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Última superquarta de 2025 terá corte de juros no EUA e manutenção no Brasil

Copom deve manter a taxa de juros em 15% ao ano, enquano nos EUA o Federal Reserve deve fazer novo corte de 0,25 ponto porcentual, na última superquarta de 2025

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Dada a atividade resiliente e a inflação acima da meta nos EUA, o Fed deve sinalizar uma interrupção nos cortes de juros, após novo corte nesta superquarta | Foto: Getty Images

O Copom (Comitê de Política Monetária) deve encerrar o ano de 2025 mantendo a taxa básica de juros (taxa Selic) em 15% ao ano, maior patamar desde 2006. Isso apesar da desaceleração da economia refletida no PIB do terceiro trimestre, que ficou em 0,1%. A última reunião do Copom será nesta quarta-feira, dia 10, quando o Federal Reserve deve promover mais um corte dos juros nos Estados Unidos.

Enquanto a manutenção da taxa Selic é dada como certa pela unanimidade dos analistas do mercado financeiro, as apostas para o início do ciclo de cortes de juros estão divididas entre janeiro e março do próximo ano.

O PIB e a produção industrial vieram abaixo das expectativas, confirmando desaceleração da economia, mas as incertezas quanto ao cenário eleitoral trouxeram pressão altista para a curva de juros, segundo análise do Banco Safra. Por conta das incertezas no cenário doméstico, o US$ valorizou 1,84% na semana passada, cotado a R$ 5,43.

Os mercados globais tiveram uma semana positiva, na expectativa do corte de juros nos EUA. O mercado norte-americano aumentou a
expectativa para o corte de juros uma vez que os dados de PMI (índice de gerente de compras) da manufatura mostraram outro mês de desempenho fraco, os dados da ADP (Automatic Data Processing) mostraram queda do emprego e a inflação ao produtor (PCE) veio dentro das expectativas.

Copom deve manter Selic na última superquarta de 2025

O aperto do crédito na economia brasileira, por causa da taxa de juros de 15% ao ano, também contribuiu para a contração dos serviços financeiros (-1,0% em relação ao trimestre anterior), que limitou o crescimento do setor de serviços a apenas +0,1% no trimestre, apesar do crescimento mais ou menos forte de seis dos sete segmentos que compõem o setor.

O segmento de transporte cresceu +2,7% no trimestre, superando todos os demais setores, impulsionado pelo escoamento da produção de commodities.

Serviços de informação e comunicação cresceram +1,5% no trimestre, mantendo a trajetória positiva que o caracteriza desde a pandemia.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias apresentou virtual estabilidade, com alta de apenas 0,1% no trimestre, após crescimento acumulado de mais de 10% desde 2019. O consumo do governo acelerou para +1,3% t/t, compensando parcialmente a fraqueza do consumo privado.

A estagnação do consumo das famílias é compatível com fluxo financeiro negativo observado no mercado de crédito e do aumento do
comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida, na esteira dos vários trimestres de juros reais acima de 8% ao ano, com aumento da inadimplência.

O resultado do PIB do terceiro trimestre de 2025 confirma o cenário projetado pelos especialistas do Banco Safra de desaceleração da atividade ao longo do ano, decorrente, dentre outros fatores, dos efeitos da política monetária.

Diante deste cenário, o Safra reviu a projeção do crescimento real do PIB para 2,3% projetado para 202, considerando primordialmente a
revisão da série histórica do IBGE para refletir a excelente safra agrícola de 2024-2025.

Paralisação das atividades do governo dos EUA dificulta trabalho do Federal Reserve

A recente paralisação das atividades do governo federal americano (shutdown) provocou um período de escassez de estatísticas econômicas oficiais. Além dos dados que serão publicados com atraso, há indicadores que, para certos períodos, nunca serão publicados, deixando lacunas em suas séries históricas.

Dentre eles estão os dados de emprego de outubro e os da pesquisa JOLTS, que medem vagas em aberto e os fluxos de contratações e demissões, para setembro. Esses indicadores são construídos pelo escritório de estatísticas do trabalho (BLS), que por ser vinculado ao Departamento do Trabalho (DoL), não conseguiu fazer a coleta das informações nos respectivos períodos. Na ausência desses dados, ganharam atenção algumas métricas alternativas.

O chamado diferencial de emprego (diferença entre o percentual de pessoas que dizem ter facilidade de encontrar emprego e o percentual
que diz ter dificuldade) segue caindo no indicador de confiança do consumidor publicado pelo Conference Board.

Do lado dos empresários, o índice de otimismo de pequenos negócios vem apontando arrefecimento da intenção de contratar e menor dificuldade de encontrar trabalhadores pelas empresas, o que é um sinal de menor demanda e maior disponibilidade de mão de obra.

Os dados de várias fontes privadas suprem parcialmente a recente falta de dados oficiais e apontam para um mercado de trabalho menos dinâmico.

Apesar disso, o PIB deve crescer no segundo semestre, totalizando alta anual de 2,0% em 2025. A evolução do mercado de trabalho deve dar embasamento para o Fed cortar a taxa de juros em 0,25 ponto porcentual na quarta-feira, dia 10 de dezembro. Porém, dada a atividade resiliente e a inflação acima da meta, o Fed deve sinalizar uma interrupção à frente. Um novo corte de juros pode ocorrer apenas em meados de 2026, segundo análise dos especialistas do Banco Safra.

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