Varejo avança e indica início de 2026 mais favorável ao consumo
Alta das vendas em janeiro surpreende o mercado e reforça avaliação de retomada gradual, apoiada por renda, mercado de trabalho resiliente e desinflação
11/03/2026 2 minutos
ados da PMC mostram avanço disseminado das vendas em janeiro, após consumo praticamente estagnado no fim de 2025 | Foto: Getty Images
A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) indicou um desempenho melhor do que o esperado para o varejo brasileiro em janeiro, sinalizando um início de 2026 mais favorável ao consumo das famílias após um final de ano marcado por estagnação.
No conceito restrito, que exclui veículos, material de construção e atacarejo, as vendas cresceram 0,4% na comparação mensal, resultado próximo à projeção dos especialistas do Banco Safra (0,2%) e acima do consenso de mercado, que apontava queda de 0,2%. Já no conceito ampliado, a alta foi ainda mais expressiva, de 0,9%, superando tanto as estimativas internas quanto as do mercado.
Conceito ampliado mostra reação disseminada
A surpresa positiva no varejo ampliado foi generalizada entre os três segmentos que não integram o varejo restrito: veículos, material de construção e atacarejo. O desempenho sugere uma reversão parcial da acomodação observada no último trimestre de 2025, período em que o consumo perdeu fôlego diante de juros elevados e maior cautela das famílias.
Esse resultado reforça a leitura de que fatores como mercado de trabalho resiliente, ganhos adicionais de renda decorrentes das mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física e o avanço do processo de desinflação começam a oferecer algum suporte ao consumo no início do ano.
Varejo restrito: vestuário surpreende e supermercados sustentam alta

Vestuário reage após desempenho fraco no fim de 2025
No recorte do varejo restrito, os dados ficaram, em geral, alinhados às projeções do Safra. Entre os destaques positivos, o segmento de vestuário registrou alta de 1,8% em janeiro, recuperando parte das perdas observadas no final do ano passado.

Supermercados têm peso decisivo
Já o segmento de supermercados, que responde por cerca de 54% do varejo restrito, avançou 0,4% no mês, contribuindo de forma relevante para o resultado agregado do comércio.
Na outra ponta, o principal destaque negativo foi o setor de material de escritório, que apresentou queda expressiva de 9,3%, conforme esperado. O recuo reverteu parte significativa do crescimento excepcional registrado no último trimestre de 2025.
Perspectivas para 2026: crescimento moderado do consumo
Ao longo de 2026, a tendência de desinflação deve aliviar gradualmente a pressão sobre o orçamento das famílias, favorecendo a expansão do consumo. Esse movimento, combinado com a resiliência do mercado de trabalho, tende a sustentar um cenário mais construtivo para a demanda interna.
Por outro lado, mesmo com o início do processo de flexibilização monetária, os juros ainda elevados devem manter o custo do serviço da dívida em patamar alto, limitando uma recuperação mais vigorosa do consumo.
Diante desse conjunto de fatores, os especialistas do Banco Safra mantêm a projeção de crescimento real de 1,7% do consumo das famílias em 2026, indicando uma trajetória de expansão moderada e gradual ao longo do ano.
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