Serviços estáveis reforçam cenário de desaceleração do PIB e dos juros
Pesquisa Mensal de Serviços mostra acomodação do setor, com queda em informação e comunicação. Safra projeta inflação menor e continuidade dos cortes da Selic até 2027
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Estabilidade do setor de serviços em julho reforça a expectativa de crescimento mais moderado da economia brasileira no terceiro trimestre de 2026 | Foto: Getty images
O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho, com variação de 0,0% na comparação mensal, considerando a série com ajuste sazonal da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou abaixo da projeção do Safra, que previa alta de 0,3%, e também do consenso de mercado, de avanço de 0,2%. A leitura reforça a avaliação de que o setor entrou em uma fase de baixo crescimento, marcada por desempenhos distintos entre os segmentos.
A estabilidade em julho sucede meses de acomodação e consolida uma trajetória de expansão contida do indicador agregado. Para os economistas do Safra, o dado também é consistente com uma desaceleração gradual da atividade econômica.

Serviços às famílias e transportes avançam
Os serviços prestados às famílias cresceram 0,5% em julho, acima da estimativa de 0,1% do Safra. O resultado sugere uma recomposição parcial do consumo de serviços, após indicadores mais fracos nos meses anteriores.
O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio avançou 0,4% no mês. A alta refletiu, sobretudo, a recuperação parcial do transporte aéreo, favorecida pela redução de preços no período.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares registraram crescimento de 0,6%. Embora o ritmo tenha ficado abaixo da expectativa de 1,4%, o segmento preserva uma trajetória positiva. Outros serviços, por sua vez, subiram 0,7%, em contraste com a projeção de queda de 0,5%, mas seguem com comportamento mais volátil.
Informação e comunicação puxam surpresa negativa
A principal surpresa baixista veio do segmento de informação e comunicação, que recuou 2,5% em julho. O Safra projetava queda de 0,2%.
Com isso, o crescimento anual do segmento desacelerou para 4,6%, abaixo da previsão de 7,5%. O movimento representa, em parte, uma correção após a sequência recente de resultados robustos.
Ainda assim, o Safra avalia que informação e comunicação deve permanecer entre os destaques positivos do setor nos próximos meses, apoiado pelo maior apetite por investimentos nessa área.
Atividade deve perder força no terceiro trimestre
A composição da PMS reforça o cenário de acomodação do consumo das famílias e da demanda doméstica. O impacto defasado dos juros elevados sobre o crédito, somado à evolução da renda real, tende a limitar a expansão dos serviços.
Nesse contexto, o Safra projeta alta de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior. O crescimento deve permanecer positivo, porém em ritmo inferior ao observado em períodos anteriores.
A perspectiva é de continuidade da expansão heterogênea no setor, com segmentos ligados ao consumo e ao crédito mais sensíveis à política monetária.
Inflação deve desacelerar em 2027
A atividade mais moderada deve contribuir para o processo de desinflação. O Safra projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recue de 4,8% em 2026 para 3,9% em 2027.
O cenário considera pressões em sentidos opostos. De um lado, o arrefecimento da economia tende a reduzir a inflação. De outro, eventos climáticos podem trazer riscos para os preços, especialmente em itens mais sensíveis à oferta.
A inflação de serviços deve desacelerar de 5,6% em 2026 para 5,3% em 2027. Já o núcleo de serviços subjacentes, que exclui itens mais voláteis, deve subir 5,4% neste ano e repetir essa variação no próximo.
O Safra estima que a inflação acumulada em 12 meses poderá superar pontualmente o teto de 4,5% da meta. No entanto, a projeção considera que esse desvio seria temporário e, sob o regime de meta contínua, não caracterizaria descumprimento da meta de inflação.
Selic pode chegar a 11% ao fim de 2027
Com a inflação em trajetória de queda e a perspectiva de melhora das expectativas inflacionárias, o Banco Safra espera continuidade do ciclo de redução da taxa Selic.
A projeção é de que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13,25% ao ano e recue para 11,00% ao ano no fim de 2027.
A combinação entre atividade mais moderada, inflação em desaceleração e redução gradual dos juros deve orientar o cenário macroeconômico nos próximos trimestres.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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