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Carteira Top 10 de Ações para abril tem troca em shoppings e ajustes setorial

Portfólio recomendado para abril de 2026 mantém viés construtivo para renda variável, com desempenho acumulado acima do Ibovespa no ano, em 12 meses e desde o início da estratégia

6 minutos
Top 10 abril 26

Relatório da Carteira Safra Top 10 Ações de abril de 2026 detalha a nova composição do portfólio, com entrada de Multiplan no lugar de Allos e ajustes de peso em nomes como Itaúsa, Vale, Copel e Bradesco | Foto: Getty Images

O Banco Safra apresentou sua Carteira Top 10 Ações para abril de 2026, mantendo a proposta de oferecer ao investidor uma exposição diversificada à renda variável por meio de um portfólio com execução automática, rebalanceamento conduzido por especialistas e atualização mensal. A nova composição traz ajustes pontuais, com a substituição de Allos por Multiplan e mudanças de peso entre alguns dos papéis recomendados.

A estratégia foi desenhada para investidores que buscam combinar praticidade operacional com acompanhamento técnico recorrente. Na prática, o cliente faz um único investimento e passa a ter exposição a dez ações selecionadas pela equipe da Safra Corretora, com revisões mensais baseadas na leitura de cenário, valuation e relação entre risco e retorno.

Segundo o material de abril, a carteira mantém uma visão construtiva para todos os nomes atualmente alocados. As alterações promovidas neste mês refletem, de acordo com o Safra, ajustes marginais de risco-retorno, sem mudança de convicção estrutural sobre a tese da carteira.

Desempenho supera Ibovespa em horizontes relevantes

O principal argumento comercial e técnico da Carteira Top 10 está no histórico de performance. Em 2026 até março, o portfólio acumulou alta de 18,57%, acima dos 16,35% do Ibovespa e muito superior aos 3,36% do CDI, segundo o relatório.

No recorte de 12 meses, a carteira entregou 51,64%, ante 43,90% do Ibovespa e 14,61% do CDI. Desde o início da série histórica, em janeiro de 2012, o ganho acumulado chega a 400,88%, contra 221,14% do Ibovespa e 269,84% do CDI.

Em março, houve desempenho negativo, em linha com a correção do mercado acionário brasileiro. Ainda assim, a queda da carteira, de 2,83%, ocorreu em um ambiente em que o Ibovespa recuou 0,70%, enquanto o CDI avançou 1,16%. No histórico completo, a Top 10 superou o índice de referência em 99 de 171 meses, o equivalente a 57,89% das observações.

Leitura comparativa favorece a proposta de longo prazo

Embora a carteira não supere o Ibovespa em todos os meses, os números apresentados pelo Safra reforçam uma leitura favorável em janelas mais longas.

Para o investidor, isso sustenta a tese de que a combinação entre seleção ativa de ações, diversificação setorial e rebalanceamento periódico pode agregar valor em relação à simples exposição passiva ao índice.

Também pesa a favor da estratégia o fato de o portfólio incorporar reinvestimento de dividendos em sua métrica de desempenho, o que amplia a aderência a uma visão de construção patrimonial no longo prazo.

Multiplan entra na carteira; Bradesco perde peso

A principal mudança de abril foi a saída de Allos (ALOS3) e a entrada de Multiplan (MULT3). Na avaliação do Safra, a ação passou a negociar em nível atrativo de valuation após desempenho recente inferior ao de pares do setor.

O banco destaca ainda um ciclo de investimentos mais leve à frente e a leitura de que a companhia pode ser uma das maiores beneficiárias da reforma tributária entre empresas de shopping centers.

Com a mudança, Multiplan passou a ocupar 10% da carteira. O Safra afirma que o papel negocia a 9,3 vezes P/FFO (Preço sobre Funds from Operations) estimado para 2027, com potencial de convergência para 12,3 vezes, o que embasa a expectativa de performance relativa superior.

Ao mesmo tempo, o banco reduziu a participação de Bradesco (BBDC4) de 16% para 10%, citando piora marginal do ambiente bancário doméstico, especialmente no crédito, em meio ao aumento de pedidos de recuperação judicial.

Vale, Copel e Itaúsa ganham espaço

Do lado das elevações de peso, o Safra aumentou a alocação em Vale (VALE3), de 10% para 12%, apoiado na avaliação de que a ação teve performance fraca apesar da estabilidade do minério de ferro e de que a companhia tem exposição relativamente menor a pressões de diesel e frete marítimo.

A participação de Copel (CPLE3) subiu de 8% para 10%, em uma aposta na tendência de alta dos preços de energia e no perfil que combina dividendos, crescimento operacional e valuation considerado descontado.

Itaúsa (ITSA4) teve o peso ampliado de 14% para 16%. O Safra vê valor no desconto de holding frente ao valor de seus ativos e na exposição indireta ao bom momento operacional do Itaú, que considera o nome de maior qualidade entre os bancos sob cobertura.

Lista das ações da Carteira Top 10 com ticker e resumo das teses

A Carteira Safra Top 10 Ações para abril reúne empresas de diferentes setores, com exposição a temas como commodities, consumo, infraestrutura, utilidades, telecomunicações e serviços financeiros.

Direcional (DIRR3) — Com peso de 8% na carteira, a construtora segue recomendada por sua exposição ao segmento de baixa renda, que continua mostrando dinamismo operacional. O Safra avalia que a companhia deve se beneficiar da aceleração de lançamentos, da boa execução e de eventuais atualizações no programa Minha Casa, Minha Vida, além de estar relativamente menos exposta do que concorrentes à pressão de custos com materiais e frete.

Petrobras (PETR4) — Com participação de 10%, a estatal é mantida como uma das âncoras da carteira por oferecer exposição relevante ao setor de óleo e gás, além de resultados robustos no curto e médio prazo. O Safra destaca a capacidade da empresa de sustentar dividendos, o valuation descontado em relação a pares internacionais e a possibilidade de capturar efeitos positivos de um ambiente de petróleo mais alto.

Bradesco (BBDC4) — O banco permanece na carteira, agora com peso reduzido para 10%, após rebalanceamento. A tese segue apoiada na melhora de rentabilidade, no desconto em relação ao principal concorrente e na perspectiva de dividendos atrativos. A redução de exposição reflete uma piora marginal do ambiente bancário doméstico, especialmente no crédito, em meio ao aumento de pedidos de recuperação judicial.

Itaúsa (ITSA4) — Com peso elevado para 16%, a holding passou a ocupar uma posição central na carteira. O Safra vê valor no desconto de mais de 20% frente ao valor de seus ativos e na exposição indireta ao desempenho do Itaú, considerado pelo banco como o nome de maior qualidade entre os grandes bancos, pela resiliência em ciclos monetários mais apertados e pela capacidade de manter rentabilidade.

Multiplan (MULT3) — A ação entrou na carteira em abril com peso de 10%, substituindo Allos. A avaliação do Safra é que a companhia reúne um dos portfólios de shopping centers de maior qualidade do setor, com capacidade de crescimento acima da média dos pares e maior resiliência em ambientes inflacionários. O banco também vê a empresa como potencial beneficiária da reforma tributária, além de destacar o fim de um ciclo mais intenso de investimentos, o que tende a favorecer a geração de caixa.

Vale (VALE3) — A mineradora teve o peso ampliado para 12%. Segundo o Safra, a tese combina um cenário mais positivo para produção e custos, sustentação do minério de ferro em patamar superior a US$ 100 por tonelada e uma postura mais favorável ao acionista, seja via dividendos, seja por recompra de ações. O banco também observa que a companhia tem menor exposição relativa a pressões de diesel e frete marítimo do que alguns pares.

Telefônica Brasil (VIVT3) — Com peso de 10%, a empresa segue na carteira pela leitura de que apresenta fundamentos mais sólidos e melhor momento operacional no setor de telefonia móvel. O Safra também projeta continuidade de dividendos elevados, o que reforça a atratividade do papel em um portfólio que busca equilíbrio entre crescimento e geração de renda.

Motiva (MOTV3) — A companhia de transportes permanece com 8% da carteira. A recomendação está baseada na avaliação de que a empresa está bem capitalizada após a venda do segmento de aeroportos, tem capacidade para disputar novos leilões de infraestrutura e conta com um portfólio maduro, de desempenho operacional estável. O Safra também vê benefício potencial para o papel em um cenário de corte de juros.

Copel (CPLE3) — O peso da elétrica foi elevado para 10%. A tese se apoia na combinação entre dividendos atrativos, crescimento de EBITDA, valuation considerado descontado e exposição positiva à tendência de alta dos preços de energia. Para o Safra, trata-se de um nome defensivo, mas com potencial adicional de captura de valor em um ambiente mais favorável para o setor elétrico.

Raia Drogasil (RADL3) — Com peso de 6%, a varejista de saúde e consumo básico segue na carteira por sua perspectiva de melhora sequencial de resultados. O banco projeta expansão de vendas em mesmas lojas, crescimento da rede e avanço de margens, além de enxergar espaço para reprecificação do papel à medida que o mercado incorpore condições microeconômicas mais favoráveis para 2027.

Atualização mensal é um dos principais diferenciais

Entre os atributos mais enfatizados pelo Safra está a atualização automática mensal, feita pela equipe de analistas e especialistas da corretora. Para o investidor, isso reduz a necessidade de acompanhamento tático individual de cada ação e transfere para a instituição a tarefa de revisar pesos, excluir ativos e incluir novas teses conforme as condições de mercado mudam.

Esse modelo também reforça a proposta de conveniência do produto. O investimento mínimo informado é de R$ 10 mil, com movimentações adicionais a partir de R$ 5 mil e saldo mínimo de R$ 10 mil.

Safra aposta em curadoria, transparência e diversificação para atrair investidor em ações

Ao apresentar a Top 10 Ações de abril, o Safra procura posicionar a carteira como uma solução de entrada e permanência em renda variável para o investidor que quer delegar a seleção de ativos sem abrir mão de acompanhamento técnico e transparência. O banco destaca, entre os diferenciais, a curadoria da Safra Corretora, a divulgação de relatórios periódicos e a diversificação entre setores.

Em um ambiente em que a seleção de ações volta a ganhar relevância diante de um mercado mais sensível a fundamentos, a carteira recomendada tenta se diferenciar pela combinação entre gestão ativa, disciplina de rebalanceamento e histórico acumulado superior ao Ibovespa em horizontes amplos.

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