Safra vê cautela no curto prazo e mantém visão positiva para Bolsa
J. Safra Macro Day, evento voltado a oferecer aos investidores informações e conteúdo para decisões estratégicas, reuniu autoridades e especialistas para discutir juros, geopolítica, IA e eleições
01/04/2026 2 minutos
Painéis do J. Safra Macro Day discutiram os efeitos de inflação, juros, geopolítica e eleições sobre os investimentos | Foto: Divulgação
O Banco Safra mantém cautela no curto prazo para o mercado acionário, em meio ao aumento das incertezas geopolíticas e eleitorais, mas preserva uma visão positiva para a Bolsa brasileira no médio prazo. A avaliação consta de relatório divulgado em 31 de março, após o J. Safra Macro Day, realizado no dia 30.
O evento tem por objetivo oferecer aos investidores acesso a informações e conteúdos para apoiar decisões estratégicas. Nesta edição, reuniu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o Nobel de Economia Daron Acemoglu, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, entre diversos outros participantes.
Segundo o Safra, a alta do petróleo, os riscos fiscais e a possibilidade de desaceleração econômica seguem no centro das preocupações, pelo impacto potencial sobre inflação e juros. No cenário externo, o relatório cita discussões sobre tarifas, mudanças na globalização e redistribuição de fluxos comerciais.
A instituição destaca que, diante desse quadro, os bancos centrais têm atuado com cautela. O cenário-base do Safra continua sendo de corte de juros, mas em ritmo gradual.
O relatório informa que o Ibovespa tende a chegar a 220 mil pontos em 12 meses, o que implica potencial de valorização de 17,35% em relação ao patamar atual (187.461 pontos).
Galípolo defende parcimônia
No painel sobre economia brasileira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que riscos fiscais globais, endividamento elevado em economias avançadas e choques geopolíticos ampliaram as incertezas sobre a trajetória dos juros.
O presidente do BC disse que o Brasil está relativamente mais protegido por ser exportador de petróleo e por ter implementado política monetária restritiva. Ainda assim, a autoridade monetária tem incorporado os choques de forma gradual, evitando reações bruscas.
O relatório também destaca a avaliação de que a economia brasileira segue resiliente, embora com mercado de trabalho apertado e endividamento elevado das famílias.
Evento tratou de IA, geopolítica e eleições
Na discussão sobre inteligência artificial, Daron Acemoglu afirmou que os ganhos mais amplos de produtividade dependem da combinação entre tecnologia e trabalho, e não apenas da automação. Para países emergentes, o relatório aponta oportunidades em energia, dados, recursos naturais e aplicações industriais.
No painel sobre geopolítica, Marcos Troyjo afirmou que o ambiente internacional passou a ser marcado por maior competição e fragmentação, com efeitos sobre comércio, tecnologia e cadeias produtivas. Para o Brasil, o Safra vê riscos, mas também oportunidades ligadas à segurança alimentar, energética e a minerais críticos.
A agenda eleitoral também esteve entre os temas do evento. Oos debates trataram de reformas estruturais, novas candidaturas e pesquisas recentes para a eleição presidencial de 2026. A leitura apresentada foi de disputa apertada entre os principais candidatos, com peso de temas como impostos, programas sociais, confiança nas instituições e segurança pública.
Fiscal e produtividade seguem no foco
O Safra avalia que a aproximação das eleições pode elevar a volatilidade dos ativos domésticos. Ao mesmo tempo, avaliou que a percepção de que o ajuste fiscal será inevitável no próximo ciclo político pode representar um ponto de inflexão para os ativos brasileiros.
No horizonte mais longo, o relatório aponta que o crescimento dependerá de ganhos de produtividade, maior inserção do país nas cadeias globais e melhora do ambiente de investimentos. A instituição também cita o avanço de reformas, como a tributária, entre os fatores que podem sustentar o mercado.
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