O que esperar da ação da Vale (VALE3) após a alta recente
Vale (VALE3) oferece dividendos e avaliação decentes, com potencial de valorização em 2026 se o minério de ferro permanecer estável e cobre e ouro estenderem os ganhos
28/11/2025 3 Minutos
O sentimento dos investidores é misto após a alta recente da ação da Vale, pois a força do minério de ferro parece difícil de justificar | Foto: Getty Images
As ações da Vale (VALE3) tiveram um desempenho superior recentemente, impulsionadas por preços fortes de commodities,
short covering e uma sólida execução da gestão.
O sentimento dos investidores é misto após a alta, pois a força do minério de ferro parece difícil de justificar, e alguns pensam que grande parte do progresso da gestão parece já estar precificada.
Ainda assim, a Vale oferece dividendos e avaliação decentes, com potencial de valorização em 2026 se o minério de ferro permanecer estável e o cobre/ouro estenderem os ganhos, segundo análise dos especialistas do Banco Safra.
O Investor Day da Vale em 2 de dezembro se concentrará na orientação atualizada, capex, dividendos, metas de dívida e estratégias para minério de ferro e VBM (Metais Básicos da Vale), possivelmente incluindo discussões sobre IPO ou carve-out.
1. Atualização de Estimativas para a Vale (VALE3)
As atualizações provisórias da orientação dão pistas sobre o novo panorama para 2026–2030 e as estimativas iniciais para 2027. A mudança mais evidente é a redução do all-in de cobre e níquel para 2026–2030, apoiada por créditos de subprodutos mais altos e produção menor de níquel e aglomerados devido a condições de mercado desafiadoras.
Para aglomerados, 2027–2030 ainda pode mostrar um crescimento acentuado em relação a 2025, já que a Vale espera um mercado equilibrado a partir de 2027 em diante. As previsões de produção de cobre devem permanecer inalteradas, visto que nenhum novo projeto foi adicionado aos planos da Vale.
O teor médio de ferro e o prêmio all-in do minério de ferro também devem permanecer os mesmos, pois as premissas atuais já refletem uma melhoria forte, mas alcançável, em relação aos níveis de 2025.
A principal incerteza segundo os especialistas do Banco Safra reside na produção de minério de ferro e nos custos C1. Uma postura mais cautelosa — considerando as condições de mercado e o câmbio (FX) — poderia levar a estimativas mais fracas em relação à orientação anterior. No entanto, o Safra não espera grandes desvios das estimativas anteriores.
2. Capex
A orientação de capex da Vale para 2025 é de USD 5,4–USD 5,7 bilhões (~USD 4,1 bilhões de sustentação e ~USD 1,5 bilhão de crescimento), mas estimamos gastos reais em ~USD 5,3 bilhões. Para 2026, o Safra espera uma orientação de USD 5,5–USD 6 bilhões, provavelmente no limite inferior.
Projetos em execução atingiram ~80% de progresso físico, deixando ~USD 1,4 bilhão em capex restante no 3T25. O próximo projeto na fila é Bacaba (~50 ktpy de cobre, ~USD 290 milhões de capex), com início no 1S28.
A Vale também possui uma extensa lista de projetos em avaliação. Projetos de cobre estão em desenvolvimento inicial, mas a gestão os vê como chave para desbloquear valor.
O Safra espera atualizações sobre Alemão e Victor, que provavelmente avançarão. Para os outros segmentos, o Safra não
assume novos projetos em suas previsões, o que significa que o capex poderia cair abaixo de USD 5 bilhões em 2027–28.
A maioria das decisões de investimento em níquel são esperadas para 2025–27, com muitas provavelmente adiadas ou canceladas, já que a Vale limita a exposição ao segmento. Da mesma forma, novos projetos de minério de ferro podem ser adiados até que a dinâmica de oferta e demanda de longo prazo se torne mais clara.
3. Dividendos e meta de dívida líquida expandida
O Safra reconhece os esforços da gestão para equilibrar o crescimento do cobre com o uso eficiente de capex e vemos uma forte chance de que os próximos projetos de níquel e minério de ferro sejam adiados ou cancelados. Isso poderia liberar capital para dividendos extras—cerca de USD 0,5–USD 1,0 bilhão em 2026E e USD 1,0 bilhão em 2027E.
O Safra também espera que o evento inclua o anúncio dos dividendos antecipados do 2S25, dando à Vale flexibilidade para gerenciar pagamentos ordinários e criar espaço para dividendos extraordinários se o FCF (Free Cash Flow) atender às expectativas.
Dito isso, o Safra não espera alterações na meta de dívida líquida expandida de USD 15 bilhões, uma postura que a gestão reiterou. Preservar o poder de fogo para potenciais M&A de cobre e esperar por sinais mais claros do mercado de minério de ferro se alinha com a abordagem conservadora da Vale em relação à alavancagem.
4. Níquel
A razão capex-para-EBITDA ressalta o níquel como o segmento menos eficiente da Vale, renovando discussões sobre potenciais divestimentos. Ainda assim, uma saída total parece improvável devido às atuais condições de mercado e passivos pesados.
A Vale não detalha as obrigações de desativação de ativos (AROs) por segmento, mas suas operações canadenses—que representaram 80% da produção de níquel em 2024—carregam USD 1,6 bilhão em passivos ambientais e de descomissionamento.
Esses passivos tornam o ativo menos atraente e podem forçar a Vale a oferecer incentivos financeiros para se desfazer dele.
Por outro lado, a Vale pode explorar o metal ainda mais no caso de uma saída parcial (por exemplo, Thompson) ou parcerias com outras mineradoras.
Dito isso, o Banco Safra espera que o capex de sustentação do níquel permaneça próximo ou até abaixo das despesas de D&A (Depreciação e Amortização) na tentativa de levar essa divisão ao breakeven de FCF.
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