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Safra prevê desaceleração do PIB, inflação menor e Selic a 11% em 2027

Banco projeta crescimento de 1,4% para a economia brasileira no próximo ano, com melhora da inflação e das contas externas, mas aumento da dívida bruta para 86,8% do PIB

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Porto com navios

Projeções do Banco Safra apontam desaceleração da atividade em 2027, continuidade da desinflação e redução gradual da taxa Selic, enquanto o endividamento público seguirá em alta | Foto: Getty Images

O Banco Safra projeta uma desaceleração moderada da economia brasileira em 2027, com crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4%, ante expansão estimada de 1,9% em 2026. O cenário considera os efeitos defasados da política monetária restritiva, menor impulso fiscal e acomodação do mercado de trabalho.

A inflação medida pelo IPCA deve recuar de 4,8% em 2026 para 3,9% em 2027, enquanto a taxa Selic tende a cair para 11% ao ano ao fim do próximo ano, segundo as estimativas mais recentes da instituição.

Atividade econômica perde ritmo em 2027

O consumo das famílias deve crescer 1,4% em 2027, abaixo dos 1,9% projetados para 2026. O desempenho será limitado pelo elevado comprometimento da renda com o serviço da dívida, pela desaceleração do crédito e pela menor expansão da massa salarial.

A formação bruta de capital fixo, por sua vez, deve avançar 1,2%, após alta estimada de 0,9% neste ano. A continuidade dos investimentos em plataformas de petróleo e infraestrutura deve compensar parte dos efeitos negativos dos juros ainda elevados.

Entre os setores, o Safra projeta crescimento de:

Indicador20262027
PIB1,9%1,4%
Consumo das famílias1,9%1,4%
Consumo do governo1,9%1,5%
Formação bruta de capital fixo0,9%1,2%
Agropecuária1,2%1,0%
Indústria2,1%1,4%
Serviços1,8%1,6%
Desemprego médio5,7%6,1%

A indústria deve ser o segmento mais afetado pelos efeitos defasados da política monetária, embora a produção de petróleo continue contribuindo positivamente. Na agropecuária, o principal risco está relacionado ao impacto do fenômeno El Niño sobre a produção e a produtividade das safras.

Inflação deve recuar, apesar dos riscos climáticos

O Safra revisou a projeção para o IPCA de 2026 de 4,9% para 4,8%, após a divulgação de um IPCA-15 de agosto mais favorável do que o esperado. A instituição destaca a desaceleração disseminada dos núcleos de inflação, com alívio em serviços, bens industriais e alimentos.

Para 2027, a projeção é de inflação de 3,9%. A principal contribuição para a desinflação deverá vir dos bens industriais, cuja alta deve recuar de 3,4% em 2026 para 2% no próximo ano.

A inflação de serviços deve ceder de 5,6% para 5,3%, enquanto os preços de alimentos devem desacelerar de 5,7% para 4,5%. O El Niño, contudo, permanece como fonte de risco para os preços agrícolas e para as cadeias de proteínas.

Selic deve encerrar 2027 em 11%

Com a inflação em trajetória declinante e a atividade econômica mais fraca, o Banco Safra espera continuidade do ciclo de redução dos juros. A projeção para a Selic ao fim de 2026 foi revisada de 13,5% para 13,25%, e a taxa deve chegar a 11% ao ano no encerramento de 2027.

A avaliação considera que a moderação da demanda e a melhora das expectativas de inflação abrirão espaço para o Banco Central calibrar gradualmente a política monetária.

Contas externas permanecem favoráveis

O Safra projeta superávit comercial de US$ 81 bilhões em 2027, pela metodologia da Secretaria de Comércio Exterior, com exportações de US$ 398 bilhões e importações de US$ 317 bilhões.

Na ótica do balanço de pagamentos, utilizada pelo Banco Central, o superávit comercial estimado é de US$ 70 bilhões. A expansão da produção agrícola e energética, especialmente de soja e petróleo, deve sustentar as vendas externas.

Indicador externo20262027
Balança comercial — metodologia BCBUS$ 75 biUS$ 70 bi
ExportaçõesUS$ 387 biUS$ 398 bi
ImportaçõesUS$ 312 biUS$ 328 bi
Déficit em conta corrente-2,3% do PIB-2,5% do PIB
Investimento direto no paísUS$ 90 biUS$ 86 bi
IDP como proporção do PIB3,4%3,0%
Câmbio no fim do períodoR$ 5,10R$ 5,20

Apesar da redução projetada no investimento direto como proporção do PIB, o fluxo deverá continuar suficiente para financiar o déficit em transações correntes. O diferencial elevado de juros também tende a favorecer a entrada de recursos em títulos de dívida e empréstimos.

Dívida pública seguirá em trajetória de alta

No campo fiscal, o Safra estima déficit primário de 0,1% do PIB em 2027, uma melhora em relação ao déficit de 0,4% projetado para 2026. O resultado, entretanto, não será suficiente para impedir o aumento do endividamento.

A conta de juros deve equivaler a 8,3% do PIB, levando o déficit nominal a 8,4% do PIB. Mesmo com a queda esperada da Selic e da inflação, o custo médio da dívida bruta permanecerá elevado, em torno de 12% ao ano.

Com crescimento econômico mais lento, juros reais altos e resultado primário ainda deficitário, a dívida bruta deve alcançar 86,8% do PIB em 2027, ante 83% estimados para este ano.

Principais projeções fiscais

Indicador fiscal20262027
Resultado primário-0,4% do PIB-0,1% do PIB
Juros nominais8,7% do PIB8,3% do PIB
Resultado nominal-9,1% do PIB-8,4% do PIB
Dívida bruta83,0% do PIB86,8% do PIB

Síntese do cenário

As projeções do Banco Safra combinam desaceleração moderada da atividade, desinflação e continuidade do ciclo de queda dos juros. O ambiente externo deve permanecer favorável, apoiado pelo superávit comercial e pelo ingresso de capitais.

O principal ponto de atenção está nas contas públicas. Embora o resultado primário apresente melhora, a combinação entre juros ainda elevados, crescimento modesto e déficit fiscal deverá manter a dívida bruta em trajetória ascendente.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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