Queda precoce da Seleção na Copa do Mundo afeta ação da Ambev
Eliminação antecipada da seleção brasileira encurta efeito positivo da Copa do Mundo sobre o consumo de cerveja, enquanto clima adverso e competição elevada reduzem espaço para surpresas positivas nos resultados da Ambev (ABEV3)
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Ambev mantém ganhos de participação de mercado no Brasil, mas cenário climático e impacto limitado da Copa do Mundo elevam cautela sobre o desempenho de ABEV3 no segundo semestre | Gtty Images
A saída precoce da seleção brasileira da Copa do Mundo reduziu uma das principais expectativas positivas para o desempenho da cervejaria Ambev (ABEV3) no segundo semestre de 2026. O evento esportivo vinha sendo tratado pelo mercado como um potencial catalisador para o consumo de cerveja no país, mas a eliminação antecipada do Brasil encurtou significativamente esse efeito sazonal.
Com isso, analistas passaram a enxergar menor espaço para surpresas positivas nos resultados da companhia ao longo dos próximos trimestres, especialmente diante de um ambiente já pressionado por condições climáticas desfavoráveis e elevada concorrência no setor cervejeiro.
Apesar da manutenção de um momento operacional considerado sólido, a recomendação para as ações da Ambev (ABEV3) segue em venda, com preço-alvo revisado para R$ 16,50 por ação, ante R$ 16 anteriormente.
Atualmente, os papéis negociam a cerca de 15,9 vezes o lucro estimado para 2026, múltiplo que representa prêmio de aproximadamente 15% em relação aos pares globais do setor.
Clima desfavorável e indústria mais fraca pressionam perspectivas
Além do impacto reduzido da Copa do Mundo, os dados recentes da indústria reforçam uma desaceleração no mercado brasileiro de cervejas.
A produção industrial de bebidas alcoólicas — indicador amplamente para o setor cervejeiro — registrou queda de 3% na comparação anual no acumulado do segundo trimestre até maio.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também mostram que as condições climáticas seguem pouco favoráveis ao consumo. As temperaturas médias permanecem próximas da faixa inferior observada nos últimos cinco anos, enquanto os índices de chuva seguem elevados.
Na avaliação do mercado, a combinação entre clima mais fraco e perda do efeito Copa reduz significativamente a probabilidade de revisões positivas para volumes e receitas no segundo semestre.
Ganhos de mercado sustentam operação da companhia
Mesmo em um cenário mais desafiador, a Ambev continua apresentando melhora operacional relevante em sua principal divisão, Cerveja Brasil.
A companhia superou a Heineken em desempenho nos últimos três trimestres, impulsionada por ganhos de participação de mercado e fortalecimento do portfólio premium.
Competição deve continuar intensa
Ainda assim, o ambiente competitivo permanece pressionado. A Heineken segue com forte posicionamento de marca e deve acelerar ajustes para recuperar crescimento no mercado brasileiro.
A expectativa é que a companhia mantenha investimentos em expansão de capacidade, inovação de portfólio e categorias de maior valor agregado, incluindo bebidas sem álcool.
Esse movimento tende a manter elevada a disputa por volumes e participação de mercado nos próximos trimestres.
Prévia do 2T26 aponta lucro em alta, mas sem grande surpresa
As estimativas dos especialistas do Banco Safra para o segundo trimestre de 2026 ainda indicam resultados sólidos para a Ambev, sustentados principalmente pela operação de cerveja no Brasil.
A expectativa é de:
- EBITDA ajustado de R$ 6,365 bilhões;
- Margem EBITDA de 30,7%, avanço de 135 pontos-base na comparação anual;
- Lucro líquido de R$ 2,996 bilhões, alta de 14%;
- Margem líquida de 14,4%.
Por outro lado, operações internacionais devem seguir pressionadas.
A unidade CAC continua impactada por desinvestimentos recentes, enquanto a LAS enfrenta desafios macroeconômicos na Argentina e problemas logísticos na Bolívia. No Canadá, o ambiente de consumo segue enfraquecido.
Valuation ainda limita visão positiva para ABEV3
Embora o desempenho operacional da Ambev permaneça resiliente, o valuation continua sendo um fator limitante para uma recomendação mais construtiva sobre as ações.
Na visão dos analistas do Banco Safra, boa parte do momento positivo já está refletida nos preços atuais, enquanto os riscos ligados a clima, consumo, competição e cenário macroeconômico permanecem relevantes.
Principais riscos monitorados
Entre os fatores de atenção para os próximos trimestres estão: Reformas tributárias; Custos de commodities e câmbio; Intensificação da concorrência; Desaceleração macroeconômica; Mudanças nos hábitos de consumo ou Eventos climáticos adversos.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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