Santander lucra R$ 4 bilhões no trimestre, mas inadimplência preocupa
Lucro cresceu 2% sobre o trimestre anterior, mas a inadimplência acima de 90 dias se deteriorou além do que os indicadores de curto prazo sugeriam
05/02/2026 2 minutos
O Safra reitera recomendação Neutra para a ação do Santander (SANB11), refletindo um ambiente de crescimento inferior ao dos pares | Foto: Getty Images
O Santander Brasil (SANB11) reportou lucro líquido no 4T25 de R$ 4,086 bilhões, crescimento de 2% sobre o trimestre anterior (Retorno sobre o patrimônio líquido de 17,6%), em linha com a estimativa do Banco Safra.
Segundo os analistas do Safra, à primeira vista, os resultados parecem em linha com as expectativas, mas o lucro antes dos impostos (EBT) ficou 5% abaixo do consenso. Além disso, o lucro antes de provisões foi 7% inferior à projeção do Banco Safra, principalmente impactado por uma receita líquida de juros (NII) mais fraco e maiores “outras despesas operacionais”.
A queda das provisões (-10% t/t) acompanhou a redução nos níveis de cobertura. Embora isso possa ser parcialmente explicado por uma mudança no mix da carteira para exposições menos arriscadas, os analistas do Banco Safra avaliam o movimento com cautela, dado o contraste com as tendências de qualidade de ativos reportadas.
A inadimplência acima de 90 dias deteriorou além do que os indicadores de curto prazo sugeriam. A principal pressão veio da carteira de PMEs (com atrasos de 15–90 dias ainda em alta), mas também houve aumento de 40 bps t/t na inadimplência acima de 90 dias no segmento pessoa física.
Há provável efeito da extensão do prazo de write-off (levando à expansão sequencial de 9% da carteira renegociada), mas seguimos cautelosos diante do atual ambiente macroeconômico.
No geral, foi um trimestre de menor qualidade na composição do resultado, embora parcialmente antecipado pelos resultados do SAN (não coberto) divulgados na noite anterior.
O Safra reitera recomendação Neutra, refletindo um ambiente de crescimento inferior ao dos pares.
Principais destaques do balanço do Santander Brasil (SANB11)
O NII cresceu 1% t/t e ficou 3% abaixo do esperado, explicado principalmente pelo pior desempenho do NII de mercado, que caiu para R$ -1.486 milhões. Também houve leve frustração (-1%) no NII de clientes, com spreads recuando 17 bps t/t. As provisões líquidas recuaram 10% t/t para R$ 6.105 milhões, reduzindo o custo de risco em 10 bps, para 3,8%.
A companhia destacou a ausência de casos específicos no atacado e o fortalecimento de cobertura ao longo do ano. As provisões cobriram 79% da formação de NPLs e 90% da formação do estágio 3. Com isso, o NII ajustado ao risco alcançou R$ 9.227 milhões, +6% t/t e 4% acima do esperado.
As receitas de tarifas vieram em linha, com destaque para cartões (+8% a/a) e seguros (+15% a/a). As despesas operacionais cresceram 6% t/t e 2% a/a, 2% acima da estimativa do Safra, pressionadas por “outras despesas” (+14% t/t), apesar da queda de 8% a/a em despesas de pessoal.
O lucro antes dos impostos (EBT) cresceu 1% t/t para R$ 4.347 milhões, e a alíquota efetiva caiu para 2,5%. Balanço e qualidade de ativos. A carteira de crédito expandida cresceu 2,8% t/t (+3,7% a/a), impulsionada por PMEs (+5,4% t/t) e financiamento ao consumo (+5,4% t/t).
A formação de NPL acima de 90 dias caiu 26 bps, para 5,7%, enquanto o índice de NPLs de 90 dias subiu para 3,7%, puxado por PMEs (+80 bps t/t) e pessoa física (+40 bps t/t). A inadimplência de curto prazo (15–90 dias) aumentou 10 bps, com deterioração em PMEs (+30 bps) e grandes empresas (+20 bps).
A formação de estágio 3 foi de 6,0% (+66 bps t/t), com cobertura de 78,5%. O índice de capital CET1 recuou 13 bps, para 11,6%. Os write-offs somaram R$ 4.147 milhões (-15% t/t) após a extensão do prazo de baixa. A carteira renegociada cresceu 9,4% t/t e a reestruturada avançou 5,9%, indicando elevado nível de formação nessas carteiras.
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