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Carteira de BDRs reforça investimentos em inteligência artificial

Revisada mensalmente pelos estrategistas da Safra Corretora, carteira automática reduz exposição a aplicações de IA, inclui TSMC e NextEra e busca equilíbrio entre crescimento, resiliência e diversificação internaciona

3 minutos

Carteira Top 10 BDRs da Safra para julho de 2026 amplia exposição a semicondutores e energia elétrica, setores diretamente beneficiados pela expansão global da inteligência artificial | Foto: Getty Images

A Safra Corretora promoveu mudanças relevantes na Carteira Top 10 BDRs recomendada para julho de 2026, em um movimento que combina redução de volatilidade, maior exposição ao ciclo estrutural da inteligência artificial (IA) e reforço em ativos considerados mais resilientes diante do cenário global.

As principais alterações foram a saída de Google e Mastercard e a entrada de TSMC e NextEra. Segundo os estrategistas do banco, o objetivo é reposicionar a carteira para empresas mais diretamente beneficiadas pelos investimentos em infraestrutura tecnológica e energética ligados à expansão dos data centers de IA.

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são títulos emitidos e negociados no Brasil que representam outro título negociado no exterior. Na prática, permitem investir indiretamente em ativos internacionais de forma descomplicada, sem a necessidade de abrir conta fora do país ou operar diretamente em outra bolsa.

A Carteira Top 10 BDRs é revisada mensalmente pelos especialistas da instituição, permitindo ao investidor acompanhar mudanças táticas e estruturais do mercado sem necessidade de realizar sozinho o monitoramento contínuo dos ativos. A proposta é oferecer conveniência operacional, diversificação internacional e alinhamento com tendências globais de crescimento.

Ajustes refletem nova fase do ciclo de IA

O setor industrial lidera os ganhos das bolsas norte-americanas em 2026, impulsionado sobretudo pelas fabricantes de equipamentos voltados à expansão da infraestrutura elétrica necessária para sustentar o crescimento dos data centers. Em seguida, o segmento de tecnologia continua sendo beneficiado pelo avanço das empresas de chips e semicondutores.

Nas últimas semanas, porém, a Safra observou aumento da volatilidade entre empresas ligadas à infraestrutura e às aplicações de IA, especialmente aquelas que concentram investimentos elevados para desenvolvimento tecnológico.

Diante desse contexto, os estrategistas decidiram reduzir parcialmente a exposição às chamadas plataformas de aplicações de IA e ampliar participação em companhias mais diretamente expostas à cadeia produtiva do setor.

TSMC ganha espaço como peça central da IA

A entrada da TSMC na carteira reforça a visão construtiva da Safra para o segmento de semicondutores. A companhia é considerada estratégica na cadeia global de chips avançados e deve continuar capturando a forte demanda gerada por inteligência artificial.

Segundo o relatório, a empresa combina liderança tecnológica, elevada utilização das fábricas e forte posição em “advanced packaging”, além de contar com expansão produtiva nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, reduzindo a concentração operacional em Taiwan.

A Safra também elevou a participação da NVIDIA, consolidando a exposição da carteira ao núcleo estrutural do desenvolvimento de IA.

Energia passa a ocupar papel defensivo

A inclusão da NextEra representa uma tentativa de equilibrar crescimento e previsibilidade em um ambiente de mercado mais volátil.

A companhia atua no setor de utilidades básicas e é vista pela Safra como uma das principais beneficiárias do aumento da demanda energética provocado pela expansão dos data centers globais. O banco destaca ainda o perfil defensivo da empresa e seu portfólio voltado à geração renovável e armazenamento de energia.

A tese combina estabilidade típica de companhias reguladas com potencial de crescimento estrutural ligado à transição energética e à digitalização da economia.

Financeiro e saúde seguem relevantes

Além das mudanças principais, a Safra aumentou os pesos de JP Morgan, Charles Schwab e Eli Lilly.

No caso do JP Morgan, o banco aposta na melhora do mercado de capitais norte-americano e no ganho contínuo de participação de mercado da instituição financeira. Já a Charles Schwab segue beneficiada pelo crescimento estrutural da base de investidores de varejo e pela transferência de riqueza para gerações mais jovens.

Na área de saúde, Eli Lilly permanece como uma das principais apostas do portfólio, sustentada pela expansão global dos medicamentos GLP-1 para obesidade e diabetes, além do avanço de tratamentos voltados ao Alzheimer.

ETF do S&P 500 amplia diversificação

A carteira mantém o ETF IVVB11 como principal posição individual, com peso de 30%. O instrumento replica o desempenho do S&P 500 e funciona como mecanismo de indexação eficiente da estratégia.

Na avaliação da Safra, a presença relevante do ETF contribui para ampliar diversificação, reduzir riscos específicos e preservar exposição às maiores empresas americanas.

Composição da Carteira Top 10 BDRs – Julho de 2026

AtivoSetorPeso
IVVB11ETF S&P 50030%
JP MorganServiços Financeiros14%
NVIDIATecnologia10%
Eli LillySaúde8%
Charles SchwabServiços Financeiros8%
MicrosoftTecnologia8%
AmazonConsumo6%
TSMCTecnologia6%
MetaTecnologia5%
NextEraUtilidades Básicas5%

Carteira automática busca praticidade ao investidor

A estratégia da Safra também reforça o conceito de carteira automática, modelo no qual os ajustes de alocação são conduzidos mensalmente pela equipe de análise da corretora.

Na prática, isso permite ao investidor acessar recomendações atualizadas conforme mudanças macroeconômicas, ciclos setoriais e resultados corporativos, sem necessidade de acompanhar individualmente cada ativo do portfólio.

Além da praticidade operacional, o modelo favorece disciplina de investimento, rebalanceamento periódico e exposição internacional diversificada, especialmente relevante em um cenário de rápida transformação tecnológica.

Histórico mostra retorno acima do S&P 500 desde 2015

Desde sua criação, em junho de 2015, a Carteira Top 10 BDRs acumula valorização de 743,22%, acima dos 532,68% do S&P 500 no mesmo intervalo, segundo dados da Safra.

Nos últimos 48 meses, o portfólio avançou 125,04%, também acima do principal índice acionário norte-americano, que subiu 91,46% no período.

A carteira superou o S&P 500 em 80 dos últimos 135 meses analisados, equivalente a 59% do histórico monitorado pela corretora.

Apesar do desempenho acumulado, a Safra ressalta que rentabilidade passada não representa garantia de retorno futuro e que investimentos em renda variável envolvem riscos.

BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são títulos emitidos e negociados no Brasil que representam ativos negociados no exterior. Eles permitem investir indiretamente em empresas internacionais de forma descomplicada, sem necessidade de abrir conta fora do país ou operar em outra bolsa. Essa estrutura oferece conveniência operacional e acesso à diversificação internacional.

A TSMC foi incluída para reforçar a exposição ao segmento de semicondutores, considerado estratégico na cadeia global de chips avançados e beneficiário da forte demanda gerada por inteligência artificial. A NextEra foi adicionada para equilibrar crescimento com previsibilidade, atuando como ativo defensivo no setor de utilidades básicas e sendo uma das principais beneficiárias do aumento da demanda energética dos data centers globais.

A revisão mensal permite acompanhar mudanças táticas e estruturais do mercado sem necessidade de monitoramento contínuo individual dos ativos. O objetivo é oferecer conveniência operacional, diversificação internacional e alinhamento com tendências globais de crescimento, permitindo que investidores acessem recomendações atualizadas conforme mudanças macroeconômicas e ciclos setoriais.

A carteira reforça a exposição ao ciclo estrutural da IA através de empresas como TSMC (semicondutores), NVIDIA (chips), Microsoft e Meta (plataformas de aplicações). Além disso, inclui NextEra para capturar a demanda energética gerada pela expansão dos data centers. A estratégia combina exposição ao núcleo estrutural do desenvolvimento de IA com ativos mais resilientes e defensivos.

A redução foi motivada pelo aumento de volatilidade observado entre empresas ligadas à infraestrutura e aplicações de IA, especialmente aquelas com investimentos elevados em desenvolvimento tecnológico. A estratégia buscou ampliar participação em companhias mais diretamente expostas à cadeia produtiva do setor, como fabricantes de chips e semicondutores, consideradas mais estáveis.

Desde sua criação em junho de 2015, a carteira acumula valorização de 743,22%, acima dos 532,68% do S&P 500 no mesmo período. Nos últimos 48 meses, o portfólio avançou 125,04%, também superior ao S&P 500 que subiu 91,46%. A carteira superou o índice em 80 dos últimos 135 meses analisados, equivalente a 59% do histórico monitorado.

BDRs oferecem vantagens como acesso a empresas internacionais sem abrir conta no exterior, diversificação internacional, conveniência operacional e exposição a tendências globais de crescimento. Porém, como investimentos em renda variável, envolvem riscos e a rentabilidade passada não garante retornos futuros. A escolha deve considerar o perfil de risco e objetivos de cada investidor.

O ETF IVVB11 é mantido como principal posição individual com peso de 30% na carteira, replicando o desempenho do S&P 500. Funciona como mecanismo de indexação eficiente da estratégia, ampliando diversificação, reduzindo riscos específicos e preservando exposição às maiores empresas americanas, complementando as posições em ativos individuais.

Cley Scholz

Jornalista formado pela PUC-PR com pós em gestão de empresas jornalísticas na ESPM. Trabalhou como repórter e editor nos jornais O Estado de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo, JT, Agência Estado, revista Veja e portal de Economia do Estadão. LinkedIn

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