Copom mantém taxa básica de juros em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva
Especialistas do Banco Safra avaliam que a redução da taxa Selic deve começar somente a partir de janeiro de 2026
05/11/2025 5 Minutos
Taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026, segundo analistas consultados pela pesquisa Focus, do BC | Foto: Getty Images
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva. A decisão confirmou as expectativas do mercado financeiro.
O comunicado trouxe poucas mudanças e reforçou a postura austera do comitê, reafirmando que “exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
A qualificação da atividade econômica passou de “certa moderação” para “trajetória de moderação”, o que implica maior confiança na desaceleração da atividade econômica. Além disso, notou “algum arrefecimento” da inflação e das medidas subjacentes.
A projeção de inflação da autoridade monetária para o horizonte relevante (segundo trimestre de 2027), passou de 3,4% para 3,3%. Essa estimativa ficou na mediana das expectativas, acima do centro da meta, reforçando a mensagem conservadora.
Além disso, seguiu com a menção de que o “Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Os especialistas do Banco Safra destacam que a taxa Selic está em patamar “significativamente contracionista” de 15,00% a.a. desde a reunião do comitê de junho.
O comunicado austero eleva a relevância dos próximos indicadores econômicos e da evolução das expectativas de inflação do Relatório Focus, essenciais para a convergência das projeções do BCB para a meta. A ata, que será divulgada na próxima terça-feira, trará mais elementos para a análise da trajetória da política monetária.
Comunicado do copom cita tarifas dos EUA e política fiscal interna
“O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, destaca o comunicado do Banco Central.
Na última reunião, em setembro, quando anunciou a decisão de manter a taxa inalterada no maior patamar em quase duas décadas, o Copom informou em comunicado que a taxa Selic ficaria “em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
De acordo com Boletim Focus do Banco Central, a inflação projetada na pesquisa com analistas para 2025 recuou levemente, de 4,85% para 4,83%, mas continua acima do limite superior da meta oficial de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O cenário indica a avaliação de que ainda não há espaço para cortes de juros no momento.

De acordo com a pesquisa semanal do BC, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026.
Copom deve iniciar corte da Selic em 2026
Analisando os dados da economia referentes aos meses de setembro e outubro, o Banco Safra avalia que há sinais de arrefecimento da atividade econômica devido à política monetária restritiva.
O Safra avalia que a redução da taxa Selic deve começar somente a partir de janeiro de 2026. O banco avalia que a expansão do PIB deve ficar em 2,1% em 2025 e 1,6% em 2026, abaixo do ritmo potencial da economia brasileira.
Íntegra do comunicado do Copom
“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,5% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.”
Nos EUA, juro deve voltar a cair em dezembro
O Federal Reserve (Fed) reduziu novamente a taxa básica de juros da economia em 0,25 p.p. na última quarta-feira. As taxas passaram para o intervalo entre 3,75% a.a. e 4,00% a.a.
A decisão já era esperada pelo mercado diante da sinalização de que, após a retomada do processo de flexibilização monetária em setembro, ainda haveria ao menos mais um corte neste ano.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que uma nova redução dos juros em dezembro está longe de ser garantida, o que os especialistas do Banco Safra interpretam como possibilidade de uma pausa na próxima reunião.
Ainda assim, as indicações do presidente do Fed são de que os próximos movimentos continuam sendo de corte de juros. Em sua fala ele avaliou que é razoável a hipótese de que as tarifas comerciais levem a apenas uma mudança de nível de preço e não uma fonte de inflação persistente.
Ele ainda observou que, sem os efeitos das tarifas, a inflação já estaria próxima da meta de 2%. Dessa forma, com a expectativa de que o efeito das tarifas se dissipe, a inflação tenderia a convergir para a meta ao longo do tempo.
O Fed deve dar sequência ao ciclo de redução da taxa de juros, mas existe uma chance de que esse movimento não ocorra na próxima reunião. A decisão será influenciada pela grande quantidade de dados que serão divulgados até lá, caso o shutdown seja encerrado a tempo de os órgãos estatísticos retomarem suas atividades e publicarem as informações do período.
Ainda assim, os especialistas do Banco Safra esperam que haverá condições de cortar em dezembro, dada a provável continuidade da desaceleração do mercado de trabalho e limitação das pressões inflacionárias.
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