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Varejo supera expectativas, mas mantém ritmo fraco

Vendas do comércio restrito avançaram 0,5% no mês, enquanto o varejo ampliado recuou 1,0%; para o Banco Safra, juros elevados e desaceleração da demanda devem limitar a atividade nos próximos meses

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PMC análise Safra

Desempenho do varejo em junho foi sustentado por supermercados e outros artigos de uso pessoal, mas quedas em vestuário, combustíveis, veículos e materiais de construção reforçaram o quadro de perda de fôlego da atividade | Foto: Getty Images

As vendas do comércio varejista restrito cresceram 0,5% em junho, na comparação mensal com ajuste sazonal, segundo análise do Banco Safra com base nos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). O resultado ficou acima da projeção do banco, de queda de 0,1%, e do consenso de mercado, que apontava estabilidade.

Apesar da surpresa positiva, o desempenho não altera a avaliação de que o setor atravessa um período de menor dinamismo. No conceito ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, as vendas recuaram 1,0% em junho. A queda foi menos intensa do que a estimada pelo Banco Safra, de 1,7%, e pelo consenso, de 1,4%.

Para os economistas do Banco Safra, o resultado confirma um mês fraco para o varejo, em um ambiente marcado por política monetária restritiva e arrefecimento gradual da demanda doméstica.

Supermercados lideram contribuições positivas

Entre os segmentos que compõem o varejo restrito, supermercados tiveram alta de 1,1% em junho e foram uma das principais contribuições positivas para o resultado geral.

Também se destacou a categoria de outros artigos de uso pessoal, com crescimento de 2,4% na margem. Móveis e eletrodomésticos avançaram 0,4%, enquanto farmácia e perfumaria tiveram alta de 0,2%.

Na comparação com junho de 2025, o comércio varejista restrito cresceu 2,9%.

Quedas em vestuário e combustíveis limitam desempenho

A composição do resultado mostrou diferenças relevantes entre os segmentos. As vendas de vestuário recuaram 2,6% em junho, após alta de 3,2% em maio. Combustíveis e lubrificantes caíram 1,7%, enquanto o segmento de livros apresentou retração de 9,9%.

Também registraram queda as vendas de material para escritório, informática e comunicação, com recuo de 1,3%.

No acumulado em 12 meses, entretanto, alguns segmentos mantiveram desempenho positivo. Livros cresceram 12,6%, móveis e eletrodomésticos avançaram 7,5%, e farmácia e perfumaria tiveram alta de 6,2%.

Varejo ampliado recua, apesar de surpresa positiva em veículos e atacarejo

No varejo ampliado, as vendas de veículos recuaram 1,5% em junho, queda menos intensa do que a projeção do Banco Safra, de 2,5%. O resultado ajudou a reduzir a magnitude da retração do índice geral.

As vendas de materiais de construção, por outro lado, caíram 3,5% na comparação mensal com ajuste sazonal, reforçando a fraqueza dos segmentos mais sensíveis às condições de crédito e ao custo de financiamento.

O principal desvio em relação às expectativas veio do atacarejo. As vendas da categoria cresceram 7,5% na comparação anual, muito acima da projeção do Banco Safra, que indicava queda de 1,0%. Segundo os economistas, esse resultado explicou grande parte da surpresa positiva observada no varejo ampliado.

Na comparação anual, as vendas do varejo ampliado cresceram 4,9% em junho. Veículos tiveram alta de 11,6%, enquanto livros avançaram 12,6% e móveis e eletrodomésticos, 7,5%.

Resultado trimestral aponta perda de fôlego

Embora a PMC tenha apresentado números acima do esperado em junho, o desempenho não foi suficiente para evitar a contração trimestral do varejo ampliado. O segmento recuou 1,0% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores.

Além disso, o setor encerrou o período com carregamento estatístico negativo de 0,7% para o terceiro trimestre. O indicador sugere que, mesmo se as vendas permanecerem estáveis ao longo dos próximos meses, o resultado trimestral poderá ser afetado negativamente pela base de comparação.

Juros elevados devem limitar recuperação

Na avaliação do Banco Safra, o ciclo de aperto monetário continua sendo um dos principais fatores de contenção das vendas. Taxas de juros elevadas encarecem o crédito, reduzem a capacidade de financiamento das famílias e afetam especialmente segmentos como veículos, móveis, eletrodomésticos e materiais de construção.

O mercado de trabalho ainda se mantém forte, mas apresenta sinais de moderação. Esse quadro tende a sustentar o consumo de itens essenciais, como alimentos e produtos de uso pessoal, mas pode limitar compras de maior valor e decisões de consumo dependentes de crédito.

Safra prevê crescimento mais moderado e maior volatilidade

Para os próximos meses, os economistas projetam que o varejo siga em uma trajetória de crescimento mais moderado e de maior volatilidade. A expectativa é de avanços pontuais em segmentos menos dependentes de financiamento, enquanto as categorias mais expostas aos juros devem continuar enfrentando maior pressão.

A leitura do Banco Safra é de que a atividade econômica brasileira passa por uma desaceleração gradual, sem sinais, no material analisado, de uma interrupção abrupta do consumo. O comportamento das vendas dependerá da combinação entre renda, emprego, confiança das famílias e condições financeiras.

O resultado da PMC, portanto, apresenta uma combinação de sinais: a alta do varejo restrito em junho superou as expectativas, mas a retração do varejo ampliado, a queda trimestral e o carregamento estatístico negativo indicam que o setor ainda opera com pouca força.

Impactos para a atividade econômica e os investimentos

A evolução do varejo será acompanhada de perto por investidores porque ajuda a medir a intensidade da desaceleração da economia e a resposta da demanda doméstica ao ambiente de juros elevados.

Um consumo mais resiliente pode reduzir a velocidade de perda de atividade, mas também pode dificultar uma convergência mais rápida da inflação, especialmente se a demanda permanecer sustentada em determinados segmentos. Por outro lado, uma desaceleração mais disseminada tende a reforçar as expectativas de menor pressão sobre preços e atividade.

O balanço de junho, segundo o Banco Safra, ainda aponta para um cenário em que a política monetária restritiva continuará limitando uma aceleração robusta das vendas no curto prazo.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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