close

Cenário para as ações das seguradoras em 2026

A Porto (PSSA3) ainda é a preferida do Safra no setor por oferecer a oportunidade mais atrativa para retornos provenientes de crescimento do lucro por ação

7 minutos
seguradoras

O Safra reitera a recomendação de Compra para Caixa Seguridade (CXSE3) e Neutra para IRB Re (IRBR3) | Foto: Getty Images

Os especialistas do Banco Safra revisaram as estimativas para as ações do setor de Seguros, incorporando novos resultados e premissas macroeconômicas. A Porto (PSSA3) ainda é a preferida do Safra no setor por oferecer a oportunidade mais atrativa para retornos provenientes de crescimento do lucro por ação (LPA) e carrego, ao mesmo tempo em que mantém um componente defensivo.

O Safra reitera a recomendação de Compra para Caixa Seguridade (CXSE3) e Neutra para IRB Re (IRBR3). O banco rebaixou a recomendação para BB Seguridade (BBSE3) para Venda em função da trajetória de lucros em formato de “U” e crescimento moderado do LPA em três anos.

BB Seguridade

Preço-alvo reduzido para BRL 39 (de BRL 47) e recomendação rebaixada de Compra para Venda.

O Safra reduziu as estimativas para 2026 em 11% para refletir um ambiente operacional ainda difícil (devido principalmente ao setor rural e, em menor escala, a seguro prestamista e planos de previdência) e uma base de comparação difícil para a receita financeira.

O Banco Safra projeta três anos sem crescimento no lucro por ação (LPA), começando com uma queda de 5% no lucro em 2026, para R$ 8,7 bi (3% abaixo do consenso), e um rendimento de dividendos menos atrativo, entre 11% e 12%.

Riscos para a tese: Renovação antecipada do contrato com a corretora, embora não vejamos urgência nesse assunto em 2026. O Safra vê a ação negociada a 8,2x e 8,1x o P/L de 2026 e 2027, respectivamente.

Porto

Investimento consistente apesar do corte nas estimativas; Compra reiterada.

O Safra reduziu as estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 em 6% e 10%, para R$ 3,7 bi e R$ 3,9 bi, respectivamente,
principalmente devido ao aumento das provisões para crédito e à redução dos prêmios de seguros de automóveis e saúde.

Assim, o preço-alvo foi reduzido para R$ 61 (de R$ 65). O Safra acredita que a avaliação atual – em 8,8x e 8,1x o P/L de 2026 e 2027 – já reflete os desafios mencionados e representa um ponto de entrada atrativo para uma ação mais defensiva que
ainda oferece crescimento de aproximadamente 10% no LPA e rendimento de dividendos de aproximadamente 6%.

Riscos para a tese: Concorrência mais acirrada nos seguros de automóveis e saúde e aumento da inadimplência.

Caixa Seguridade

Resiliência dos negócios sustenta crescimento de 10% no LPA; Compra reiterada.

Apesar da expectativa de prêmios ganhos mais fracos devido à baixa subscrição de prêmios de seguro prestamista em 2024–2025, o Safra elevou a estimativa de lucro líquido para 2026 em 2%, para R$ 4,76 bi. Compra reiterada e preço-alvo elevado para R$ 20 (de R$ 18).

O Safra vê as ações negociadas a 10,2x o P/L de 2026 e 9,7x em 2027.

Riscos para a tese: Mudanças significativas no estatuto do MCMV, fraco desempenho do seguro prestamista e interferências políticas.

IRB (Re)

Melhora gradual e carrego mais atrativo, mas ainda não está descontada; recomendação Neutra reiterada.

O Safra reduziu as estimativas para 2026 e 2027 em -14% e -21%, para R$ 647 mi e R$ 682 mi, respectivamente, para refletir principalmente o menor crescimento da receita e os ganhos de eficiência postergados. O banco projeta que a ação será
negociada a 6,7x e 6,3x o P/L de 2026 e 2027, ou a 1,57x e 1,43x o P/VP ajustado de 2025 e 2026 (ajustado por créditos fiscais), respectivamente – uma ação descontada com fraco dinamismo da receita, na avaliação do Safra.

Riscos para a tese: Aceleração dos prêmios mais lenta/rápida do que o esperado, eventos catastróficos.

Avaliação

O Banco Safra usou uma taxa livre de risco de 10% (-100 p.b. para BBSE, CXSE e IRBR); prêmio de risco de mercado de 5%; perpetuidade de 6%; e os seguintes betas: 0,80 para CXSE, 0,85 para BSSE (14,3% Ke), 0,95x para PSSA (14,8% Ke) e 1,0 para IRBR (15,0% Ke).

Resumo executivo


BB Seguridade: preço-alvo reduzido para R$ 39 (de R$ 47) e recomendação rebaixada para Venda (de Compra) devido à trajetória de lucros em formato de “U” e ao crescimento moderado do lucro por ação em um horizonte de três anos. O Safra credita que as ações de BBSE apresentarão um perfil de retorno menos atrativo após o pico de lucros em 2025, piorando o componente de carrego nos próximos três anos e justificando o rebaixamento da recomendação para Venda.

  • Crescimento de lucro de 0% entre 2025 e 2028, com uma trajetória de recuperação em formato de “U”;
  • Rendimentos de dividendos anuais estáveis em torno de 11% a 12% no período; e
  • A avaliação parece barata em comparação com sua média histórica, mas apresenta um P/L desfavorável para
    os próximos três anos.

Os desafios enfrentados no segmento rural, no seguro prestamista e nos planos de previdência impactaram significativamente o desempenho operacional de BBSE em 2025.

A maioria desses desafios deve persistir neste ano, especialmente no segmento de seguros rurais. Até os nove primeiros meses de 2025, o segmento rural ainda se beneficiava da expansão do seguro de penhor e do seguro prestamista para agricultores, o que possibilitou o crescimento dos prêmios emitidos e melhores margens de subscrição. No entanto, desde o início da safra 2025–2026, essas linhas de seguro também foram impactadas pela desaceleração na concessão de crédito do banco, resultando em desempenho negativo dos prêmios desde setembro.

Além dos persistentes desafios operacionais, em 2026 a BB Seguridade deverá enfrentar uma base de comparação difícil para a receita financeira, que foi o principal propulsor do lucro líquido no ano passado, registrando crescimento de aproximadamente 50% a/a.

Os cortes nas taxas de juros deverão contribuir negativamente para os resultados em 2026 e 2027 (sensibilidade de BRL 100 mi para cada corte de 100 p.b. nos juros). Além disso, a redução da diferença atual entre os índices de inflação (IGP-M vs. IPCA) deverá pressionar ainda mais o desempenho da receita financeira.

O Safra reduziu a projeção de lucro líquido para 2026 em 11%, projetando queda de 5% a/a e crescimento moderado de 1% a/a em 2027.

As projeções de lucro líquido para 2026 e 2027, de R$ 8,7 bi e R$ 8,8 bi, respectivamente, estão 3% e 4% abaixo do consenso. Consequentemente, o rendimento de dividendos, que era o último fator que nos mantinha otimistas em relação à ação, também deve perder atratividade.

O Safra estima um rendimento de 11% para 2026. Portanto, o potencial de valorização em relação a outras empresas de maior qualidade dentro da cobertura do Safra – principalmente a Itaúsa – não se justifica do ponto de vista do retorno total, na
opinião dos especialistas do Safra. O preço-alvo foi reduzido de R$ 47 para R$ 39.

Ma visão do Safra, o único fator que impulsionaria as ações seria a negociação de melhores condições na renovação do contrato com o Banco do Brasil (prevista para 2033), sugerindo que a rentabilidade da companhia na perpetuidade seria melhor do que o esperado.

No entanto, o banco não espera que tais discussões ocorram nos próximos 12 meses. Nas novas premissas, o Safra usa um retorno sobre o patrimônio líquido de longo prazo de 40% após a renovação do contrato, o que implica uma redução de 50 p.p. e 30 p.p. em comparação com as projeções de retorno sobre o patrimônio líquido para 2026 e 2030, respectivamente, pressupondo basicamente um desconto na perpetuidade de 50%, o que o Safra acredita ser consistente com um cenário-base no qual o contrato é renovado sob termos desfavoráveis para a operação de corretagem

Porto: Investimento consistente apesar do corte nas estimativas; recomendação de Compra reiterada.

Os principais fatores negativos que sustentam a nova premissa incluem: (i) aumento das provisões para crédito para níveis considerados mais apropriados após a revisão das projeções para 2025 e as mudanças contábeis relacionadas à Resolução nº 4966; (ii) menores prêmios de seguro de automóvel, que devem começar a se recuperar apenas em 2027 (projeção de crescimento de prêmios brutos emitidos de +3% a/a em 2026 e +4% em 2027), visto que a Porto Seguro está adotando uma estratégia mais conservadora em meio ao cenário de deflação de preços; e (iii) menores prêmios de seguro saúde, emborao Safra ainda veja a Porto Saúde com espaço para crescimento de dois dígitos nos próximos anos.

O Safra destaca que, apesar dos ajustes mencionados, não acredita que os benefícios da diversificação que a Porto vem obtendo nos últimos anos para elevar estruturalmente a rentabilidade da companhia tenham se esgotado. Entre os fatores favoráveis, o Safra destaca a robustez da lucratividade da Porto Saúde, um melhor rendimento da receita financeira a ser obtido após a conclusão da renovação da carteira e uma retomada do ciclo automotivo que poderá começar em 2027.

O Safra reduziu a projeção de lucro líquido para 2026 e 2027 em 6% e 10%, respectivamente, para R$ 3,7 bi (em linha
com o consenso) e R$ 3,9 bi (1% acima do consenso). Considerando o fraco desempenho das ações nos últimos meses, o Safra acredita que a atual avaliação – em 8,8x e 8,1x o P/L de 2026 e 2027, respectivamente – já reflete os desafios mencionados e representa um ponto de entrada atrativo para uma ação mais defensiva que ainda oferece crescimento de 10% no lucro por ação e rendimento de dividendos de 6%. Portanto, o Safra reitera a recomendação de Compra.

Caixa Seguridade: Resiliência do negócio sustenta crescimento de 10% no lucro por ação; Recomendação de Compra reiterada.

As reduções de dois dígitos nos prêmios emitidos de seguros prestamista observadas nos últimos trimestres devem representar um obstáculo para os prêmios ganhos da Caixa Seguridade em 2026. No entanto, o Safra ainda vê espaço
para crescimento de 6% a/a, impulsionado principalmente pelos seguros habitacional e imobiliário (que devem expandir 10% e 20%, respectivamente).

A combinação desses dois produtos representa cerca de 50% da operação de risco, reforçando que uma parcela relevante da operação possui caráter defensivo.

Em uma iniciativa bem-sucedida para aprimorar os canais de produto e vendas e aproveitar uma grande oportunidade para aumentar a penetração na base de clientes da CXSE, as cartas de crédito passaram a representar quase 10% dos resultados de subscrição. Consequentemente, o Safra espera que o sólido desempenho de vendas persista e que o reconhecimento de cartas de crédito continue gerando margens operacionais crescentes.

O Safra elevou a estimativa de lucro líquido para 2026 em 2%, para R$ 4,755 bi (2% acima do consenso). O banco projeta
crescimento do lucro por ação de 10% e 5% para 2026 e 2027, respectivamente. Atualmente, o banco vê as ações sendo
negociadas a 10,2x e 9,7x o P/L de 2026 e 2027, respectivamente.

IRB (Re): Melhora gradual, melhor carrego, mas ainda não está descontada; recomendação Neutra reiterada.

O ambiente de mercado tem sido desafiador para o crescimento da IRB, mas também observa-se que dois fatores
exerceram pressão adicional sobre o desempenho de seus prêmios emitidos em 2025: a base de comparação desfavorável devido à rescisão do contrato de seguro de vida no Brasil e à dinâmica cambial desfavorável no exterior (o primeiro fator já não representa um obstáculo). Por essa razão, o Safra acredita que a companhia poderá retomar um ritmo de crescimento moderado de 4% a/a em 2026.

O banco reduziu as estimativas para 2026 e 2027 em -14% e -21%, respectivamente, para refletir principalmente prêmios mais fracos e ganhos de eficiência postergados. Do lado positivo, a tendência contínua de queda no índice de sinistralidade continua sustentando melhores resultados de subscrição, levando a uma projeção de índices combinados de 99% e 96% em 2026 e 2027, respectivamente.

O preço-alvo foi elevado para R$ 61 (de R$ 53), principalmente devido à redução de 100 p.b. na estimativa de Ke, além da atualização do período de referência do preço-alvo.

Com a retomada do pagamento de dividendos pela companhia, o Safra projeta um percentual de distribuição de 50% em 2026, pois acredita que a IRB é solvente e que o capital mínimo exigido não será um ônus em períodos de crescimento lento, o que resultará em um rendimento de 7,5% para 2026.

O Safra vê as ações sendo negociadas a 6,7x e 6,3x o P/L de 2026 e 2027, respectivamente. Considerando o valor patrimonial (ajustado por créditos fiscais), vê as ações negociadas a 1,57x e 1,43x o P/VP de 2025 e 2026, respectivamente, o que, na avaliação dos especialistas do Safra, mostra uma ação descontada com dinamismo fraco da receita.

Abra sua conta