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Copom deve elevar hoje a taxa de juros a 14,75%, a mais alta desde 2006

A expectativa do mercado é de que a taxa básica de juros (Selic) suba mais meio ponto hoje, na última alta do atual ciclo de aperto monetário

5 minutos
Galipolo

No J. Safra Macro Day, na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou que o ciclo de aperto ainda não acabou, indicando nova alta hoje | Foto: Getty Images

O mercado financeiro espera definições sobre a política de juros nesta superquarta-feira, com anúncios do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) e do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Movimentos de proteção cambial por parte de investidores globais fizeram o dólar subir perante o real e moedas da Colômbia e da Ásia.

A indefinição da guerra comercial entre Estados Unidos e China também provocou instabilidade no mercado financeiro. Nesta terça, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bassent, afirmou que os Estados Unidos negociam com 17 países, mas resultados concretos das conversas ainda não foram divulgados.

Na véspera das decisões dos dois bancos centrais, o mercado financeiro teve um dia turbulento. O dólar ultrapassou os R$ 5,70, e a bolsa fechou estável após desacelerar ao longo do dia. O dólar comercial encerrou esta terça-feira vendido a R$ 5,71, com alta de R$ 0,021 (+0,37%). A cotação chegou a subir para R$ 5,73 pouco antes das 11h, mas reduziu a alta ao longo da tarde.

Após recuar por oito pregões seguidos no fim de abril, a moeda norte-americana acumula alta de 0,6% em maio. Em 2025, a divisa cai 7,6%. O mercado de ações teve um dia volátil. Após alternar altas e baixas, o índice Ibovespa, da B3, fechou aos 133.516 pontos, com alta de apenas 0,02%.

A bolsa brasileira descolou-se das bolsas norte-americanas, que caíram nesta terça. Uma explicação está no fato de que a cotação do petróleo subiu 3,17% no mercado internacional, com a expectativa de maior demanda na Europa e na China. Isso fez as ações da Petrobras, com maior peso do Ibovespa, recuperarem-se da queda de ontem.

Um dia após atingirem o menor valor desde agosto de 2023, os papéis ordinários (com voto em assembleia de acionistas) da Petrobras subiram 1,57%, para R$ 32,27. As ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) subiram 1,65%, para R$ 30,15.

Instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) esperam que a taxa básica de juros, a Selic, seja elevada em meio ponto porcentual, para 14,75% ao ano, nível mais alto desde 2006. A expectativa do mercado é que esta seja a última alta da Selic este ano.

O Banco Safra projeta alta de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros e também espera que esta seja a última elevação do atual ciclo de aperto monetário. Para os juros nos Estados Unidos, o Safra espera a manutenção dos juros pela quarta reunião seguida do Federal Reserve, no atual patamar de 4,25% a 4,50% ao ano.

A estimativa do mercado financeiro para os juros no Brasil está no Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo BC com as estimativas dos principais indicadores econômicos. Em sua última reunião, em março, o Copom elevou a taxa pela quinta vez consecutiva, em um ponto porcentual, para 14,25% ao ano, e antecipou que em maio a decisão será por “um ajuste de menor magnitude”.

A alta a ser confirmada hoje consolida um ciclo de contração na política monetária. Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e três de 1 ponto percentual. Agora, a expectativa é que ela suba 0,5 ponto.

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Mercado espera alta de mais meio ponto porcentual na Selic nesta superquarta

Para o mercado financeiro, a Selic deve encerrar 2025 em 14,75% ao ano. Para o fim de 2026, a estimativa é de que a taxa básica caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente, para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

A taxa básica é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação na expansão. Segundo o BC, a inflação cheia e os núcleos – medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia – continuam em alta.

O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços permaneça alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo. Na reunião de março, Copom informou que elevará a taxa Selic “em menor magnitude” na reunião desta semana, mas não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.

Inflação

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Na edição da pesquisa Focus desta semana, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,55% para 5,53% este ano. Para 2026, a projeção da inflação foi mantida em 4,51%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em março, a inflação fechou em 0,56%, pressionada principalmente pelos preços dos alimentos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar dessa pressão, o IPCA perdeu força em relação a fevereiro, quando marcou 1,31%. No acumulado em 12 meses, a inflação soma 5,48%.

Ao participar do J.Safra Macro Day, na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou a preocupação do Banco Central com as expectativas de inflação acima da meta. Segundo ele, o nível de incerteza cresceu em abril, e passou a exigir maior cautela por parte da autoridade monetária.

“As expectativas continuam desancoradas, e além das incertezas internacionais temos também a defasagem dos efeitos da política monetária e a necessidade de maior flexibilidade e cautela”, diante do aumento da incerteza, são pontos que seguem em vigor”, afirmou Galípolo.

No evento do J. Safra, Galípolo buscou apagar a impressão de participantes do mercado financeiro de que o ciclo de alta de juros estaria próximo do fim e, mais do que isso, que já pudesse estar caminhando para um afrouxamento monetário. Segundo ele, o Comitê de Política Monetária está “tateando” para entender se o nível de juros para o qual “estamos caminhando” é suficiente para colocar a inflação na meta. Ele reforçou as ações no gerúndio.

PIB e câmbio

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permanece em 2%. Para 2026, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) também ficou em 1,7%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,86 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,91. (Com informações da Agência Brasil)

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