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Vale reforça expansão em cobre e disciplina de capital

Companhia afirma que avanço operacional da Vale Base Metals melhora previsibilidade de entrega, enquanto plano de crescimento até 2035 amplia o peso do cobre na tese de investimento

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Vale

Apresentação da Vale no VBM Day destacou expansão em cobre, ganhos operacionais no Canadá e no Brasil e disciplina na alocação de capital | Foto: Getrry Images

A Vale (VALE3) anunciou que a sua unidade de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM), avançou em execução operacional, competitividade de custos e disciplina financeira, em uma sinalização ao mercado de que o negócio começa a ganhar maior relevância estratégica dentro do portfólio da companhia.

Durante o VBM Day, no dia 30, a administração destacou cinco eixos centrais: perspectivas para os mercados de cobre e níquel, recuperação operacional, execução do crescimento em cobre, competitividade de custos no níquel e alocação disciplinada de capital. A mensagem principal foi a de que a reorganização da unidade permitiu simplificar a operação, melhorar a entrega e recuperar credibilidade após anos de frustração com metas operacionais.

Cobre concentra principal avenida de crescimento

A Vale reiterou sua visão de um mercado estruturalmente apertado para o cobre, apoiado pela eletrificação da economia, pela expansão de energias renováveis, por investimentos em redes elétricas e pelo aumento da demanda de energia associada a data centers.

Segundo a companhia, o lado da oferta segue mais restrito por fatores como queda de teor mineral, longos prazos de licenciamento e escassez de novos projetos em países ocidentais. Esse ambiente, na avaliação da empresa, favorece projetos de expansão brownfield, com menor risco de execução e uso de infraestrutura existente.

Nesse contexto, a Vale reafirmou a meta de elevar sua produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas para aproximadamente 700 mil toneladas até 2035, com foco em Carajás. O projeto Bacaba, já em construção, foi apontado como uma das principais frentes desse plano, com mais de 23% de avanço físico e redução superior a 50% no capex em relação aos conceitos iniciais.

A mineradora também citou projetos como Cristalino, Alemão e North Hub como parte da estratégia de crescimento em polos. Além disso, indicou que alternativas incrementais, como coarse particle flotation, podem adicionar cerca de 30 mil toneladas por ano à produção, com baixo investimento adicional.

Níquel segue pressionado, mas empresa mira redução de custos

No níquel, a companhia reconheceu que o mercado continua desafiador, em razão da forte expansão da produção da Indonésia, que hoje responde por cerca de 65% da oferta global. Ainda assim, a administração avaliou que pressões de custo em cadeias lateríticas e questões geopolíticas ligadas à segurança de suprimento podem abrir espaço para produtores ocidentais com maior rastreabilidade.

A resposta da Vale ao cenário de preços mais pressionados está concentrada em medidas internas de eficiência. No Canadá, a estratégia polimetálica busca diluir custos fixos e ampliar créditos com subprodutos, com o objetivo de reduzir o custo total de sustentação de cerca de US$ 25 mil por tonelada para aproximadamente US$ 17 mil por tonelada.

Segundo a empresa, movimentos de portfólio como a transação em Thompson e o acordo com a Glencore em Sudbury estão voltados a elevar competitividade e prontidão operacional, e não a capturar valor no curto prazo por meio de monetizações.

Desempenho operacional sustenta discurso da administração

A Vale afirmou que, nos últimos dois anos, a VBM superou o guidance de cobre e níquel pela primeira vez em mais de uma década. De acordo com a companhia, isso resultou em uma melhora anual de cerca de US$ 1,9 bilhão no EBITDA, dos quais aproximadamente US$ 800 milhões vieram de iniciativas internas.

Entre os destaques operacionais apresentados no evento, a empresa citou aumento de 40% no throughput de moinho em Salobo, melhora de cerca de 20% na utilização de caminhões em Sossego e avanço de produtividade em Sudbury e Voisey’s Bay. A companhia também informou melhora nos indicadores de segurança.

Alocação de capital segue conservadora

Na frente financeira, a administração reiterou que o crescimento da unidade será financiado internamente e com base em premissas conservadoras de preços. O capex de sustentação e crescimento foi reduzido para cerca de US$ 1,6 bilhão em 2026 e deve girar em torno de US$ 2 bilhões por ano a partir de 2027.

A VBM encerra o período com dívida líquida de aproximadamente US$ 1,2 bilhão e alavancagem de cerca de 0,4 vez dívida líquida sobre EBITDA, segundo a apresentação. A empresa afirmou que a criação de valor dependerá de entrega consistente, e não de eventos pontuais de monetização.

Ações têm recomendação neutra no Safra

No relatório que comentou o evento, o Safra manteve recomendação neutra para os papéis da Vale. O preço-alvo indicado é de US$ 16,00 para os ADRs, ante cotação de US$ 15,89, e de R$ 86,00 para VALE3, ante preço de R$ 82,50. O retorno total estimado é de 4%.

Na avaliação do banco, a apresentação reforça a evolução da execução na unidade de metais básicos, mas o potencial de valorização ainda aparece limitado no curto prazo.

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