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Vendas de veículos reforçam cenário de transição energética

Dados da Fenabrave mostram crescimento mensal impulsionado por veículos leves e elétricos, enquanto juros elevados seguem pressionando segmentos pesados

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Enquanto os veículos leves e elétricos seguem ganhando tração, os segmentos mais dependentes de crédito ainda enfrentam restrições | Foto: Getty Images

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou que as vendas de veículos em fevereiro totalizaram 185 mil unidades, com alta de 0,1% na comparação anual e avanço de 8,6% frente a janeiro. Quando ajustado pelo número de dias úteis, o crescimento foi ainda mais expressivo, com aumento de 18% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Considerando todos os segmentos, incluindo motocicletas e implementos rodoviários, o volume chegou a 375 mil unidades, alta de 4% na base anual e de 2,2% na mensal. No acumulado do ano, os emplacamentos somam 742 mil unidades, crescimento de 5,7%.

Veículos leves lideram desempenho

As vendas de veículos leves cresceram 4% na comparação anual e 12% em relação a janeiro. Ajustados pelos dias úteis, os avanços chegaram a 23% e 39%, respectivamente. O desempenho reflete, principalmente, os efeitos do programa Carro Sustentável.

Desde o lançamento da iniciativa, em 25 de julho de 2025, os volumes dos modelos elegíveis aumentaram cerca de 25%. Além disso, o segmento de veículos elétricos manteve ritmo acelerado, com crescimento de 65,5% na comparação anual, ampliando sua participação no mercado.

Segmentos pesados seguem pressionados

De acordo com a Fenabrave, o cenário foi mais desafiador para os veículos comerciais. As vendas recuaram 7% na base anual e 3% na mensal, apesar de crescimento quando ajustadas por dias úteis. Caminhões apresentaram queda de 24% em relação a fevereiro do ano passado, reflexo direto do ambiente de juros elevados, que continua afetando decisões de investimento.

Ainda assim, o programa Move Brasil ajudou a sustentar o desempenho mensal, mesmo com menor número de dias úteis. As vendas de ônibus também recuaram de forma relevante na comparação anual, com queda de 27%, embora a Fenabrave espere estabilização ao longo do ano, apoiada no cronograma de gastos públicos e no ciclo de renovação de frotas.

Implementos mostram sinais de recuperação gradual

O segmento de implementos rodoviários registrou queda de 19% na comparação anual, mas avançou 15% frente a janeiro. Ajustado pelos dias úteis, o crescimento mensal chegou a 42%.

O desempenho reflete a demanda mais resiliente por equipamentos ligados ao agronegócio e à logística, setores que continuam sustentando parte relevante dos investimentos no país, apesar do custo elevado do crédito.

Iochpe, Randoncorp e Marcopolo

Na avaliação do Safra, os dados de fevereiro trazem sinais mistos para as empresas do setor. Para a Iochpe-Maxion (MYPK3), o crescimento nas vendas de veículos leves favorece o desempenho, enquanto a fraqueza no segmento de caminhões segue como ponto de atenção.

A Marcopolo (POMO4) foi mais impactada pela queda expressiva nas vendas de ônibus. Apesar disso, a associação do setor aponta fatores de timing relacionados ao calendário de investimentos públicos, o que pode trazer alguma normalização ao longo do ano.

Já para a Randoncorp (RAPT4), o mês teve leitura equilibrada. A queda anual em algumas categorias foi parcialmente compensada pelo avanço mensal sustentado por implementos voltados ao agronegócio e à logística, indicando uma possível recuperação gradual.

Análise: cenário de transição energética

Os especialistas do Safra avalia que o desempenho do setor automotivo em fevereiro reforça um cenário de transição. Enquanto os veículos leves e elétricos seguem ganhando tração, os segmentos mais dependentes de crédito ainda enfrentam restrições. Para os investidores, o ambiente exige seletividade, com atenção aos balanços, à exposição setorial e à capacidade de repasse de custos das empresas listadas.

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