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Vale piora dos resultados e não deve pagar dividendo extraordinário em 2026

Banco Safra mantém ceticismo quanto aos preços do minério de ferro, que estão 2% abaixo da média do 4T25, o que afeta os resultados da Vale (VALE3)

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Dívida líquida expandida de US$ 15,6 bilhões antes do pagamento de dividendos no 1T26 reforça a visão dos analistas de que a Vale não anunciará nenhum dividendo extraordinário em 2026 | Foto: Getty Images

O EBITDA ajustado da Vale (VALE3) no 4T25 foi de US$ 4.834 milhões, 2% acima da estimativa do Banco Safra e 5% acima do consenso compilado pela empresa (US$ 4.615 milhões). Os especialistas do Banco Safra destacam que já havíam incorporado em suas projeções os preços realizados e os volumes embarcados no trimestre.

Os resultados do segmento de Metais para Transição Energética vieram bem acima da expectativa do Safra, mas isso foi parcialmente compensado pelo EBITDA de Soluções em Minério de Ferro abaixo da nossa estimativa e por um impacto mais negativo das despesas alocadas em “Outros” EBIDTA.

O Banco Safra avalia que os resultados da Vale devem piorar sequencialmente no 1T26, prejudicados por vendas sazonais menores de minério de ferro e C1 mais elevado.

O banco mantém ceticismo quanto aos preços do minério de ferro, que estão 2% abaixo da média do 4T25 (spot 7% abaixo), mas segue bastante construtivos em relação ao cobre, cujos preços estão 17% acima daquele nível (spot 18% acima), enquanto o níquel está 18% acima (spot 19% acima).

A atual dívida líquida expandida de US$ 15,6 bilhões antes do pagamento de dividendos no 1T26 reforçam a visão dos analistas de que a Vale não anunciará nenhum dividendo extraordinário em 2026.

Geração de caixa da Vale (VALE3)

A geração recorrente de FCF (ex-Mariana e Brumadinho) atingiu US$ 1.688 milhões, acima da estimativa de US$ 1,4 bilhão, devido a melhores resultados operacionais, menor necessidade de capital de giro e menores despesas de juros em caixa.

A alavancagem líquida (net debt/EBITDA) caiu para 0,7x ante 1,0x no 3T25, explicada por um maior EBITDA dos últimos 12 meses, enquanto a dívida líquida expandida recuou 6% tri a tri para US$ 15,6 bilhões, ajudada pela geração de FCF.

O Safra nota que os US$ 2,8 bilhões em dividendos e IoC que serão pagos no 1T26 pressionarão essa tendência de endividamento expandido.

O EBITDA do segmento Soluções em Minério de Ferro atingiu US$ 3.967 milhões no 4T25, 4% abaixo da estimativa do Safra de aproximadamente US$ 4.128 milhões.

O C1 de finos, excluindo compra de terceiros, foi de US$ 21,3/t (+3% tri a tri), 1% acima da previsão. A alta trimestral foi causada principalmente por:

  • (i) pressão da apreciação do real;
  • (ii) manutenção concentrada no Sistema Norte;
  • (iii) maior participação de produção de custo mais alto nos Sistemas Sudeste e Sul.

A empresa segue confiante de que atingirá sua meta de C1 para 2026, entre US$ 20,0–21,5/t (excluindo compras de terceiros). Ainda assim, o ponto de equilíbrio do EBITDA de finos e pelotas, de US$ ~54,3/t, ficou 1% acima da projeção de US$ 53,0/t.

O EBITDA de Metais para Transição Energética foi de US$ 1.393 milhões, muito acima da estimativa de US$ 913 milhões, devido ao desempenho melhor do que o esperado de Níquel e Cobre. No cobre, o breakeven chegou a -US$ 881/t — muito abaixo da estimativa de US$ 1.187/t — devido, principalmente, a maiores receitas unitárias de subprodutos. No níquel, o breakeven ficou em US$ 9.001/t, cerca de 33% abaixo da estimativa dos analistas do Safra.

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