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Vale (VALE3) alcança maior produção desde 2018 e pode pagar dividendos extras

Banco Safra vê boa probabilidade de projetos futuros de níquel e minério de ferro serem adiados ou descontinuados pela Vale, liberando capital para dividendos extras

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O Safra elevou as projeções de EBITDA para a Vale para US$ 16,6 bilhões em 2026 (+8%) e US$ 16,7 bilhões em 2027 (+11%) | Foto: Getty Images

O Banco Safra introduziu um preço-alvo para o final de 2026 de US$ 13,2 por ação (de US$ 11,5) da Vale (VALE3), implicando um retorno total para o acionista (TSR) em torno de 16%. O Safra reitera a recomendação de compra para a ação.

A VALE subiu 19% desde última atualização dos especialistas do Safra em setembro, desafiando expectativas pessimistas. O Safra atribui esse bom desempenho às entregas da gestão (operações e investimentos) e à resiliência dos preços do minério de ferro.

A VALE, negociando a 3,8x EV/EBITDA estimado para 2026 e oferecendo um yield médio de FCF de 11% entre 2026–2028, continua a se comparar bem com pares australianos (5,6x EV/EBITDA, 6% FCF médio), sustentando a recomendação Compra.

O Safra elevou as estimativas de EBITDA para refletir uma melhora mais ampla nos preços das commodities. No entanto, o banco destaca que os retornos históricos de novembro e dezembro para VALE e preços do minério de ferro (2010–2024) indicam uma forte correlação linear, com sensibilidade de 1 para 1 e R² de 74%.

Isso sugere que o desempenho da Vale nos dois últimos meses do ano tem sido quase totalmente impulsionado pelos movimentos nos preços do minério de ferro.

O intercepto de 0,0 implica que, quando os preços do minério permanecem estáveis, a Vale historicamente apresenta retornos insignificantes.

Banco Safra revisa projeções para a Vale (VALE3)

O Safra elevou as projeções de EBITDA para a Vale para US$ 16,6 bilhões em 2026 (+8%) e US$ 16,7 bilhões em 2027 (+11%), refletindo melhor desempenho de custos e preços de commodities mais fortes em minério de ferro e metais para transição energética.

A estimativa para o EBITDA de soluções em minério de ferro aumentou 7% ano contra ano para 2026, impulsionada por premissas de preços realizados mais fortes (finos a US$ 88/t, +6%). O Safra manteve os volumes de vendas estáveis em 295 Mt.

O EBITDA de pelotas foi ajustado para baixo devido à fraqueza contínua do mercado, especialmente em 2026, e à normalização dos prêmios.

Para metais de transição energética (ETM), o banco elevou o EBITDA do cobre em 24%–26%, à medida que os preços realizados melhoraram para US$ 10.035 – 10.579/t (+4%–8%), enquanto os custos breakeven foram reduzidos para US$ 811–997/t (-50%).

Também aumentou significativamente o EBITDA do níquel (+40%–47%) devido a melhorias nos custos, com breakeven caindo 12% para US$ 11.486/t em 2026 e US$ 11.365/t em 2027 (-12%), parcialmente compensado por preços realizados menores (-2%).

Créditos de subprodutos foram fundamentais para essa redução no breakeven e maior EBITDA.

Orientação de capex ambiciosa e prováveis dividendos extras

A orientação de capex da Vale para 2025 está entre US$ 5,4 bilhões–US$ 5,7 bilhões (~US$ 4,1 bilhões para manutenção e ~US$ 1,5 bilhão para crescimento), mas o Safra estima que apenas ~US$ 5,3 bilhões serão investidos no ano.

O capex caiu 14% ano contra ano em 9M25 e precisaria subir 9% no 4T para atingir o limite inferior da orientação da Vale, marcando o segundo maior capex trimestral desde 2017, o que é improvável devido ao cronograma de faturamento dos fornecedores.

O Safra reconhece os esforços da gestão para equilibrar o crescimento do cobre com uma alocação de capex mais eficiente e vê boa probabilidade de projetos futuros de níquel e minério de ferro serem adiados ou descontinuados, liberando capital para dividendos extras (US$ 1,0 bilhão em 2026E e US$ 1,0 bilhão em 2027E).

Riscos para a tese de investimento: (i) Deterioração no nível de atividade do setor imobiliário da China,
impactando preços do minério de ferro; (ii) Dependência da Vale de licenças ambientais e certificações de terceiros
para aumentar a produção; e (iii) Provisões adicionais que impeçam a companhia de pagar dividendos extraordinários.

Resultados da Vale (VALE3) no 3T25

A Vale divulgou, nesta quinta-feira, 30 de outubro, seu desempenho referente ao terceiro trimestre de 2025. 

Empresa registra maior produção de minério de ferro para um trimestre desde 2018; guidance de custos de cobre e níquel são revisados para baixo. Confira abaixo os destaques:

  • Forte desempenho de vendas em todos os segmentos de negócio. As vendas de minério de ferro, cobre e níquel cresceram 5% (+4 Mt), 20% (+15 kt) e 6% (+2 kt) a/a, respectivamente, apoiadas pelo sólido desempenho operacional. 
  • O preço médio realizado de finos de minério de ferro foi de US$94,4/t, 11% maior t/t e 4% maior a/a, superando o aumento nos preços de referência do minério de ferro, apoiado pela estratégia de portfólio de produto. 
  • Os custos all-in do minério de ferro caíram 4% a/a para US$ 52,9/t, como resultado dos melhores prêmios de qualidade de finos e menores custos de frete. 
  • O custo caixa C1 de finos de minério de ferro, excluindo compras de terceiros, manteve-se relativamente em linha a/a, alcançando US$ 20,7/t no trimestre, no caminho para atingir o guidance para 2025. 
  • O custo all-in do cobre foi reduzido em 65% a/a (para US$ 994/t) enquanto o custo all-in do níquel foi 32% menor a/a (US$ 12.347/t). Estas melhorias foram resultado de maior eficiência operacional, maior produção e maiores receitas de subprodutos. 
  • guidance de custo all-in do cobre para 2025 foi revisado para US$ 1.000-1.500/t (de US$ 1.500-2.000/t), impulsionado pelos maiores preços do ouro. guidance de custo all-in do níquel para 2025 foi revisado para US$ 13.000-14.000/t, (de US$ 14.000-15.500/t), impulsionado por uma performance operacional sólida e preços fortes dos metais, beneficiando os ativos polimetálicos. 
  • O EBITDA Proforma totalizou US$ 4,4 bilhões, 17% maior t/t e 28% maior a/a, refletindo maiores volumes, eficiência nos custos e maiores preços de minério de ferro, cobre e subprodutos. 
  • O CAPEX totalizou US$ 1,3 bilhão, US$ 0,1 bilhão menor a/a, mantendo-se no caminho para alcançar o guidance de US$ 5,4-5,7 bilhões em 2025. 
  • O Fluxo de Caixa Livre recorrente foi de US$ 1,6 bilhão, US$ 1,0 bilhão maior a/a, reflexo, principalmente, do EBITDA maior.
  • A dívida líquida expandida de US$ 16,6 bilhões ao final do trimestre foi US$ 0,8 bilhão menor t/t, em razão da forte geração de fluxo de caixa livre. 

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