Saúde e educação, desprezadas por investidores, oferecem oportunidades
Pesquisa indica baixo interesse dos investidores em ações de saúde e educação, mas especialistas do Safra apontam que setores oferecem boas oportunidades
24/09/2025 2 minutos
Pesquisa mostra que apenas 2% dos investidores colocam o setor de Saúde entre os melhores desempenhos em 2026, e nenhum entrevistado selecionou Educação | Foto: Getty Images
Pesquisa realizada durante a J.Safra Investment Conference 2025 mostrou que as ações de Saúde e Educação no Brasil estão entre as menos preferidas. Mas, vendo oportunidades neste setor, os especialistas do Safra destacam em relatório reflexões sobre por que investir nestas ações pode ser positivo.
Nos dias 16 e 17 de seembro, a conferência do J.Safra sobre investimentos reuniu investidores e especialistas com equipes de gestão das principais empresas de diferentes setores.
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Sentimento dos investidores em relação às ações de Saúde e Educação
Apenas 2% dos investidores que participaram da pesquisa disseram que Saúde estará entre os melhores desempenhos em 2026, e nenhum selecionou Educação.
Por outro lado, os investidores estão otimistas com Serviços Financeiros (36%), Commodities (31%) e Consumo & Varejo (12%). A postura negativa em relação às ações de Saúde e Educação para o próximo ano está em linha com a constatação da nossa equipe de Estratégia de que esses setores estão entre os retardatários em ciclos eleitorais.
Os especialistas do Safra destacam, no entanto, que o desempenho histórico médio é materialmente influenciado pelo ciclo de 2022–2023, quando as ações de Saúde caíram 55% (retornando à realidade após anos de avaliações exuberantes e devido a desafios significativos do setor) e as empresas de Educação caíram 45% (juntando-se à onda de venda de nomes domésticos).
Além disso, o cenário pode ser fortemente influenciado pelo resultado das eleições (mudança ou manutenção do grupo político no poder). Ser contrario ao sentimento geral do mercado não é suficiente — o investidor também precisa estar certo.
O que os investidores podem estar deixando passar?
O Banco Safra acredita que há um sentimento geral negativo em relação a esses dois setores, justificado por
- (i) o ruído regulatório frequente;
- (ii) o histórico geral de alta volatilidade.
Os especialistas do Safra acreditam que o arcabouço regulatório representará uma ameaça menor daqui para frente para as ações de Saúde e Educação, e a percepção de menor risco nesse aspecto pode contribuir para algum re-rating (reclassificação).
No front de execução, os especialistas notam algumas melhorias importantes em alguns casos, com empresas conseguindo entregar tendências de receita em alta, margens mais saudáveis e fluxo de caixa livre mais robusto, com ações ainda sendo negociadas a níveis de valuation atrativos.
Uma vez que a percepção de risco melhore, os múltiplos podem se reprecificar, desde que a execução permaneça no caminho certo. A melhora na percepção de risco e a execução consistente, combinadas com o fato de que a maioria dos investidores está fora ou significativamente underweight nesses nomes, podem levar a um alfa relevante.
Além disso, esses são setores tradicionalmente de beta alto (indicador de volatilidade), então uma melhora no sentimento do investidor em relação ao Brasil pode contribuir para um desempenho superior.
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