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Small caps ganham espaço na diversificação com tendência de queda de juros

Carteira sugerida da Safra Corretora para abril e maio de 2026 reforça a aposta em empresas de menor capitalização, com foco em crescimento, valuation ainda descontado e maior sensibilidade ao ciclo doméstico de juros

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Small Caps Safra

Carteira de small caps da Safra reúne empresas expostas à economia doméstica e a setores que tendem a responder de forma mais intensa a um ambiente de juros mais baixos no Brasil | Foto: Getty Images

Em um ambiente de inflexão da política monetária no Brasil, as ações de empresas de menor capitalização voltam a ocupar posição de destaque nas estratégias de diversificação. Mais sensíveis ao ciclo doméstico, as small caps tendem a responder de maneira mais intensa à perspectiva de queda dos juros, especialmente quando combinam crescimento operacional, valuation descontado e exposição a setores ligados à atividade interna

É nesse contexto que a Safra Corretora apresentou sua carteira sugerida de Small Caps para abril e maio de 2026, com um portfólio formado por companhias nacionais com valor de mercado de até R$ 15 bilhões e objetivo de superar o Índice Small Caps da B3 (SMLL).

A seleção é voltada a um investidor de perfil mais dinâmico e arrojado, com horizonte de valorização de longo prazo e disposição para capturar oportunidades fora do universo das grandes empresas listadas.

A estratégia também parte de um diagnóstico conhecido no mercado: em fases de afrouxamento monetário, ativos mais ligados ao crescimento doméstico costumam ganhar tração.

Isso ocorre porque juros menores tendem a reduzir o custo de capital, favorecer a expansão do crédito, estimular consumo e investimento e, em muitos casos, abrir espaço para uma reprecificação de ações que vinham negociando a múltiplos deprimidos.

Por que small caps podem ser uma boa opção no atual ciclo de juros

A tese para small caps em um ciclo de corte da Selic se apoia em três vetores principais.

  1. Maior sensibilidade à economia brasileira
    Ao contrário de companhias exportadoras ou muito dependentes de variáveis externas, parte relevante das small caps tem receitas diretamente atreladas ao mercado doméstico. Isso faz com que o desempenho operacional dessas empresas seja mais influenciado pela trajetória de crédito, renda, consumo, investimento e confiança.

Na carteira da Safra, essa característica aparece de forma clara em nomes como Direcional e Tenda, em construção civil; C&A e Smart Fit, em consumo e serviços; Allos, em shoppings; e Panvel, em varejo farmacêutico. Em um cenário de custo de financiamento mais baixo e atividade mais resiliente, esse grupo tende a se beneficiar de maneira mais rápida.

  1. Reprecificação de valuation
    Juros mais altos elevam a taxa de desconto usada para avaliar empresas e penalizam, sobretudo, companhias de crescimento. Quando esse movimento começa a se inverter, há espaço para revisão de preços, em especial entre papéis que negociam com desconto frente ao histórico ou aos pares setoriais.

A carteira traz vários exemplos dessa assimetria. A Smart Fit aparece com potencial de valorização de 77,9%, enquanto Panvel exibe upside de 50,8%, Direcional, de 47,5%, e 3 Tentos, de 42,9%. Mesmo em casos mais defensivos, a lógica é semelhante: o investidor pode encontrar empresas com fundamentos sólidos ainda negociadas a múltiplos considerados atrativos pela equipe de Research.

  1. Diversificação além das blue chips
    Para o investidor que já concentra exposição em ações mais líquidas e consolidadas, small caps funcionam como um eixo adicional de diversificação. Elas ampliam o acesso a nichos específicos da economia, a empresas em estágio mais acelerado de expansão e a teses menos óbvias dentro da Bolsa brasileira.

Na prática, isso significa combinar nomes de perfis distintos: crescimento, recuperação operacional, resiliência de caixa e geração de dividendos. A carteira da Safra distribui suas posições entre construção civil (20%), consumo/varejo (20%), utilidades básicas (10%), farmácia (10%), bens de capital (10%), shoppings (10%), saúde (10%) e agro (10%).

O que mudou na carteira Safra Small Caps para abril e maio

Para o novo período, a principal alteração foi a saída de Auren (AURE3) e a entrada de 3 Tentos (TTEN3). Segundo a Safra Corretora, a exclusão ocorreu após realização de lucro de 29,3% desde a inclusão do papel em 20 de março.

A entrada de 3 Tentos reforça a busca por diversificação setorial com uma tese apoiada em modelo de negócios integrado e menos dependente do comportamento pontual dos preços de commodities.

A companhia atua em insumos agrícolas, comercialização de grãos, biocombustíveis e nutrição animal, combinação que, na visão da casa, ajuda a diluir riscos e sustentar crescimento com maior previsibilidade.

Desempenho reforça a proposta de geração de alfa

O histórico recente da carteira ajuda a explicar o apelo da estratégia. No recorte de março a abril, o portfólio avançou 14,62%, acima dos 11,86% do SMLL. No acumulado do ano, a alta é de 18,72%, contra 11,67% do índice. Em 12 meses, a carteira sobe 40,50%, também à frente dos 26,71% do benchmark.

Desde o início da estratégia, em outubro de 2022, o retorno acumulado é de 117,51%, enquanto o SMLL registra 22,00%. Outro dado relevante é a consistência relativa: a carteira superou o índice em 30 de 42 meses, o equivalente a 71% das janelas observadas.

Esse retrospecto não elimina riscos — nem garante repetição futura de performance —, mas sugere capacidade de seleção ativa em um segmento da Bolsa em que a dispersão entre vencedores e perdedores costuma ser maior.

As teses que sustentam a carteira

A seleção da Safra combina papéis de perfil cíclico com nomes mais defensivos, o que ajuda a suavizar a volatilidade típica do universo de small caps.

Crescimento doméstico e recuperação operacional

Em construção civil, Direcional e Tenda representam a aposta em empresas que podem capturar melhora do ambiente para habitação, com crescimento de resultados e múltiplos ainda considerados descontados. Em consumo, C&A e Smart Fit refletem teses de ganho de eficiência, expansão e eventual re-rating em um cenário de maior tração da economia.

Resiliência e dividendos

No bloco mais defensivo, Odontoprev, Allos e Alupar oferecem características como previsibilidade de receita, disciplina financeira e potencial de distribuição de proventos. Isso contribui para equilibrar a carteira em momentos de maior incerteza.

Exposição setorial diversificada

A presença de Marcopolo, em bens de capital, responde à tese de renovação da frota de ônibus e à diversificação geográfica da companhia. Já Panvel amplia a exposição ao varejo farmacêutico, enquanto 3 Tentos adiciona uma via de acesso ao agronegócio por meio de uma empresa com operação integrada.

Oportunidade existe, mas risco segue elevado

Embora o pano de fundo seja mais favorável, small caps continuam a exigir seletividade e tolerância à volatilidade. Em geral, são empresas com menor liquidez, cobertura mais restrita e maior sensibilidade a frustrações operacionais ou mudanças no ambiente macroeconômico.

Por isso, a diversificação dentro do próprio segmento e a análise fundamentalista ganham peso. A proposta da Safra, ao distribuir igualmente 10% por ativo e combinar setores distintos, tenta justamente reduzir a concentração de risco em uma única tese.

Para quem essa estratégia faz sentido

A carteira sugerida de small caps faz mais sentido para investidores que:

  • já possuem uma base de alocação diversificada;
  • aceitam oscilações mais intensas no curto prazo;
  • buscam capturar crescimento e reprecificação no médio e longo prazo;
  • querem complementar a exposição a grandes empresas com nomes mais ligados ao ciclo doméstico.

Em um mercado ainda marcado por incertezas, mas com o debate sobre juros em mudança de direção, as small caps voltam a reunir atributos que historicamente chamam atenção: maior alavancagem operacional ao ciclo brasileiro, espaço para expansão de múltiplos e potencial de geração de alfa por meio de seleção ativa.

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