Queda de tarifas dos EUA favorece WEG, Embraer, Frasle e Randoncorp
Decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as tarifas globais implementadas pela administração Trump favorece as ações de empresas brasileiras
23/02/2026 2 minutos
Suprema Corte dos EUA decidiu que o International Emergency Economic Powers Act não concede ao presidente autoridade para impor o tarifaço | Foto: Getty Images
A decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as tarifas globais implementadas pela administração Trump favorece as ações da WEG, Embraer, Frasle e Randoncorp, segundo análise dos especialistas do Banco Safra.
A suprema Corte decidiu que o International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) não concede ao presidente autoridade para impor o tarifaço. Como resultado, as chamadas tarifas “recíprocas” foram revogadas, assim como as aplicadas a México, China e Canadá em conexão com esforços para conter o fluxo de fentanil na fronteira.
No entanto, Trump ainda poderia restabelecer a maior parte — senão todas — dessas tarifas por meio de outros instrumentos legais. Ele já anunciou planos para uma tarifa global de 10% sob a Seção 122, que permite ao presidente impor tarifas de até 15% por 150 dias quando houver “grandes e sérios” problemas no balanço de pagamentos.
Além disso, a Casa Branca avalia o uso da Seção 301 — atualmente aplicada à China — que permite impor tarifas em resposta a práticas comerciais desleais, como roubo de propriedade intelectual ou transferência forçada de tecnologia. Ao contrário da Seção 122, a Seção 301 exige uma investigação formal, processo que pode levar vários meses.
Os especialistas do Banco Safra destacam que as tarifas impostas à China sob a Seção 301 permanecem em vigor, assim como as medidas setoriais sob a Seção 232. Elas incluem:
- (i) tarifas de 50% sobre aço e alumínio;
- (ii) tarifas de 25% sobre automóveis e autopeças;
- (iii) tarifas de 50% sobre cobre; e
- (iv) tarifas sobre caminhões, entre outras.
Queda de tarifas favorece ações da WEG, Embraer, Frasle e Randoncorp
Se as tarifas forem retiradas, a decisão pode ser positiva para WEG, Embraer, Frasle e Randoncorp, segundo a análise dos especialistas do Banco Safra. Ainda assim, o banco enfatiza que essas tarifas podem ser reinstaladas por outros mecanismos legais, como as tarifas globais de 10%, que devem continuar afetando as operações das empresas.
- Embraer (EMBJ3): impacto levemente positivo. A empresa deve se beneficiar da remoção da tarifa recíproca de 10% sobre aeronaves. Contudo, a nova tarifa global de 10% anunciada por Trump substituiria a tarifa atual por outra equivalente, sem efeito líquido. Ainda assim, a Seção 122 só autoriza tarifas por até 150 dias, o que pode gerar alívio já em julho, se a medida expirar sem renovação. Isso deve apoiar o momentum de margem no segmento de Aviação Executiva. Excluindo impactos tarifários no 2S26, o Safra estima margem EBIT de 13% para o segmento em 2026 (vs. 10,6% sob a estrutura anterior), resultando em margem EBIT consolidada de 9,6% (vs. 8,9% com tarifas).
- WEG (WEGE3): a remoção da tarifa recíproca de 50% deve melhorar a competitividade, permitindo retomar exportações diretas do Brasil para os EUA, em vez de roteá‑las pelo México — que deve operar com margens menores. No entanto, as tarifas da Seção 232 sobre aço e alumínio continuam sendo um fator negativo, embora o impacto seja simétrico entre concorrentes.
- Frasle (FRAS3): a empresa também deve se beneficiar da remoção das tarifas recíprocas, pois suas exportações do Brasil para os EUA eram diretamente afetadas. Ainda assim, as tarifas da Seção 232 sobre autopeças permanecem e continuarão pressionando os embarques aos EUA.
- Randoncorp (RAPT4): benefício de segunda ordem. A atual estrutura tarifária tinha impacto significativo na demanda por caminhões e reboques nos EUA. Sua remoção pode sustentar uma recuperação mais forte do setor a partir de 2026.
- Iochpe‑Maxion (MYPK3): impacto neutro. A empresa era afetada apenas pelas medidas da Seção 232, que não foram alteradas.
Leia também