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Possível fim de taxa das blusinhas: efeito limitado no varejo de moda

Imposto de 20% sobre importações abaixo de US$ 50 pode ser extinto antes das eleições de 2026, mas análise mostra que as vendas de Renner, C&A e Riachuelo dependem de outros vetores

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Possível revogação da taxa das blusinhas reacende debate no ano eleitoral de 2026, mas fundamentos do setor apontam para outros vetores de crescimento | Foto: Getty Images

Em agosto de 2024, o governo brasileiro instituiu um imposto federal de importação de 20% sobre bens adquiridos no exterior com valor declarado inferior a US$ 50, faixa que anteriormente era isenta para pessoas físicas.

A medida, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, surgiu para reduzir o desequilíbrio competitivo entre produtos fabricados no país e importações de baixo custo provenientes de plataformas estrangeiras, como Shein, Shopee e AliExpress.

Apesar do acolhimento positivo pelo varejo de moda nacional, o tributo revelou-se amplamente impopular entre os consumidores. Pesquisas recentes indicam que 62% dos brasileiros avaliam a medida de forma negativa.

Esse nível de rejeição reacendeu o debate sobre a sustentabilidade política do imposto e levantou a possibilidade de revogação antes das eleições de outubro de 2026, cenário que já circula no Poder Executivo, segundo reportagem do Grupo Globo.

Contração expressiva e recuperação das importações

A introdução do imposto provocou queda acentuada nas importações via e-commerce internacional.

Os volumes processados dentro do Programa Remessa Conforme (PRC), iniciativa por meio da qual plataformas estrangeiras se cadastram voluntariamente junto à Receita Federal e recolhem os tributos antecipadamente no checkout, recuaram cerca de 40% na comparação mensal em agosto de 2024, o primeiro mês de vigência da taxa.

Os volumes seguiram em patamares significativamente inferiores nos meses subsequentes. Contudo, nos últimos meses, aproximadamente um ano e meio após a implementação, as importações mostraram recuperação em direção aos níveis históricos.

Por que os varejistas de moda tendem a não sentir o impacto

A análise do Banco Safra sustenta que a possível revogação do imposto representa risco limitado para as perspectivas de vendas do setor de vestuário. O argumento central reside na pouca sobreposição de intenção de compra entre consumidores de moda cross-border e clientes de varejistas domésticos como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3).

Segundo o Safra, compradores internacionais costumam priorizar o menor preço possível, mesmo que isso implique longos prazos de entrega e menor previsibilidade em relação à qualidade ou às devoluções.

Já os consumidores das grandes redes nacionais de vestuário buscam valor, aceitam pagar preços moderadamente mais altos e, com frequência, tratam a compra de roupas como uma atividade de lazer ou experiência. Assim, as bases de clientes e as ocasiões de compra desses canais se revelam, em grande medida, distintas.

O que os dados de vendas revelam

A análise dos resultados identificou aceleração no crescimento do setor de varejo de moda no primeiro semestre após a implementação do imposto. O crescimento médio anual das empresas de vestuário listadas foi de 9,5% nos seis meses anteriores à taxa, contra 12,4% nos seis meses seguintes, avanço de 2,9 pontos percentuais.

O especialistas do Safra, porém, atribuem esse movimento a fatores não relacionados ao tributo. O primeiro semestre de 2024 sofreu impacto climático relevante, pois as temperaturas mais frias do inverno chegaram com atraso e prejudicaram o escoamento das coleções da estação. Parte dessa demanda postergada migrou para o terceiro trimestre do mesmo ano, quando as temperaturas se normalizaram e os estoques de inverno ainda se mantinham elevados.

Além disso, a Renner enfrentou disrupção significativa nas vendas em razão das enchentes na região Sul no segundo trimestre de 2024. Em conjunto, esses elementos, e não o imposto em si, explicam a maior parte da aceleração observada.

O que esperar para as ações do setor

Diante desse cenário, o Banco Safra avalia que, mesmo diante de eventual revogação do imposto, o risco de queda para as expectativas de vendas do setor de vestuário permanece limitado. A

s tendências recentes de crescimento refletem, sobretudo, outros vetores, como assertividade nas coleções, timing de lançamentos, precificação inteligente e qualidade no nível de serviço.

Portanto, os fundamentos operacionais de Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) permanecem ancorados em dinâmicas internas ao setor, independentemente do desfecho do debate tributário.

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