Lucro do Santander Brasil resiste, mas piora do crédito acende alerta
Resultado do 1T26 confirma compressão de rentabilidade já esperada pelo mercado, com avanço da inadimplência em pessoas físicas e pequenas e médias empresas e originação ainda fraca
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Edifício Altino Arantes, sede do antigo Banespa, hoje do Santander: lucro recorrente em linha com a estimativa e deterioração adicional da qualidade dos ativos , com menor tração da carteira de crédito | Foto: Getty Images
Santander Brasil entrega lucro em linha, mas decepciona frente ao consenso
O Santander Brasil (SANB11) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, queda de 7,3% em relação ao trimestre anterior e de 1,9% na comparação anual, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 16,0%.
O resultado ficou em linha com a estimativa dos especialistas do Banco Safra, mas abaixo do consenso de mercado, em um desempenho que, na leitura da casa, tende a ser levemente negativo para as ações.
A principal razão é que, embora a contração dos resultados já fosse amplamente antecipada, o balanço trouxe sinais adicionais de fragilidade na qualidade dos ativos, justamente em um ambiente macroeconômico em que investidores monitoram com mais rigor a inadimplência de linhas mais sensíveis ao ciclo, como crédito a pessoas físicas e pequenas e médias empresas.
Receita financeira melhora, mas provisões seguem no centro da preocupação
A margem financeira bruta (NII) somou R$ 15,812 bilhões, alta de 3,1% sobre o quarto trimestre. O número superou a projeção do Safra, sustentado tanto pela margem com clientes quanto pelo resultado de tesouraria. A margem com o mercado ficou negativa em R$ 771 milhões, mas ainda melhor do que a esperada pela equipe de análise.
As provisões líquidas totalizaram R$ 6,344 bilhões, avanço de 3,9% no trimestre, embora tenham vindo ligeiramente abaixo da estimativa do Safra. Isso permitiu que a margem financeira após provisões atingisse R$ 9,468 bilhões, alta de 2,6% na comparação trimestral e desempenho superior ao previsto.
Ainda assim, a melhora operacional não foi suficiente para dissipar a cautela com a trajetória do custo de crédito. Na avaliação do Safra, houve um descasamento entre o nível de provisões e a formação de ativos em estágio 3, o que recomenda leitura mais conservadora do avanço do lucro antes de impostos.
Pré-provisionamento confirma estimativa para o Santander (SANB11) no 1T26
O resultado antes de provisões (pre-provisioning profit) ficou em R$ 10,927 bilhões, praticamente em linha com a projeção da casa. Por isso, o Safra pondera que a surpresa positiva em lucro antes de impostos deve ser relativizada, já que não decorreu de uma aceleração estrutural mais robusta da operação bancária.
Além disso, dois vetores que vinham ajudando a trajetória de resultados nos últimos trimestres — despesas operacionais e alíquota efetiva de impostos — deixaram de oferecer suporte adicional no início deste ano. As despesas operacionais somaram R$ 8,933 bilhões, recuo de 3,4% no trimestre, mas vieram 4% acima da estimativa do Safra. Já a alíquota efetiva subiu para 14,8%.
Qualidade dos ativos volta a pressionar a leitura do trimestre
O ponto de maior atenção no balanço foi novamente a inadimplência. O índice de atraso acima de 90 dias atingiu 3,3% da carteira, enquanto a formação de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,1%. Nos segmentos mais observados pelo mercado, a deterioração foi mais visível: a inadimplência de pessoas físicas chegou a 4,9%, e a de PMEs, a 6,0%.
Esse movimento reforça a preocupação com a resiliência da carteira em um ambiente ainda desafiador para renda, custo financeiro e capacidade de pagamento de tomadores mais arriscados.
Segmentos de varejo seguem como principal foco de atenção
Na carteira de pessoas físicas, a inadimplência acima de 90 dias avançou 30 pontos-base na comparação trimestral. Em pequenas e médias empresas, a alta foi de 50 pontos-base. Já a inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, também piorou, mas em magnitude considerada compatível com a sazonalidade do período.
Esse ponto foi um dos poucos alívios do trimestre: o Safra ressalta que a delinquência de curto prazo não mostrou deterioração além do padrão sazonal, o que reduz, ao menos por ora, o risco de uma piora ainda mais abrupta nos próximos trimestres.
Apesar disso, os write-offs totalizaram R$ 5,508 bilhões, com alta expressiva de 32,8% em relação ao trimestre anterior, refletindo antecipação maior de perdas. A carteira renegociada cresceu 1,3%, enquanto a reestruturada caiu 1,8%, mas com redução de 40 pontos-base na cobertura desses portfólios.
Crédito perde tração e limita perspectiva de crescimento
A carteira de crédito expandida recuou 0,4% no trimestre e cresceu 3,4% em 12 meses, em movimento puxado principalmente pela fraqueza da operação com pessoas físicas. Nesse segmento, houve queda de 1,3% na comparação trimestral e de 1,1% em base anual.
O desempenho da originação foi considerado pouco inspirador mais uma vez. Para o Safra, esse quadro ajuda a explicar parte do comportamento das provisões, mas também limita o potencial de expansão de receitas e de ganho de escala ao longo de 2026.
Composição da carteira mostra avanço do risco em estágios mais críticos
Os empréstimos em estágio 2 cresceram 11% no trimestre e mais do que dobraram em relação ao mesmo período do ano passado. Já os ativos em estágio 3 avançaram 4,3% no trimestre e 26,2% em 12 meses, passando a representar 7,8% da carteira total.
Embora a formação de estágio 3 tenha recuado para 5,4%, a fotografia do balanço sugere continuidade da pressão sobre a qualidade dos ativos. O índice de cobertura total subiu para 219,4%, mas isso não elimina a preocupação com a trajetória futura do custo de risco.
Serviços e margem ajudam, mas não mudam a tese
As receitas com serviços somaram R$ 5,435 bilhões, com alta de 5,8% em um ano, embora tenham ficado ligeiramente abaixo da estimativa do Safra. Os destaques positivos vieram de gestão de recursos, cartões e seguros, com crescimento anual de 26,9%, 9,8% e 8,7%, respectivamente.
Ainda assim, a leitura consolidada permanece contida. O Safra reconhece que a melhora da margem financeira, tanto com clientes quanto com mercado, pode gerar algum viés positivo para as projeções de receita em 2026. No entanto, esse potencial segue limitado pela incerteza em torno das provisões e da evolução da inadimplência.
Capital cai e recomendação neutra é mantida
No capital, o índice CET1 recuou 36 pontos-base, para 11,2%, indicando menor folga em relação ao trimestre anterior. Embora o patamar ainda seja administrável, a queda reforça um quadro de menor conforto em um momento de crescimento fraco e pressão sobre qualidade de crédito.
Diante desse conjunto, o Safra reiterou recomendação Neutra para SANB11, com preço-alvo de R$ 41, ante cotação local de R$ 29,42 no material. O potencial implícito de valorização é de 39%, mas a casa entende que as perspectivas de crescimento seguem inferiores às de pares no setor bancário brasileiro.
O que o mercado deve monitorar a partir de agora
A teleconferência de resultados de 29 de abril de 2026 tende a concentrar atenção em três frentes principais:
- Trajetória das provisões
O mercado buscará sinais de maior aderência entre formação de estágio 3, inadimplência e despesas de crédito. - Ritmo de originação
A fraqueza na concessão, sobretudo em varejo, passou a ser elemento central para a leitura de crescimento em 2026. - Sustentação da margem financeira
A evolução da margem com clientes e com mercado pode ajudar a receita, mas dificilmente compensará sozinha uma piora persistente da qualidade dos ativos.
Síntese
O resultado do Santander Brasil no primeiro trimestre de 2026 veio sem surpresa relevante em lucro, mas trouxe sinais qualitativos piores do que o desejado. Em um setor no qual o mercado premia previsibilidade de crescimento, disciplina de risco e geração consistente de resultado, o banco entregou um trimestre de margem melhor, porém ainda acompanhado de inadimplência em alta, crédito sem tração e capital mais apertado.
Nesse contexto, a leitura predominante é de um balanço que não altera a tese central: o Santander segue rentável, mas com um perfil de crescimento e risco menos favorável do que o de concorrentes diretos.
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O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, representando uma queda de 7,3% em relação ao trimestre anterior e de 1,9% na comparação anual. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ficou em 16,0%, com o resultado em linha com as estimativas do Banco Safra, mas abaixo do consenso de mercado.
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Embora o lucro tenha ficado em linha com as projeções, o balanço trouxe sinais adicionais de fragilidade na qualidade dos ativos, com piora significativa da inadimplência e crescimento fraco do crédito. Esses indicadores são particularmente preocupantes em um ambiente macroeconômico desafiador, onde investidores monitoram com rigor a inadimplência em linhas sensíveis ao ciclo econômico.
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A margem financeira bruta (NII) somou R$ 15,812 bilhões, representando uma alta de 3,1% sobre o quarto trimestre e superando a projeção do Banco Safra. A melhora foi sustentada tanto pela margem com clientes quanto pelo resultado de tesouraria, embora a margem com o mercado tenha ficado negativa em R$ 771 milhões.
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As provisões líquidas totalizaram R$ 6,344 bilhões, com avanço de 3,9% no trimestre. A principal preocupação é o descasamento entre o nível de provisões e a formação de ativos em estágio 3, o que recomenda uma leitura mais conservadora do avanço do lucro antes de impostos e sugere que a melhora operacional pode não ser tão robusta quanto aparenta.
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O índice de atraso acima de 90 dias atingiu 3,3% da carteira, enquanto a formação de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,1%. Nos segmentos mais observados, a deterioração foi mais visível: inadimplência de pessoas físicas chegou a 4,9% e a de PMEs a 6,0%, com aumentos de 30 e 50 pontos-base respectivamente na comparação trimestral.
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A carteira de crédito expandida recuou 0,4% no trimestre e cresceu apenas 3,4% em 12 meses, com fraqueza particular na operação com pessoas físicas, que caiu 1,3% na comparação trimestral. Esse desempenho fraco limita o potencial de expansão de receitas, ganho de escala ao longo de 2026 e contribui para a pressão sobre a qualidade dos ativos.
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O Banco Safra reitera recomendação Neutra para SANB11, com preço-alvo de R$ 41, ante cotação local de R$ 29,42. Embora o potencial implícito de valorização seja de 39%, a casa entende que as perspectivas de crescimento do Santander seguem inferiores às de pares no setor bancário brasileiro, refletindo preocupações com inadimplência e fraco crescimento de crédito.
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O índice CET1 recuou 36 pontos-base para 11,2%, indicando menor folga em relação ao trimestre anterior. Embora o patamar ainda seja administrável, a queda reforça um quadro de menor conforto em um momento de crescimento fraco e pressão sobre a qualidade do crédito, limitando a capacidade de expansão do banco.