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Serviços perdem ritmo: o que isso sinaliza para investidores

Dados da Pesquisa mensal de Serviços superaram levemente as projeções, mas indicam desaceleração gradual da atividade, com fraqueza no consumo e desempenho desigual entre os segmentos

3 minutos

Setor de serviços teve estabilidade em junho, enquanto informação e comunicação avançou e os serviços prestados às famílias recuaram, segundo análise do Banco Safra | Foto: Getty Images

O volume total do setor de serviços ficou estável em junho, na comparação com maio, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado veio após alta de 1,2% em abril e queda de 0,2% em maio, de acordo com análise do Banco Safra baseada nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

O desempenho ficou ligeiramente acima das expectativas. A projeção do Banco Safra apontava recuo de 0,3% na margem, enquanto o consenso de mercado estimava queda de 0,2%. Na comparação com junho de 2025, o setor registrou crescimento de 2,0%, também acima da estimativa do banco, de 1,4%.

Embora o número agregado tenha surpreendido positivamente, a composição do resultado reforça a percepção de perda gradual de dinamismo da economia brasileira.

Informação e comunicação sustenta o resultado

O principal destaque positivo foi o segmento de informação e comunicação, que avançou 1,8% em junho ante maio. Com peso de 23,5% no índice, o setor acumula alta de 9,4% em 12 meses e permanece como um dos principais vetores de sustentação da atividade de serviços.

O resultado reflete a resiliência de segmentos ligados à tecnologia, telecomunicações, informação e serviços empresariais especializados. Na avaliação do Safra, esse desempenho tem ajudado a compensar a fraqueza observada em atividades mais sensíveis ao ciclo econômico e ao mercado de trabalho.

Serviços profissionais têm queda acima do esperado

Os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,4% na margem em junho. O resultado ficou significativamente abaixo da projeção de estabilidade feita pelo Banco Safra e representou uma das principais surpresas negativas do mês.

Na comparação anual, contudo, o segmento ainda apresentou expansão de 2,8%. A leitura sugere que a perda de tração ocorreu em um contexto de desaceleração da atividade, mas não necessariamente configura uma reversão estrutural do setor.

Consumo perde força com condições financeiras apertadas

Os serviços prestados às famílias, que representam 8,2% do índice, recuaram 1,2% em junho. A queda foi mais intensa do que a estimada pelo Banco Safra, de 0,8%, e interrompeu a sequência de altas observada nos meses anteriores.

O movimento é compatível com uma perda de dinamismo do consumo, em um cenário marcado por condições financeiras ainda restritivas. Segundo a análise, o arrefecimento do impulso fiscal observado no início do ano e a moderação recente do crescimento da renda também podem estar contribuindo para a desaceleração.

Apesar da queda mensal, o segmento ainda acumulou alta de 1,7% em 12 meses.

Transportes e outros serviços permanecem pressionados

O segmento de transportes, serviços auxiliares e correio apresentou queda de 0,1% em junho, após recuo de 0,9% em maio. Em 12 meses, a retração foi de 2,6%, o pior desempenho entre os principais segmentos analisados, ao lado de outros serviços.

A categoria de outros serviços recuou 2,2% na margem e acumulou queda de 2,5% em 12 meses. A combinação de resultados negativos nesses grupos reforça a avaliação de que a fraqueza não está restrita ao consumo das famílias, mas alcança também atividades ligadas à demanda empresarial e à circulação de bens e serviços.

Leitura para o PIB e para a política monetária

Na avaliação do Banco Safra, os dados do setor de serviços adicionam evidências à percepção de perda de ritmo da atividade econômica. Ainda assim, o resultado é compatível com uma leve expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre.

A heterogeneidade entre os segmentos é o principal elemento da leitura. Enquanto informação e comunicação mantém trajetória robusta, atividades mais expostas ao ciclo econômico, à renda e ao mercado de trabalho mostram sinais de enfraquecimento.

Expansão moderada no segundo semestre

O Safra projeta uma trajetória de expansão moderada para os serviços, condicionada principalmente a dois fatores: o efeito defasado da política monetária sobre a demanda interna e a evolução do rendimento real das famílias.

A perspectiva sugere um cenário de desaceleração gradual, e não de contração disseminada. O desempenho dos segmentos ligados à tecnologia e à comunicação pode continuar oferecendo suporte ao agregado, mas a fraqueza do consumo e dos serviços empresariais tende a limitar o ritmo de crescimento.

Para os mercados, a composição do dado é relevante. Um setor de serviços menos dinâmico pode reduzir pressões de demanda na economia, enquanto a persistência do crescimento em atividades específicas indica que a desaceleração deve ocorrer de forma desigual.

Indicadores do setor de serviços

SegmentoPeso no índiceVariação mensal em junhoVariação em 12 meses
Serviços totais100,0%0,0%2,0%
Prestados às famílias8,2%-1,2%1,7%
Informação e comunicação23,5%1,8%9,4%
Profissionais, administrativos e complementares21,7%-1,4%2,8%
Transportes, serviços auxiliares e correio36,4%-0,1%-2,6%
Outros serviços10,2%-2,2%-2,5%

Fonte: IBGE e Banco Safra. Variações mensais calculadas sobre a série com ajuste sazonal.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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