Safra reforça estratégia global de investimentos e troca ouro por dólar
Relatório mensal do Banco Safra reforça estratégia de diversificação global, com maior alocação em empresas ligadas à inteligência artificial e redução de exposição ao mercado doméstico diante de juros elevados e volatilidade local
3 minutos Publicado em
Movimento de diversificação internacional ganha força nas carteiras recomendadas do Safra, com foco em tecnologia, inteligência artificial e proteção cambial | Foto: getty Images
O Banco Safra reforçou a estratégia de diversificação internacional, em um movimento que reflete a combinação de juros elevados nos Estados Unidos, perda de dinamismo da Bolsa brasileira e continuidade do fluxo global para empresas de tecnologia e inteligência artificial.
Segundo o Safra Report, relatório mensal de alocação do banco, as principais mudanças foram a redução adicional da exposição a ativos pós-fixados e fundos multimercados, acompanhada do aumento da participação de investimentos internacionais, especialmente em companhias ligadas ao ciclo de inteligência artificial.
Outra alteração relevante foi a substituição da posição em ouro por exposição ao dólar dentro da parcela de proteção da carteira. A decisão reflete uma visão mais favorável para a moeda americana no curto prazo, diante da resiliência da economia dos EUA e do aumento das incertezas domésticas no Brasil.
Bolsa brasileira perde força em junho
O ambiente doméstico permaneceu pressionado ao longo de junho. O Ibovespa encerrou o mês com queda próxima de 1%, ampliando o movimento recente de menor tração dos ativos locais, apesar de ainda acumular valorização no ano.
Fluxo estrangeiro e juros elevados pressionam ativos locais
Na avaliação do Safra, o mercado brasileiro continua enfrentando um cenário de cautela, marcado pela retirada de fluxo estrangeiro e pela percepção de que os juros permanecerão elevados por um período mais longo.
O contexto externo também contribuiu para esse movimento. Nos Estados Unidos, os indicadores econômicos seguem apontando resiliência da atividade, sustentada pelo consumo e por um mercado de trabalho ainda robusto. Isso levou o Federal Reserve a manter uma postura conservadora em relação ao início do ciclo de cortes de juros.
Como consequência, o dólar se fortaleceu globalmente em junho, registrando sua maior valorização mensal em quase um ano.
Inteligência artificial segue concentrando fluxo global
Enquanto o mercado brasileiro perdeu fôlego, os principais índices internacionais continuaram sustentados pelo avanço das empresas de tecnologia.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 renovou máximas históricas ao longo de junho, impulsionado pelo ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e pelos resultados sólidos das gigantes de tecnologia. Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, também renovou recordes históricos durante o período.
Safra reduz multimercados e amplia participação em tecnologia
O Safra afirma que a diminuição da exposição a fundos multimercados decorre da dificuldade de parte da indústria em gerar retornos consistentes em um ambiente de mercado mais direcional e fortemente concentrado no tema de tecnologia.
Em contrapartida, a ampliação da exposição internacional busca capturar o movimento estrutural de alocação em inovação e inteligência artificial, que continua liderando os fluxos globais de investimento.
Dólar substitui ouro como proteção
A troca da posição em ouro por dólar dentro da estratégia defensiva da carteira sinaliza uma mudança relevante de percepção do comitê de alocação do Safra.
Segundo o relatório, o ambiente de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo, combinado à resiliência econômica americana e ao aumento da volatilidade política doméstica em função do cenário eleitoral brasileiro, favorece o dólar como principal instrumento de proteção no curto prazo.
A leitura do banco é que a moeda americana tende a apresentar melhor desempenho relativo em um ambiente de maior incerteza global e doméstica.
Carteira busca reduzir dependência do cenário nacional
Com as mudanças implementadas para julho, o Safra reforça uma estratégia de menor dependência do mercado doméstico e maior exposição a tendências estruturais globais.
A avaliação do banco é de que o cenário brasileiro continua marcado por volatilidade, menor previsibilidade econômica e sensibilidade ao comportamento dos juros, enquanto os mercados internacionais seguem beneficiados pelo avanço tecnológico e pela concentração de capital em inteligência artificial.
Leia também