Havan mostra crédito sólido e planeja expansão com mais 15 lojas em 2026
Analistas do Banco Safra avaliam que a varejista mantém perfil de risco baixo, caixa líquido confortável e capacidade de abrir novas lojas sem pressionar o balanço, embora sigam monitorando execução da expansão, margens e consumo das famílias
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Relatório de crédito do Safra destaca crescimento de receita da Havan em 2025, manutenção de caixa líquido e plano de expansão para 200 megalojas até o fim de 2026 | Foto: Divulgação
A visão dos analistas do Banco Safra para a varejista Havan é construtiva do ponto de vista de crédito, mas sem perder de vista os fatores de risco de execução. O banco divulgou atualização de crédito que atribui à companhia perfil de risco baixo e perspectiva neutra, sustentado pela manutenção de uma posição de caixa líquido, pela geração robusta de caixa operacional e pela capacidade de financiar a expansão sem recorrer, em princípio, a maior alavancagem do balanço.
A avaliação reflete um 2025 de avanço relevante em escala, ainda que acompanhado de alguma compressão de margens. A receita líquida consolidada da varejista somou R$ 13,7 bilhões, alta de 17,1% na comparação anual, enquanto o EBITDA atingiu R$ 3 bilhões, com crescimento de 7,9%.
A margem EBITDA, por sua vez, recuou 1,9 ponto percentual, para 21,9%, em um movimento associado a mudanças no mix de vendas e ao aumento das despesas comerciais.
Para o Safra, o dado central é que a Havan segue exibindo uma estrutura financeira bastante confortável. Ao fim de 2025, a companhia tinha caixa de R$ 1,1 bilhão, ante dívida bruta de R$ 546 milhões, o que resultou em posição de caixa líquido de R$ 580 milhões e em alavancagem de -0,2 vez dívida líquida/EBITDA, estável em relação ao ano anterior.
Expansão da Havan segue como vetor positivo, mas exige monitoramento
A leitura do Safra é que a Havan entra em 2026 em condição de sustentar um novo ciclo de crescimento orgânico. A empresa anunciou investimentos de até R$ 1,2 bilhão para a abertura de 15 lojas ao longo do ano, encerrando 2026 com 200 megalojas. Na avaliação do banco, esse processo pode ser executado sem necessidade de elevar de forma relevante a alavancagem financeira, mesmo com manutenção do pagamento de dividendos.
Crescimento das lojas reforça a tese operacional
Em 2025, a empresa abriu sete megalojas, ampliando em cerca de 5% sua área de vendas. O crescimento foi complementado por alta de 12,6% na receita por loja, sinalizando ganho de produtividade dos ativos já maduros e melhor captura de demanda nas regiões em que atua.
Os analistas ressaltam que parte da resiliência operacional decorre do posicionamento geográfico da rede. A Havan está presente majoritariamente em polos regionais com menor presença de shopping centers e de grandes redes varejistas, o que tende a reduzir a pressão concorrencial direta. Soma-se a isso um portfólio amplo, com mais de 350 mil SKUs, além da contribuição de marcas próprias e da operação de crédito via cartão Havan.
Margens menores não comprometem, por ora, a qualidade de crédito
Embora a rentabilidade tenha permanecido em patamar elevado para o setor, o Safra chama atenção para a deterioração marginal observada em 2025. A margem bruta caiu de 41,5% para 39,7%, enquanto a margem EBITDA recuou de 23,8% para 21,9%. O movimento foi atribuído a alterações no mix de vendas e a maiores despesas com vendas, parcialmente compensadas por redução das despesas gerais e administrativas e por maior alavancagem operacional.
Ainda assim, a leitura do banco é que a Havan segue exibindo métricas superiores às de outros operadores do varejo discricionário. Esse histórico, segundo os analistas, apoia a percepção de que a empresa tem condições de atravessar o ciclo de expansão com preservação relativa de rentabilidade, desde que mantenha disciplina na abertura e maturação das novas unidades.
Geração de caixa livre permanece positiva, apesar dos dividendos
O relatório estima geração de caixa livre de R$ 136 milhões em 2025, acima dos R$ 117 milhões de 2024. A geração operacional de caixa foi estimada em R$ 2,2 bilhões, enquanto os desembolsos incluíram R$ 180 milhões em investimentos, cerca de R$ 421 milhões em despesas financeiras e arrendamentos e R$ 1,5 bilhão em dividendos.
Esse ponto é relevante para a tese do Safra porque indica que, mesmo com distribuição expressiva de resultados, a companhia preservou liquidez suficiente para manter a estratégia de crescimento sem deterioração material do perfil financeiro.
Perspectiva neutra decorre mais de cautela do que de fragilidade
A perspectiva neutra atribuída pelo Safra não decorre de um enfraquecimento do crédito, mas da necessidade de acompanhar variáveis que podem alterar o quadro ao longo do novo ciclo de investimentos.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- A execução da expansão, sobretudo a velocidade de maturação das novas lojas;
- Possíveis impactos regulatórios e trabalhistas, com potencial de pressionar margens;
- O nível de endividamento das famílias, que pode afetar a demanda no varejo;
- A evolução da geração operacional de caixa em um ambiente ainda desafiador para consumo discricionário.
No cenário de sensibilidade traçado pelos analistas, a Havan conseguiria cumprir o plano de investimento de 2026 mesmo com uma queda de até 20% na geração operacional de caixa. Nesse caso, porém, a companhia sairia da atual posição de caixa líquido e passaria a exibir alavancagem de 0,1 vez. No cenário-base do Safra, com margem EBITDA acima de 20%, a empresa ainda mantém folga de caixa.
O que a visão do Safra sinaliza ao investidor em crédito
Para o investidor de renda fixa, a conclusão do relatório é objetiva: a Havan continua sendo vista como um emissor de baixo risco de crédito, apoiado por liquidez robusta, baixa alavancagem, geração de caixa consistente e uma estratégia de expansão considerada financiável dentro da atual estrutura de capital.
Ao mesmo tempo, o Safra evita uma leitura excessivamente otimista. A perspectiva neutra indica que, embora o ponto de partida seja forte, a preservação dessa qualidade dependerá da capacidade de a companhia expandir sem perda mais intensa de margem e sem deterioração relevante do ambiente de consumo.
Em síntese, a visão dos analistas do Banco Safra é que as perspectivas da Havan permanecem positivas sob a ótica de crédito, com fundamentos suficientes para sustentar crescimento em 2026, mas sob acompanhamento atento de execução operacional, cenário regulatório e renda das famílias.
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