o impacto não será totalmente eliminado. Porém, como afeta todos os concorrentes, isso ajuda a manter repasse de preços no setor.
Expansão de capacidade a partir de 2027
A partir de 2027, a WEG deve capturar benefícios da expansão de capacidade, incluindo a duplicação da capacidade global de T&D, o que pode sustentar crescimento de 25%-30% no negócio de T&D em 2027 versus 2025, impulsionado por volumes. Condensadores síncronos e BESS também devem crescer após leilões previstos.
Leilões futuros
A WEG está bem posicionada para disputar compensadores síncronos no leilão de transmissão marcado para sexta-feira (31), o que pode acelerar essa linha em 2027-2028, apesar da forte concorrência.
No segmento BESS, pedidos do leilão de armazenamento de energia (dezembro/2025) devem começar a ser entregues no 2º semestre de 2026.
A concorrência deve vir principalmente de fabricantes chineses e algumas empresas locais menos consolidadas, favorecendo a WEG.
Avaliação do Safra sobre a WEGE3
A reunião com os dirigentes reforçou a visão construtiva do Banco Safra sobre o crescimento de longo prazo da WEG, sustentado por investimentos em novos produtos e expansão de capacidade.
O Safra espera que essas iniciativas apareçam no crescimento de receita a partir de 2027. No curto prazo, os especialistas do Safra avaliam que o cenário desafiador é devido ao ambiente macroeconômico incerto e às tarifas dos EUA, que devem continuar pressionando crescimento e rentabilidade.
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