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Ibovespa avança, mas cenário eleitoral pede cautela em outubro

Com eleições no radar, juros americanos em máximas de cinco anos e bolsa brasileira após forte rali, Comitê de Alocação do Safra preserva todas as posições do portfólio

5 minutos
Safra Report

Após avançar 5,03% em setembro, o Ibovespa entrou em outubro apoiado por fluxo estrangeiro e expectativas sobre o cenário eleitoral e os juros

Há meses em que o maior desafio de uma estratégia de investimentos não está em definir novos destinos para o capital, mas em resistir à necessidade de alterar o portfólio. Para outubro de 2026, essa foi a escolha do Comitê de Alocação do Safra apresentada no Safra Report, o relatório mensal com recomentações de investimentos para clientes e investidores.

Depois de um setembro marcado por valorização expressiva da bolsa brasileira, retomada do fluxo estrangeiro, corte da taxa Selic e aumento da incerteza eleitoral, o banco decidiu manter inalteradas as recomendações para todas as classes de ativos.

A decisão reflete a avaliação de que os ajustes estruturais adotados nos últimos meses, especialmente a maior exposição a títulos prefixados, já incorporam o cenário de desinflação e continuidade gradual do ciclo de cortes de juros no Brasil.

Ibovespa tem melhor mês desde janeiro

O Ibovespa encerrou setembro com alta de 5,03%, aos 186.340 pontos. Foi o melhor desempenho mensal do índice desde janeiro de 2026, quando havia avançado 12,56%.

Com o resultado, a bolsa brasileira acumulou valorização de 15,6% no ano até o fim de setembro. O movimento ocorreu em um mês de maior apetite estrangeiro por ativos locais e de intensificação do debate eleitoral.

Fluxo estrangeiro sustenta rali da bolsa

A entrada de recursos externos foi um dos principais vetores da valorização do mercado acionário brasileiro. Até 28 de setembro, investidores estrangeiros haviam realizado aportes líquidos de R$ 9,6 bilhões na B3 no mês.

O dado representou uma reversão parcial diante da saída líquida de R$ 18,1 bilhões registrada em agosto. No acumulado de 2026, o saldo positivo dos investidores estrangeiros alcançou cerca de R$ 27,7 bilhões.

Além do fluxo financeiro, a proximidade do primeiro turno das eleições adicionou volatilidade e aumentou o interesse do mercado por ativos associados a diferentes cenários políticos e fiscais.

Selic cai para 13,75% ao ano

No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em setembro, para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo no atual ciclo de flexibilização monetária.

A ata da reunião reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica, sobretudo nos setores mais sensíveis ao crédito e ao consumo.

Esse ambiente mantém aberta a discussão sobre novos cortes, embora o ritmo e a extensão do ciclo dependam da trajetória da inflação, da política fiscal e das condições externas.

Juros americanos pressionam ativos globais

Enquanto a bolsa brasileira avançou, os mercados internacionais enfrentaram um mês mais desafiador. A principal pressão veio dos títulos públicos dos Estados Unidos de prazo mais longo.

O rendimento do Treasury de 30 anos encerrou setembro em 5,64%, o maior nível em cinco anos. No último dia do mês, a taxa atingiu 5,65% durante os negócios.

Juros longos mais elevados reduzem a atratividade relativa dos ativos de risco e ampliam o custo de capital global. Ao mesmo tempo, a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz pressionou o petróleo e adicionou incerteza ao cenário internacional.

Wall Street tem desempenho desigual

O contraste entre Brasil e Estados Unidos ficou evidente nos índices acionários. O Dow Jones recuou mais de 4% em setembro, enquanto o S&P 500 caiu 0,5%.

O Nasdaq foi a exceção, com alta de 1,8% no mês, sustentado principalmente pelas empresas ligadas à inteligência artificial. Ainda assim, a performance desigual de Wall Street reforçou a cautela diante de taxas de juros elevadas e de um ambiente global menos favorável aos ativos de risco.

Safra Report mantém todas as classes de ativos

Diante desse quadro, o Comitê de Alocação do Safra optou por não alterar as posições recomendadas no Safra Report de outubro.

A estratégia busca preservar os ganhos das mudanças implementadas anteriormente e evitar decisões táticas às vésperas de um período eleitoral decisivo. Para o banco, alterar o portfólio sem maior visibilidade sobre os desdobramentos políticos e externos significaria substituir risco calculado por ruído de curto prazo.

A manutenção da alocação não representa inércia. Ao contrário, expressa a avaliação de que o portfólio atual segue adequado para combinar a perspectiva de queda gradual dos juros locais com a necessidade de proteção diante da volatilidade internacional.

Eleições e exterior definem próximos passos

O primeiro turno das eleições, previsto para outubro, deve concentrar a atenção dos investidores nas próximas semanas. Em paralelo, a evolução dos juros americanos continuará sendo determinante para o comportamento dos mercados globais e dos fluxos para países emergentes.

Por enquanto, o Safra entende que a estratégia mais consistente é manter as posições e aguardar maior clareza. Em um ambiente de sinais contraditórios, a disciplina de não reagir ao ruído pode ser tão importante quanto a escolha dos ativos.

Recomendações de investimentos por perfil de investidor

A avaliação do perfil de investidor nos ajuda a entender três aspectos fundamentais:

  1. Capacidade para investir, considerando o equilíbrio entre renda, despesa, poupança e reservas atuais;
  2. Tolerância às oscilações nos valores dos investimentos;
  3. Conhecimento e experiência com investimentos.

A combinação ponderada desses aspectos classifica o investidor em um dos quatro perfis abaixo:

Ultraconservador

Investidores ultraconservadores demonstram baixíssima tolerância às possíveis oscilações nos seus investimentos. Mesmo assim, entendemos que existe espaço para diversificação por meio de Renda Fixa e Fundos Multimercado. Além disso, aplicações com prazos mais longos têm potencial de gerar retorno adicional para os investimentos, porém com riscos controlados.

Conservador

Investidores conservadores demonstram baixa aceitação às oscilações nas suas carteiras. No entanto, não quer dizer que não aceitem oscilações. Neste sentido, entendemos que existe espaço para a diversificação além da Renda Fixa e Fundos Multimercado, adicionando uma parcela de investimentos em Renda Variável Local e ativos internacionais.

Moderado

Investidores moderados aceitam oscilações em seus portfólios em prol do maior potencial de retorno. Fundos Multimercados podem ser predominantes na alocação para potencializar a expectativa de retorno esperado. Pensamento de longo prazo éimportante para este investidor.

Dinâmico

Investidores dinâmicos aceitam oscilações significativas em seus investimentos em busca de maiores potenciais de retornos. Poderá haver maior exposição à Renda Variável, Fundos Imobiliários e Internacional, com o objetivo de potencializar retornos diferenciados. O foco no longo prazo é muito importante para este investidor.

J. Safra Investment Conference 2026

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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