Sabesp e Copasa: saneamento oferece potencial de alta de até 23%
Banco Safra eleva recomendação das companhias para compra e destaca combinação de previsibilidade de receitas, ganhos de eficiência e oportunidades de expansão como motores de valorização dos papéis
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Ações de empresas de saneamento vêm sendo apontadas como alternativas defensivas para investidores em períodos de maior volatilidade econômica, combinando geração de caixa previsível e perspectivas de crescimento de longo prazo | Foto: Getty Images
O Banco Safra elevou de neutra para compra sua recomendação para as ações da Sabesp (SBSP3) e da Copasa (CSMG3), em uma revisão que reflete perspectivas mais favoráveis para o setor de saneamento básico no Brasil.
Segundo relatório publicado pela equipe de Equity Research do Safra, os papéis ainda apresentam espaço relevante para valorização, apoiados por ganhos operacionais, expansão da cobertura dos serviços e um ambiente regulatório considerado sólido.
As novas estimativas apontam preço-alvo de R$ 76 para as ações da Copasa até o fim de 2026, ante projeção anterior de R$ 65, o que representa potencial de valorização total de aproximadamente 23%. Para a Sabesp, o preço-alvo foi elevado de R$ 29 para R$ 33, indicando potencial de alta de cerca de 16%.
A revisão ocorre em um momento em que investidores buscam ativos capazes de oferecer maior previsibilidade de resultados diante das incertezas macroeconômicas, especialmente em um cenário de juros ainda elevados e volatilidade nos mercados globais.
Por que o saneamento voltou ao radar dos investidores
Na avaliação dos analistas do Safra, o setor reúne características que o tornam relativamente menos sensível às oscilações da atividade econômica quando comparado a outros segmentos da bolsa.
O consumo de água e a demanda por serviços de esgoto tendem a apresentar baixa ciclicidade, uma vez que estão ligados a necessidades essenciais da população. Além disso, a expansão da cobertura dos serviços continua sendo um importante vetor de crescimento para as empresas do setor.
Outro fator apontado pelo banco é a continuidade dos investimentos exigidos pelo marco legal do saneamento, que prevê avanços significativos na universalização dos serviços nas próximas décadas.
Crescimento aliado à previsibilidade
A expectativa dos analistas é que tanto Sabesp quanto Copasa consigam combinar crescimento de receita com expansão de rentabilidade nos próximos anos.
Esse movimento seria sustentado por três fatores principais: Ampliação da cobertura de água e esgoto; redução de custos operacionais e Melhoria dos indicadores de inadimplência e eficiência comercial.
O relatório destaca ainda que eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño podem contribuir para elevar o consumo de água em determinadas regiões, criando um impulso adicional para o crescimento das receitas.
Privatização impulsiona ganhos de eficiência
Grande parte da tese de investimento está associada aos efeitos da privatização e da modernização da gestão das companhias.
No caso da Sabesp, os resultados já observados após a privatização indicam redução próxima de 30% nos custos em relação ao período anterior. O Safra projeta que a companhia possa alcançar margens EBITDA entre 70% e 75% ao longo dos próximos anos.
Para a Copasa, o banco enxerga potencial semelhante de captura de eficiência, ainda que parte desse processo dependa da implementação de iniciativas de reestruturação operacional.
Segundo os analistas, comparações com operadores privados mostram que os custos com pessoal da companhia mineira podem ser significativamente superiores aos de empresas mais eficientes do setor. O modelo do Safra incorpora uma redução gradual desse diferencial, o que contribuiria para ampliar a geração de caixa da companhia.
Revisão das projeções financeiras
A atualização das estimativas também levou em consideração os resultados mais recentes das empresas; as novas premissas para juros e inflação; o reconhecimento de investimentos regulatórios e a inclusão de pagamentos de outorgas e extensões de concessões.
Com isso, o banco elevou suas projeções de EBITDA para a Copasa entre 2027 e 2028 em aproximadamente 8%, enquanto as estimativas para a Sabesp avançaram cerca de 7% em relação às projeções anteriores.
Novas oportunidades de expansão
Além dos ganhos internos de eficiência, os analistas identificam oportunidades relevantes de crescimento para ambas as empresas.
Em São Paulo, a expectativa é que o governo estadual avance até o final de 2026 com novos leilões de áreas de saneamento que ficaram fora dos contratos originais da URAE-1. As consultas públicas já abertas pelo estado abrangem aproximadamente 150 municípios e podem representar investimentos de até R$ 20 bilhões.
Em Minas Gerais, a Copasa possui presença em cerca de 300 municípios onde opera apenas o serviço de abastecimento de água. A eventual inclusão dos serviços de esgoto nesses contratos é vista como uma oportunidade relevante para ampliar receitas e acelerar a universalização do saneamento.
Quais riscos permanecem no horizonte
Apesar da visão positiva, o Safra destaca que alguns fatores ainda podem gerar volatilidade para as ações.
Ambiente político e regulatório
As eleições dos próximos anos podem trazer incertezas ao setor, já que os governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais continuam como acionistas relevantes das companhias e mantêm influência sobre aspectos regulatórios das concessões.
Embora os contratos ofereçam mecanismos de proteção aos investidores, mudanças em parâmetros regulatórios continuam sendo um risco monitorado pelo mercado.
Execução operacional
Entre os principais riscos apontados pelos analistas estão:
- Decisões regulatórias desfavoráveis;
- Descumprimento das metas de universalização;
- Ganhos de eficiência inferiores aos projetados;
- Condições hidrológicas adversas;
- Alocação inadequada de capital.
O que significa para o investidor
Para investidores não especializados, a revisão do Safra reforça uma característica cada vez mais valorizada no mercado: empresas capazes de crescer sem depender diretamente dos ciclos econômicos.
Nesse contexto, Sabesp e Copasa aparecem como alternativas que combinam receitas relativamente previsíveis, forte necessidade de investimentos estruturais no país e potencial de captura de eficiência operacional. A combinação desses fatores levou o banco a enxergar espaço para valorização adicional dos papéis, mesmo após o desempenho positivo registrado pelo setor nos últimos meses.
A tese também se beneficia de um horizonte de longo prazo, apoiado por contratos de concessão extensos, expansão da base regulatória de ativos e demanda estrutural por serviços de saneamento, um segmento que ainda apresenta importantes lacunas de cobertura no Brasil.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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