Ações de siderúrgicas podem se valorizar com medidas antidumping
Especialistas do Banco Safra avaliam o impacto de mudanças nas tarifas de importação e medidas antidumping nas estimativas para Gerdau, Usiminas e CSN
17/07/2025 3 minutos
Usiminas seria a mais beneficiada, seguida por CSN e Gerdau, com impactos positivos menores | Foto: Getty Images
Em 2025, o Brasil intensificou sua estratégia de proteção comercial ao implementar aumentos de tarifas de importação e renovações de medidas antidumping em diversos setores. O centro dessa iniciativa foi a Resolução Gecex nº 740/2025, que impôs tarifas temporárias de 25% sobre 64 NCMs (Nomeclatura Comum do Mercosul), incluindo aço, para importações que excedam uma cota específica.
Além disso, alguns produtos antes isentos voltaram a ter alíquotas cheias do TEC (Tarifa Externa Comum). Na frente defensiva, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) renovou ou impôs medidas antidumping sobre aço inoxidável, PVC, pneus e produtos químicos.
Investigações em andamento sobre produtos siderúrgicos — principalmente com foco na China e na Rússia — devem ter decisão final sobre aço laminado a frio e revestido em outubro.
Quanto às mudanças nas tarifas aplicadas a vergalhões, fio-máquina e vigas, uma decisão para elevá-las de 10,8% para 25% pode ser anunciada no final de julho, durante a próxima reunião do Gecex, possivelmente acompanhada de uma cota de importação.
Os analistas do Safra manifestam preocupações quanto à avaliação de interesse público — especialmente o impacto inflacionário —, que pode ser usada para barrar ou adiar medidas de proteção, mas, se o desfecho for favorável, há potencial significativo de valorização para as siderúrgicas sob nossa cobertura.
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Novas medidas antidumping estão no cenário
Novas tarifas ou medidas antidumping sobre aço não estão no cenário-base dos analistas do Banco Safra, já que o governo brasileiro pode priorizar o controle da inflação e a preservação das relações com a China.
Os especialistas do Safra avaliam o impacto de mudanças nas tarifas de importação e medidas antidumping nas estimativas para Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3).
A partir do primeiro trimestre de 2026, os analistas consideram um dumping de US$100/t (~20% do dumping discutido nos estudos) sobre produtos siderúrgicos expostos a antidumpings em análise e uma tarifa de importação de 25% sobre produtos longos onde o aumento é viável.
Os analistas também consideram uma paridade de importação de 7,5% para aços planos e de 0% para aços longos. Os preços de referência foram baseados no mercado spot. Além disso, as análises utilizam uma taxa de câmbio de R$5,70/USD nos cálculos, mais forte que os ~R$5,90/USD dos modelos anteriores.
A Usiminas seria a mais beneficiada, com base na melhora projetada de EBITDA, yield de FCF e múltiplo EV/EBITDA, seguida por CSN e Gerdau, com impactos positivos menores, mas ainda relevantes.
O Banco Safra mantém a preferência relativa por Gerdau, com base na proximidade desse catalisador, embora as medidas antidumping tenham impacto mais significativo sobre Usiminas e CSN.
Resolução de curto prazo para medidas restritivas para aços planos é improvável
Produtos de aço laminado a frio, revestido e a quente estão sob investigação de defesa comercial no Brasil. Para os dois primeiros, o governo brasileiro emitiu determinações preliminares que confirmam práticas de dumping por parte da China, com nexo causal com os danos sofridos pela indústria doméstica.
No entanto, nenhuma tarifa foi imposta na decisão preliminar. As margens de medidas antidumping utilizadas nas investigações são de ~80% para laminados a frio e 36% para aços planos revestidos, ou US$500–600/t, usando os preços dos EUA como referência.
Dado que os preços nos EUA são significativamente mais altos que no Brasil, essa escolha pode inflar artificialmente as margens calculadas e gerar preocupações inflacionárias caso as medidas AD avancem, o que pode barrar a iniciativa.
Usiminas, CSN e Gerdau têm exposição a esses produtos, representando aproximadamente 82%, 80% e 10% de seus volumes domésticos, respectivamente. As investigações sobre produtos laminados a frio devem ser concluídas até 6 de outubro de 2025, e sobre produtos revestidos até 20 de outubro de 2025, ambas dentro do prazo legal máximo de 18 meses desde o início da investigação.
HRC e fio-máquina ainda estão em fases preliminares, mas uma conclusão pode vir em 2026. Mas tarifas sobre aços longos podem mudar em breve, segundo a análise do Safra. Quatro categorias de produtos longos (vergalhão, fio-máquina, viga I e viga H) foram incluídas na pauta do Gecex após solicitação do IABr para elevar as tarifas gerais de importação de 10,8% para 25%.
A Camex optou por não emitir decisão durante a 226ª reunião do Gecex. Em vez disso, os itens permanecem na pauta para discussão na próxima sessão.
O Safra espera que a próxima reunião do Gecex ocorra por volta de 24 de julho de 2025. Quanto aos antidumpings sobre aços longos, produtos de fiomáquina da China e da Rússia estão sob investigação de defesa comercial no Brasil.
Usando a Índia como referência, as autoridades identificaram margens de dumping entre 88,7% e 106,5%, inconsistentes com os preços do aço no Brasil.
A investigação foi iniciada em 16 de junho de 2025. Portanto, uma decisão final deve levar cerca de 1,5 ano para ser tomada. Gerdau e CSN têm esses produtos em seu mix de vendas, representando aproximadamente 60% e 9% de seus volumes domésticos, respectivamente.
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