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Safra revisa projeção do PIB de 2026 para 1,9%

Banco Safra ajusta projeção do PIB 2026 para 1,9% após resultado do 1º trimestre. Confira a análise setorial completa e perspectivas para a economia brasileira

3 minutos
Banco Safra revisa projeção do PIB de 2026

Dados do PIB do primeiro trimestre levaram à revisão da composição e do ritmo do crescimento econômico | Foto: Getty Images

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 reforçou um ponto de partida mais favorável para a atividade econômica ao longo do ano, ainda que o crescimento de 1,1% na comparação trimestral tenha vindo em linha com as estimativas.

A principal surpresa esteve na composição do resultado, com a demanda doméstica apresentando desempenho mais forte do que o antecipado.

Diante desse cenário, o Banco Safra realizou ajustes pontuais na composição do crescimento projetado para 2026, incorporando os sinais mais recentes da economia. A expectativa é de uma desaceleração do PIB para 0,3% no segundo trimestre, com crescimento acumulado de 1,9% ao longo de 2026.

Revisão na oferta reflete mudanças setoriais

Pelo lado da oferta, o Safra revisou para baixo a projeção da agropecuária, em função da surpresa negativa no primeiro trimestre, que reduziu o carrego estatístico para o restante do ano.

Apesar da expectativa de uma safra recorde de grãos em 2026, o crescimento do setor tende a ser mais moderado, influenciado pela elevada base de comparação de 2025 e pela possibilidade de redução no abate de bovinos.

Em contrapartida, a projeção para a indústria foi revisada para cima. O destaque recai sobre a indústria extrativa mineral, sustentada pela expansão robusta da produção de petróleo, e sobre a construção civil, que apresentou desempenho acima do esperado no início do ano.

A expansão do programa Minha Casa Minha Vida também deve contribuir para o setor. Com esses ajustes, o Safra passou a projetar crescimento de 2,1% para a indústria em 2026. O setor de serviços, por sua vez, permaneceu em linha com as estimativas anteriores.

Consumo das famílias surpreende no início do ano

Pelo lado da demanda, o banco elevou a projeção de crescimento do consumo das famílias para 1,9% em 2026. O resultado reflete a surpresa positiva do primeiro trimestre, impulsionada pelos efeitos da desoneração do Imposto de Renda da Pessoa Física e pelo aumento do salário mínimo.

Para os próximos trimestres, no entanto, o elevado comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida tende a limitar um avanço mais consistente do consumo pessoal.

Investimentos seguem pressionados pelo ambiente econômico

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) também cresceu acima do esperado no primeiro trimestre. Parte relevante desse avanço, porém, esteve associada à importação de uma plataforma de petróleo, o que confere caráter pontual ao resultado.

Além disso, os investimentos seguem pressionados pelo nível elevado da taxa de juros e pelo ambiente de incerteza, fatores que restringem uma recuperação mais robusta da confiança. Nesse contexto, o Safra manteve a projeção de crescimento de 0,6% para a FBCF em 2026.

Setor externo deve contribuir positivamente

Com a maior absorção doméstica, o banco revisou marginalmente a projeção de crescimento das importações para 3,1%. Ao mesmo tempo, elevou a estimativa para as exportações, agora projetadas em alta de 5,2%, refletindo sobretudo a melhora na produção de petróleo e derivados.

Como resultado, o setor externo deve contribuir positivamente para o crescimento econômico em 2026, funcionando como um importante suporte à atividade em um cenário de demanda interna mais moderada.

Desaceleração segue no radar para os próximos trimestres

Apesar da revisão altista do cenário para o ano, o Banco Safra avalia que a atividade econômica tende a desacelerar ao longo dos próximos trimestres. A política monetária ainda restritiva, as incertezas no ambiente externo, especialmente relacionadas ao conflito no Oriente Médio, e as pressões inflacionárias recentes devem reduzir o poder de compra das famílias.

Além disso, parte relevante do impulso fiscal direcionado às famílias ocorreu no primeiro trimestre, ainda que seus efeitos secundários se estendam pelos meses seguintes. Considerando esse conjunto de fatores, o Safra estima uma desaceleração do crescimento do PIB para 0,3% no segundo trimestre, com expansão de 1,9% no acumulado de 2026.

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