Quem ganha e quem perde com tarifaço dos EUA entre exportadoras
Embraer permanece protegida do tarifaço dos EUA por isenções, enquanto WEG e Frasle enfrentam pressão sobre margens e competitividade
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Setor de bens de capital monitora avanço das tarifas americanas sobre produtos brasileiros; impacto varia conforme exposição aos EUA e enquadramento regulatório | Foto: Getty Images
A nova rodada de tarifas comerciais anunciada pelos EUA contra produtos brasileiros deve produzir efeitos distintos entre as empresas do setor de bens de capital acompanhadas pelo Banco Safra. A partir de 22 de julho de 2026, exportações brasileiras passarão a enfrentar uma tarifa de 25% sob a Seção 301, elevando o nível de pressão competitiva sobre companhias mais expostas ao mercado americano.
O governo americano estabeleceu uma exceção limitada para mercadorias já em trânsito antes da entrada em vigor da medida e desembaraçadas até 29 de julho. Ao mesmo tempo, Washington sinalizou que continuará monitorando a investigação comercial e poderá revisar as tarifas conforme a resposta do Brasil.
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, o documento divulgado pelas autoridades americanas trouxe um ponto parcialmente positivo ao ampliar a lista de isenções para determinados produtos, incluindo bens já enquadrados sob tarifas da Seção 232.
Embraer surge como principal beneficiada entre as companhias cobertas
A Embraer (EMBR3) aparece como a empresa menos vulnerável ao novo ambiente tarifário. Aeronaves e componentes aeronáuticos ficaram fora da nova rodada de sobretaxas, preservando a competitividade da companhia no mercado americano.
Segundo a análise do Safra, não há expectativa de impactos relevantes sobre os resultados do segundo semestre de 2026. Além disso, a fabricante brasileira também deve permanecer isenta de uma eventual tarifa adicional relacionada a questões trabalhistas, uma vez que aeronaves civis integram a lista de exceções prevista pelos EUA.
Possibilidade de revisão positiva do guidance
A manutenção das isenções aumenta a probabilidade de revisão para cima das projeções operacionais da Embraer, especialmente em um momento de demanda resiliente na aviação comercial e executiva.
Para o mercado, a leitura é de que a companhia preserva vantagem competitiva relativa em comparação a outros exportadores industriais brasileiros mais expostos às novas barreiras comerciais.
WEG enfrenta pressão maior sobre exportações brasileiras
A situação da WEG (WEGE3) é mais desafiadora. Os produtos da companhia não foram incluídos na lista de isenções da Seção 301, o que deve ampliar o custo tarifário sobre exportações destinadas aos Estados Unidos.
O Safra estima que o impacto se concentre principalmente na divisão EEI, enquanto transformadores exportados a partir de outras geografias, como o México, devem permanecer relativamente protegidos.
Pelas estimativas do banco, a tarifa efetiva atual incidente sobre exportações brasileiras da WEG para os EUA equivale a aproximadamente 20,5%, representando cerca de 1,1% da receita consolidada da companhia. Com a nova tarifa de 25%, esse impacto pode subir para aproximadamente 1,4% da receita total.
Histórico de repasses pode reduzir impacto nas margens
Apesar da pressão adicional, a análise destaca que a WEG já demonstrou capacidade de repassar aumentos tarifários ao mercado americano em episódios anteriores.
Quando tarifas de até 50% foram implementadas em 2025, a companhia promoveu reajustes de preços e posteriormente não reverteu integralmente os aumentos mesmo após a redução das sobretaxas. Esse comportamento pode amortecer parte do impacto negativo da nova rodada tarifária.
Ainda assim, o cenário pode se deteriorar caso os EUA implementem uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a questões trabalhistas. Nesse caso, a carga combinada sobre produtos brasileiros poderia atingir 37,5%, elevando o impacto potencial para cerca de 2,1% da receita consolidada da empresa.
Nesse ambiente, concorrentes internacionais sujeitos a tarifas entre 10% e 12,5% ganhariam vantagem competitiva relativa frente à indústria brasileira.
Frasle deve enfrentar efeito moderado
Para a Frasle (FRAS3), o impacto tende a ser mais limitado. Segundo o Safra, a nova tarifa da Seção 301 não será cumulativa com as tarifas já aplicadas sob a Seção 232, atualmente próximas de 27,5% para veículos leves e autopeças.
Na prática, parte relevante da operação permaneceria submetida ao mesmo nível tributário atual. O efeito mais relevante recairia sobre produtos fora desse enquadramento, que poderiam enfrentar tarifa total de até 37,5% caso a sobretaxa trabalhista seja implementada.
Índia pode ganhar competitividade temporária
A avaliação do banco aponta que a indiana Meritor já conseguiu repassar custos tarifários anteriores aos clientes, reduzindo a necessidade de novos reajustes relevantes.
Por outro lado, fornecedores localizados na Índia tendem a ganhar competitividade no curto prazo, uma vez que permanecem sujeitos a tarifas significativamente menores, próximas de 12,5%.
Mercado aguarda decisão sobre tarifa adicional
Além da implementação da Seção 301, investidores acompanham com atenção a possibilidade de adoção de uma tarifa adicional de 12,5% associada a questões trabalhistas. A expectativa do Safra é de que o governo americano apresente uma definição até 24 de julho, data prevista para o vencimento da tarifa de 10% da Seção 122.
A interpretação predominante no mercado é que a nova sobretaxa substituiria a medida anterior, elevando substancialmente a carga tributária sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Para o setor de bens de capital, o novo ambiente comercial reforça uma tendência de maior fragmentação das cadeias globais de produção e aumenta a relevância de estratégias de diversificação geográfica, produção local e repasse de preços como instrumentos de preservação de margem.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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