Copom tem espaço para novos cortes de juros diante da inflação ‘benigna’
Banco Safra projeta Selic em 14% ao ano nesta semana e vê continuidade dos cortes até dezembro, com avanço da desinflação
3 minutos Publicado emA leitura mais fraca do IPCA-15 de julho reforçou a percepção de arrefecimento das pressões inflacionárias e ampliou a expectativa de cortes adicionais da Selic pelo Banco Centra | Foto: Getty Images
O Banco Safra avalia que o Banco Central deverá reduzir a taxa Selic para 14% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada nesta terça e quarta-feira. A expectativa reflete a melhora recente dos indicadores de inflação e o avanço do processo de desinflação observado nos últimos meses.
A instituição também projeta novos cortes de juros nas reuniões seguintes, levando a taxa básica para 13,5% ao ano até o encerramento do calendário de decisões de política monetária em 2026. Na avaliação do banco, o ambiente inflacionário tornou-se mais favorável e passou a oferecer condições para a continuidade do afrouxamento monetário.
A principal mudança de cenário ocorreu após a divulgação do IPCA-15 de julho, que apresentou alta de apenas 0,06% na comparação mensal, resultado significativamente inferior à projeção do Safra, de 0,25%, e também abaixo da mediana das estimativas do mercado, de 0,22%.
No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,80% para 4,52%, aproximando-se do limite superior da meta perseguida pelo Banco Central.
Composição do IPCA-15 reforça leitura de desinflação
Mais do que o resultado agregado, a composição do indicador foi considerada relevante pelo Safra para sustentar a expectativa de cortes de juros.
Serviços e administrados surpreendem positivamente
Entre os principais grupos, a inflação de serviços apresentou comportamento mais benigno do que o esperado. Houve desaceleração em itens como passagens aéreas, transporte por aplicativo e seguros de veículos.
Nos preços administrados, o avanço mais moderado da energia elétrica e a queda mais intensa dos preços da gasolina e do gás de botijão contribuíram para reduzir a pressão inflacionária.
A alimentação no domicílio também voltou a registrar deflação expressiva, impulsionada principalmente pela queda dos preços de produtos in natura, como o tomate. Mesmo com uma redução menos intensa nos preços das carnes, o grupo continuou exercendo efeito desinflacionário relevante.
Já os bens industriais mantiveram trajetória considerada equilibrada, sem desvios significativos em relação às expectativas.
Núcleos apontam desaceleração disseminada
As medidas subjacentes da inflação também reforçaram o diagnóstico de arrefecimento.
A média dos núcleos avançou 0,21% no mês, abaixo da projeção de 0,30%, enquanto os serviços subjacentes registraram alta de 0,30%, também inferior ao esperado.
Segundo o Safra, indicadores dessazonalizados mostraram nova redução tanto nos núcleos quanto nos serviços subjacentes e no índice de difusão, sugerindo que o processo de desinflação está ocorrendo de forma mais abrangente entre diferentes segmentos da economia.
Indicadores antecedentes reforçam cenário benigno
Além dos índices ao consumidor, os indicadores de preços no atacado também passaram a sinalizar menor pressão inflacionária no curto prazo.
O IGP-M registrou deflação de 1,16% em julho, resultado influenciado principalmente pela queda dos preços do petróleo. A abertura do indicador mostrou desaceleração relevante do núcleo do IPA Industrial, cuja variação ficou próxima de zero após altas próximas de 1,5% observadas nos meses de abril e maio.
Para o Safra, o movimento sugere redução das pressões de custos sobre a cadeia industrial e menor risco de repasses inflacionários para o consumidor nos próximos meses.
Ainda assim, a instituição avalia que o índice pode voltar a acelerar a partir de agosto, à medida que o efeito baixista do petróleo perca intensidade e os preços agropecuários passem a refletir a valorização da arroba do boi.
Riscos permanecem no radar do Banco Central
Apesar da melhora do cenário inflacionário, o Safra destaca que o ambiente ainda exige monitoramento.
El Niño pode pressionar preços de alimentos
O principal fator de risco para a inflação continua sendo a evolução das condições climáticas.
De acordo com a análise do banco, projeções de institutos especializados indicam elevada probabilidade de ocorrência de um episódio forte de El Niño ainda neste ano. O fenômeno pode provocar irregularidades nas chuvas, afetando inicialmente culturas de ciclo curto e pressionando os preços de alimentos in natura.
Em horizonte mais longo, os impactos poderiam atingir a produtividade agrícola, especialmente na produção de milho, com efeitos indiretos sobre proteínas animais por meio do aumento dos custos de alimentação.
Fatores baixistas também ganham relevância
Por outro lado, alguns vetores passaram a atuar na direção oposta.
O Safra destaca que a adoção de bandeira tarifária verde nas contas de energia em dezembro pode gerar alívio adicional para a inflação de 2026, reduzindo a projeção em aproximadamente 0,10 ponto percentual.
Além disso, uma desaceleração mais intensa da demanda doméstica em resposta ao aperto monetário acumulado também poderia contribuir para conter as pressões de preços.
O que esperar para a Selic nos próximos meses
Na avaliação do Safra, o conjunto de indicadores divulgados recentemente fortalece a percepção de que a inflação segue trajetória compatível com a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
A melhora disseminada da composição do IPCA-15, a desaceleração dos núcleos e o comportamento mais favorável dos índices antecedentes criam um ambiente mais confortável para o Banco Central iniciar novas reduções da taxa básica.
Ainda que riscos associados às commodities e às condições climáticas permaneçam presentes, o banco mantém sua projeção de inflação de 4,9% para 2026 e considera que os riscos ao cenário estão relativamente equilibrados.
Nesse contexto, a expectativa é de que o Copom reduza a Selic para 14% ao ano nesta reunião e promova novos ajustes ao longo dos próximos encontros, levando a taxa para 13,5% ao ano até o fim de 2026.
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O Banco Central está reduzindo a Selic porque a inflação apresentou melhora significativa nos últimos meses. O IPCA-15 de julho registrou alta de apenas 0,06% na comparação mensal, bem abaixo das expectativas, e a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,52%, aproximando-se do limite superior da meta. Com a inflação mais benigna e a desaceleração dos núcleos de inflação, há espaço para o afrouxamento monetário.
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O Banco Safra projeta que a Selic será reduzida para 14% ao ano na reunião do Copom de julho e continuará caindo nos próximos encontros, chegando a 13,5% ao ano até o encerramento do calendário de decisões de política monetária em 2026. Essa trajetória de cortes reflete a expectativa de continuidade do processo de desinflação observado nos últimos meses.
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A melhora da inflação foi impulsionada por vários fatores: serviços apresentaram comportamento mais benigno com desaceleração em passagens aéreas, transporte por aplicativo e seguros; preços administrados tiveram avanço moderado em energia elétrica e queda em gasolina e gás; alimentação registrou deflação expressiva, especialmente em produtos in natura como tomate; e os núcleos de inflação desaceleraram de forma disseminada. Além disso, o IGP-M registrou deflação de 1,16% em julho, refletindo menor pressão nos preços do atacado.
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O principal risco identificado é a possibilidade de um episódio forte de El Niño ainda em 2026, que pode provocar irregularidades nas chuvas e pressionar os preços de alimentos in natura. Em horizonte mais longo, o fenômeno poderia afetar a produtividade agrícola, especialmente na produção de milho, com efeitos indiretos sobre proteínas animais. Também há riscos associados à evolução dos preços das commodities, embora o Banco Safra considere que os riscos ao cenário estão relativamente equilibrados.
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A redução da taxa Selic torna o crédito mais barato e acessível, estimulando empréstimos e financiamentos para pessoas e empresas. Simultaneamente, reduz os rendimentos de aplicações de renda fixa atreladas à Selic, como o Tesouro Selic, tornando essas aplicações menos atrativas. Essa política busca estimular a demanda doméstica e a atividade econômica, enquanto mantém a inflação sob controle.
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O Banco Central persegue uma meta de inflação de 4,5% para 2026, com limite superior de 5,5%. O Banco Safra projeta que a inflação fechará 2026 em 4,9%, dentro da faixa de tolerância. A inflação acumulada em 12 meses já desacelerou para 4,52%, aproximando-se do limite superior da meta, o que reforça a percepção de que o processo de desinflação está em andamento.
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Além da continuidade do processo de desinflação, dois fatores podem contribuir para reduzir a inflação: a adoção de bandeira tarifária verde nas contas de energia em dezembro, que pode gerar alívio adicional estimado em aproximadamente 0,10 ponto percentual; e uma desaceleração mais intensa da demanda doméstica em resposta ao aperto monetário acumulado, que poderia conter as pressões de preços de forma mais ampla na economia.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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