Taxa de juros fica em 15% ao ano e só cai depois do Carnaval
Copom deve manter os juros em 15% no na reunião desta superquarta, e início do afrouxamento monetário fica para março; Nos EUA, Federal Reserve também deve manter os juros
26/01/2026 Atualizado em 28/01/2026 3 minutosTendência de desinflação deve continuar nos próximos trimestres, e o IPCA deve ficar em 3,7% em 2026, segundo o Banco Safra
A primeira superquarta-feira de 2026 – data em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA tomam decisões sobre a política monetária – não deverá ter mudança nas taxas de juros. O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) deverá manter a taxa básica (Selic) nos atuais 15% ao ano.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tem motivos para manter a taxa básica de juros no atual patamar entre 3,50% e 3,75% por algum tempo, sem novos cortes nas próximas reuniões, segundo os especialistas do Banco Safra.
No Brasil, a expectativa é a de que os juros podem cair meio ponto porcentual em março, para 14,5% ao ano, nível ainda considerado alto para uma inflação que indica anta anualizada entre 3,5% ou 3,7%. A próxima reunião do Copom será nos dias 17 e 18 de março.
Superquarta: rumos dos juros no Brasil e nos EUA
Eduardo Yuki, economista-chefe do Banco Safra, explica que a visão consensual do mercado é que os juros nos Estados Unidos devem ser mantidos no atual patamar entre 3,5% e 3,75%. A diretoria do Federal Reserve já vem sinalizando nessa direção, assim como o comunicado oficial do Fed na última reunião.
Os dados da economia norte-americana também sinalizam nessa direção: a inflação está um pouco acima da meta, em 2,6% (a meta é 2%) e o PIB do terceiro rimestre mostrou um crescimento bom, o que indica a manutenção dos juros no atual patamar pelos próximos meses.
Na China, o mercado imobiliário continua em desaceleração, com queda dos preços dos imóveis novos e usados e retração do nível de investimentos. Isso tem reflexos sobre o sentimento do consumidor, fato evidenciado pela poupança das famílias chinesas, que voltou a crescer nos últimos dois trimestres. As vendas do varejo no país estão estabilizadas há vários meses.
O consumo de bens está estável e a produção industrial continua subindo, graças às exportações que continuam fortes.
Exportações da China seguram a inflação global
“A China exporta produtos com qualidade e tecnologia a preços muito competitivos, o que permite atingir novos mercados. E quando a China faz isso, ela ajuda a conter os preços dos produtos industrializados na economia global e também no Brasil, o que ajuda a segurar a inflação”, explica Eduardo Yuki.
Segundo ele, o nível de atividade da economia brasileira continua arrefecendo. O PIB do terceiro trimestre de 2025 mostrou crescimento de apenas 0,1%. A projeção do Safra para o 4T25 é de 0,16%. O resultado deve mostrar um crescimento anualizado modesto, de 0,5%, no segundo semestre do ano passado.
Esse crescimento modesto leva a uma queda na confiança do empresariado, o que tende a reduzir o ritmo de contratações.
“Temos uma economia em desaceleração, com baixa confiança dos empresários e arrefecimento do mercado de trabalho, o que ajuda no processo de redução da inflação”, afirma Yuki.
A valorização do real fente ao dólar e a contenção dos preços das commodities no mercado internacional também são fatores que levaram à queda dos preços no atacado: o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) caiu mais de 3% em 2025. Isso ajuda na recomposição e custos das empresas, o que leva a um ritmo mais moderado dos preços.
Inflação tende a continuar em queda
Segundo as projeções do Banco Safra, o processo de desinflação deve continuar nos próximos trimestres, e a inflação oficial medida pelo IPCA deve ficar em 3,7% em 2026 (o consenso do mercado indica porcentual maior, de 4%).
“Deve haver surpresas baixistas na inflação ao longo do ano, e especialmente nos próximos três meses, o que reduz as expetativas do mercado e ajuda o Banco Central a iniciar o corte de juros”, acrescenta Yuki.
Para o final de 2026, o Safra mantém a projeção de juros básicos de 11,5% ao ano, o que o banco ainda considera um índice alto para a inflação projetada, ou seja, acima do ponto de equilíbrio.
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