Carteiras elevam exposição internacional em meio à volatilidade local
Com Bolsa brasileira pressionada por inflação e juros elevados, recomendação do Safra Report para o mês aumenta a exposição internacional e reduz o peso de pós-fixados
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Ajuste de junho privilegia diversificação geográfica e maior participação em ativos internacionais, com foco em tecnologia e inteligência artificial
As carteiras de investimentos recomendadas pelo Banco Safra para o mês de junho passaram por um ajuste pontual: reduziram a alocação em ativos pós-fixados e ampliaram a exposição internacional, sobretudo em temas ligados a tecnologia e inteligência artificial. A mudança ocorre após uma postura mais defensiva em maio e busca aumentar a diversificação geográfica em meio a um cenário doméstico mais desafiador.
O movimento reflete a diferença de desempenho entre os mercados, segundo o Safra Report – relatório mensal de investimentos recomendados pelos especialistas do Banco Safra. Enquanto o Ibovespa caiu 7,22% em maio, pressionado por inflação, juros ainda elevados e cautela com o ambiente local, o mercado americano seguiu mais resiliente.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 renovou máximas históricas, sustentado por resultados corporativos fortes e pelo avanço das empresas expostas à inteligência artificial.
Cenário local perde tração
No Brasil, a projeção para o PIB em 2026 é de crescimento de 1,6%, com desaceleração gradual da atividade ao longo do ano. A inflação medida pelo IPCA é estimada em 4,9%, enquanto a Selic deve encerrar 2026 em 12,75% ao ano, segundo o relatório. Esse ambiente segue limitando o apetite por ativos locais mais sensíveis ao ciclo econômico.
Em maio, além da queda do Ibovespa, o IFIX recuou 1,33%. Na renda fixa, os principais índices ficaram no campo positivo: CDI subiu 1,07%, IRF-M avançou 0,68% e IMA-B teve alta de 0,31%. O dólar Ptax valorizou 1,37%, para R$ 5,05.
Alocação varia conforme o perfil
A estratégia mantém diferenças relevantes entre os perfis de investidor. No ultraconservador, a alocação segue integralmente em renda fixa. No conservador, a distribuição sugerida é de 77% em renda fixa, 8% em multimercados, 5% em renda variável local, 6% em ativos internacionais e 4% em alternativos.
Para o perfil moderado, a carteira indicada reúne 54% em renda fixa, 16% em multimercados, 10% em renda variável local, 13% em internacional e 7% em alternativos. Já o perfil dinâmico concentra 36% em renda fixa, 16% em multimercados, 17% em renda variável local, 21% em internacional e 10% em alternativos.
Diversificação ganha protagonismo
A avaliação é que, em um ambiente doméstico mais volátil, a diversificação fora do Brasil se torna mais importante para equilibrar risco e retorno. A aposta em ativos internacionais busca capturar um ciclo ainda favorável para bolsas globais, especialmente em setores associados à inovação, ao crescimento de lucros e à inteligência artificial.
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