Ciclo e queda da Selic pode impulsionar ações de transportes em até 347%
Banco Safra vê empresas de locação, infraestrutura e logística como altamente sensíveis ao custo de capital no atual ciclo de corte de juros, com destaque para Simpar, Movida, Vamos e Rumo
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Relatório do Safra mostra que empresas intensivas em capital, como locadoras e concessionárias de infraestrutura, ampliam significativamente seu valor de mercado em cenários de redução do custo de capital | Foto: Getty Images
O ambiente macrofinanceiro continua sendo o principal vetor de precificação das empresas brasileiras de transporte e logística listadas na Bolsa, segundo relatório do Banco Safra. A análise revisa estimativas financeiras, premissas macroeconômicas e preços-alvo para companhias do setor, reforçando que a trajetória dos juros permanece determinante para os preços das ações do setor.
Na avaliação dos analistas do Safra, empresas intensivas em capital e dependentes de financiamento seguem mais sensíveis à redução do custo médio ponderado de capital (WACC), especialmente locadoras de veículos, plataformas de locação de equipamentos e operadores de infraestrutura de longa duração.
A Simpar (SIMH3), líder em soluções logísticas integradas, aparece como o caso mais extremo de sensibilidade aos juros. Segundo o Safra, uma redução de 200 pontos-base no custo de capital elevaria o preço-alvo da companhia de R$ 10,10 para R$ 45,10, potencial de valorização de 347%.
Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3) e Localiza (RENT3) também figuram entre os ativos mais beneficiados em um cenário de flexibilização monetária. Para a Movida, o banco estima valorização potencial de 168% em um cenário de queda do custo de capital, enquanto a Vamos poderia avançar 88% e a Localiza, 50%.
A projeção do Banco Safra é que a taxa básica de juros (Selic) encerre 2026 em 13,50% ao ano, refletindo o processo gradual de queda do juros que deve prosseguir em 2027.
Locadoras concentram maior sensibilidade ao ciclo de juros
O Safra avalia que o segmento de locação permanece diretamente conectado à dinâmica das taxas de juros devido à natureza intensiva em capital do negócio. Expansão de frota, financiamento, depreciação dos veículos e spreads operacionais dependem do custo de captação.
Movida lidera exposição ao custo de capital
Entre as locadoras, a Movida continua sendo vista como a empresa mais exposta às condições financeiras. O relatório atribui essa característica à maior alavancagem, ao beta elevado e à volatilidade dos resultados ligados ao ciclo de carros usados e crédito.
O preço-alvo da companhia foi mantido em R$ 13,80, mas poderia alcançar R$ 37 em um cenário de redução de 200 pontos-base no WACC. “A avaliação permanece altamente comprimida em ambientes financeiros mais apertados”, afirmam os analistas, destacando que disciplina de frota, desalavancagem e gestão de capital seguem centrais para a tese.
Vamos combina contratos longos e receitas indexadas
A Vamos também aparece entre os papéis mais sensíveis à queda dos juros. O Safra destaca o perfil de contratos de longa duração e receitas indexadas à inflação como fatores que ampliam o efeito positivo da redução do custo de capital sobre os fluxos de caixa futuros.
O preço-alvo atual é de R$ 4,80, mas poderia subir para R$ 9 em um cenário de juros mais baixos.
Já a Localiza mantém um perfil considerado mais equilibrado entre risco e retorno. O Safra projeta preço-alvo de R$ 54,90, com potencial de avanço para R$ 82,50 em um ambiente financeiro mais benigno.
Infraestrutura ganha valor com queda das taxas de desconto
O relatório também reforça a atratividade de ativos de infraestrutura com fluxo de caixa de longa duração. Nesse grupo, aparecem Rumo, Ecorodovias, Motiva e Hidrovias do Brasil.
Segundo o Safra, a redução das taxas de desconto aumenta substancialmente o valor presente dos projetos, melhora condições de refinanciamento e amplia retornos econômicos de concessões e operações logísticas.
Rumo e Ecorodovias lideram potencial no segmento
A Rumo segue como um dos principais destaques entre ativos ferroviários. O banco calcula que uma redução de 200 pontos-base no custo de capital próprio elevaria o preço-alvo de R$ 16,70 para R$ 21.
A tese está ligada ao longo ciclo de investimentos da companhia e à concentração dos fluxos de caixa em horizontes mais extensos.
A Ecorodovias também apresenta elevada elasticidade à queda dos juros. O preço-alvo poderia avançar de R$ 12,10 para R$ 15,70 em um ambiente de menor custo de capital.
Já a Motiva foi classificada como um ativo de perfil mais defensivo dentro da infraestrutura, beneficiada pela indexação inflacionária e pela natureza regulada das receitas.
JSL se destaca por resiliência operacional
No segmento de logística diversificada, a JSL aparece como uma das teses mais resilientes da cobertura do Safra.
A companhia reúne contratos de longo prazo, mecanismos de repasse de custos e estrutura operacional flexível, fatores que ajudam a preservar geração de caixa mesmo em cenários macroeconômicos adversos.
O preço-alvo foi fixado em R$ 9,50, com potencial de avanço para R$ 12,40 em um ambiente de menor custo de capital.
Segundo o relatório, a empresa mantém “suporte sólido em sua avaliação mesmo sob condições macroeconômicas mais desafiadoras”.
Cenário fiscal segue determinante para o setor
Apesar do potencial de valorização identificado em diversos ativos, o Safra ressalta que o comportamento dos juros de longo prazo continuará diretamente ligado à percepção fiscal do país.
Em um cenário de maior disciplina fiscal e redução do prêmio de risco soberano, empresas mais alavancadas e intensivas em capital tendem a capturar expansão relevante de múltiplos.
Por outro lado, caso persistam condições financeiras restritivas, companhias com receitas indexadas à inflação, liquidez robusta e contratos protegidos tendem a preservar melhor valor para o acionista.
A avaliação do banco é de que a seleção de ações no setor continuará dependente da capacidade de identificar empresas simultaneamente expostas à queda do custo de capital e capazes de sustentar execução operacional consistente.
Recomendações do Safra para o setor
Entre os papéis com recomendação de compra, o Safra destaca:
- Movida (MOVI3)
- Localiza (RENT3)
- Vamos (VAMO3)
- Rumo (RAIL3)
- Motiva (MOTV3)
- JSL (JSLG3)
Simpar, Hidrovias do Brasil e Ecorodovias permanecem com recomendação neutra.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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