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Supercomputador de IA brasileiro recebe investimento de R$ 1 bi

Equipamento terá capacidade estimada de 7.200 petaflops, será operado pelo LNCC e deverá ampliar a infraestrutura brasileira para pesquisa, inovação e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial

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Equipamento terá capacidade estimada de 7.200 petaflops, será operado pelo LNCC e deverá ampliar a infraestrutura brasileira para pesquisa, inovação e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial | Foto: Getty Images

O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, foi escolhido para sediar o novo supercomputador de inteligência artificial que será adquirido pelo governo federal.

O investimento será de pouco mais de R$ 1 bilhão, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o edital de concorrência para a compra do equipamento será publicado no Diário Oficial da União (DOU).

A infraestrutura deverá atingir 7.200 petaflops, unidade utilizada para medir a capacidade de processamento de supercomputadores. Um petaflop corresponde a 1 quatrilhão de operações matemáticas por segundo. Na prática, a nova máquina poderá executar, em teoria, até 7,2 quintilhões de operações de ponto flutuante por segundo.

O equipamento será executado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que ficará responsável pela operação da infraestrutura e pela disponibilização de sua capacidade computacional.

Capacidade será compartilhada com empresas e universidades

O acesso ao supercomputador deverá ser destinado a empresas, universidades, instituições científicas e órgãos públicos. Entre as aplicações previstas estão:

  • treinamento de modelos de inteligência artificial;
  • pesquisa científica e tecnológica;
  • desenvolvimento de softwares e serviços;
  • criação de novos produtos e negócios;
  • processamento de grandes volumes de dados;
  • desenvolvimento de modelos de linguagem em português.

A expectativa do governo é ampliar a capacidade computacional disponível no país e criar condições para acelerar projetos de inovação em setores estratégicos da economia.

Equipamento será muito superior ao Santos Dumont

A capacidade prevista para o novo supercomputador é significativamente superior à do Santos Dumont, atualmente instalado no Rio de Janeiro e considerado o equipamento mais potente do país, com desempenho de 27 petaflops.

Se os números previstos forem confirmados, o novo sistema terá capacidade teórica aproximadamente 266 vezes maior que a do Santos Dumont. O governo afirma ainda que a máquina deverá figurar entre os dez supercomputadores mais potentes do mundo.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que a iniciativa busca reduzir a dependência brasileira de estruturas computacionais localizadas no exterior.

“Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui”, afirmou a ministra.

A declaração evidencia um dos principais objetivos estratégicos do projeto: ampliar a soberania digital brasileira e reduzir a exposição do país à infraestrutura de grandes provedores estrangeiros de computação em nuvem e serviços de inteligência artificial.

Contrapartidas incluem tecnologia e formação profissional

O edital deverá prever contrapartidas relacionadas à:

  • transferência de tecnologia;
  • capacitação profissional;
  • pesquisa e desenvolvimento;
  • produção e conteúdo local;
  • participação de fornecedores brasileiros.

A previsão do MCTI é capacitar 5 mil brasileiros ao longo de cinco anos, com foco em competências associadas à computação de alto desempenho, inteligência artificial e desenvolvimento de sistemas.

A medida integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que reúne iniciativas voltadas à expansão da infraestrutura tecnológica, à formação de profissionais, à transferência de conhecimento e ao fortalecimento da governança e da soberania digital.

Escolha do Nordeste considera energia renovável

A escolha do Rio Grande do Norte foi justificada pelo governo federal como parte de uma política de redução das desigualdades regionais na área de tecnologia.

O Estado também foi considerado estratégico pela disponibilidade de energia renovável. O Rio Grande do Norte é líder nacional na produção de energia eólica, um fator relevante para a operação de instalações de computação de alto desempenho, que demandam grande volume de eletricidade e sistemas robustos de refrigeração.

A localização no Nordeste poderá, segundo a proposta, estimular a formação de um novo polo de pesquisa, inovação e negócios relacionados à inteligência artificial na região.

Governo prepara chips de arquitetura aberta

Além do supercomputador, o governo anunciou uma frente de desenvolvimento de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V. A iniciativa pretende reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias utilizadas na fabricação de processadores.

O projeto será conduzido pelo Instituto Eldorado, de Campinas (SP), em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha. A proposta envolve uma parceria internacional com cerca de 70 países e tem horizonte estimado de desenvolvimento de 10 a 15 anos.

A arquitetura RISC-V permite maior flexibilidade para pesquisa, adaptação e desenvolvimento de processadores. Para o Brasil, o domínio dessa tecnologia é considerado estratégico para a computação de alto desempenho, a inteligência artificial e outros segmentos críticos da economia digital.

Parceria com empresas chinesas prevê transferência tecnológica

Outra cooperação anunciada envolverá uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro. O projeto será articulado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as empresas chinesas Huawei e Iflytek.

A iniciativa prevê:

  • ampliação da capacidade de processamento;
  • transferência de tecnologia;
  • parcerias de pesquisa e desenvolvimento;
  • formação de profissionais;
  • criação de uma pilha de software soberana.

Também está previsto o desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande escala, conhecido pela sigla LLM, além de modelos de inteligência artificial treinados em português.

Modelo de linguagem nacional deve começar a operar em 2027

Segundo o MCTI, os modelos nacionais deverão ser mais adequados ao idioma português, aos dados disponíveis no país e às necessidades específicas de empresas, órgãos públicos e instituições brasileiras.

O investimento público estimado nessa frente é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos. O início das operações está previsto para julho de 2027.

A construção de modelos próprios poderá reduzir a dependência de soluções desenvolvidas por empresas estrangeiras e ampliar o controle brasileiro sobre dados, infraestrutura e aplicações de inteligência artificial.

Brasil participa de iniciativa internacional de governança em IA

Em julho, o governo brasileiro assinou o documento de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), com sede em Xangai, na China.

A organização pretende desenvolver uma estrutura de governança global para a inteligência artificial com base em modelos de código aberto. Esse tipo de tecnologia permite que empresas e organizações tenham acesso ao código e possam adaptar as soluções às suas próprias necessidades, respeitadas as condições de licenciamento.

A participação brasileira está alinhada à estratégia de ampliar a cooperação internacional e fortalecer a presença do país nas discussões sobre governança, soberania tecnológica e uso responsável da IA.

Acordo prevê criação de ‘nuvem brasileira’

O evento no Rio Grande do Norte também marcou a assinatura de um acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A parceria deverá estruturar um projeto para criar uma alternativa brasileira de armazenamento e processamento de dados e sistemas.

A proposta, descrita como uma “nuvem brasileira”, busca reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros na guarda e no processamento de informações computacionais. Para o setor público, a iniciativa também poderá reforçar o controle sobre dados estratégicos e ampliar a capacidade de contratação de serviços nacionais de tecnologia.

Infraestrutura pode alterar o ambiente de inovação

O conjunto de iniciativas anunciado pelo governo combina investimentos em supercomputação, chips, modelos de linguagem, nuvem e formação profissional.

Para o mercado, o principal efeito potencial é a criação de uma infraestrutura pública capaz de reduzir barreiras de entrada para empresas e centros de pesquisa que não têm recursos para contratar processamento em escala internacional.

O resultado, contudo, dependerá de fatores como execução orçamentária, cronograma de aquisição, eficiência energética, governança de acesso e capacidade de transformar infraestrutura tecnológica em produtos, serviços e ganhos de produtividade. (Com informações da Agência Brasil)

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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