Mercado de escritórios ganha tração em São Paulo e consolida retomada
Absorção líquida positiva, vacância em mínima histórica e valorização dos aluguéis reforçam mudança estrutural no mercado corporativo de alto padrão
10/03/2026 2 minutos
Edifícios corporativos de alto padrão nas regiões da Faria Lima, JK e Pinheiros, em São Paulo, que lideram a retomada do mercado de escritórios com queda da vacância e alta dos preços | Foto: Getty Images
O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo encerrou o quarto trimestre de 2025 em trajetória firme de recuperação, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado no primeiro semestre do ano.
A absorção líquida dos edifícios classe A e A+ na região central de negócios (Avenidas Paulista e Faria Lima e bairro de Pinheiros, entre outros) somou 26.645 metros quadrados no período, segundo análise dos especialistas do Banco Safra.
As regiões da JK, Pinheiros e Chucri Zaidan concentraram os melhores desempenhos, refletindo a preferência das empresas por localizações estratégicas e ativos mais eficientes. O movimento confirma uma retomada pautada por decisões seletivas de ocupação e expansão.
Faria Lima tem o metro quadrado mais caro do país
O preço médio pedido de locação em São Paulo chegou a R$ 144,29 por metro quadrado ao mês no quarto trimestre, mantendo trajetória de alta ao longo de 2025. A Faria Lima permaneceu como a região mais valorizada do mercado, com aluguéis médios de R$ 290,06 por metro quadrado, enquanto Pinheiros seguiu em processo contínuo de valorização.
A taxa de vacância encerrou o ano em 12,77%, o menor patamar da série histórica, impulsionada principalmente pelas regiões de Pinheiros, Chucri Zaidan e Rebouças. O indicador reforça o cenário de oferta mais ajustada, após anos de excesso de estoques.
Rio de Janeiro mantém dinâmica estável
No Rio de Janeiro, o mercado de escritórios classe A e A+ apresentou comportamento mais alinhado ao padrão estrutural da cidade. A absorção líquida foi de 6.776 metros quadrados no quarto trimestre, com protagonismo do Centro, além de resultados positivos na Cidade Nova e na Orla.
Após uma sequência de altas, o preço médio pedido registrou leve acomodação no trimestre, ficando em R$ 79,52 por metro quadrado. A Zona Sul segue como a região mais valorizada, com aluguéis de R$ 160,00 por metro quadrado, enquanto Centro e Cidade Nova apresentaram reajustes positivos. A taxa de vacância encerrou 2025 em 26,10%, ainda elevada, mas sustentada pela escassez de novos empreendimentos desde 2018.
Logística aquecida reforça atratividade do setor imobiliário
O mercado de galpões logísticos e industriais de alto padrão manteve forte desempenho no quarto trimestre de 2025, com absorção líquida nacional de 422,8 mil metros quadrados. São Paulo respondeu por 78% desse volume, enquanto Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram desempenho negativo no período.
A taxa de vacância caiu para 6,56%, recuo de 1,47 ponto percentual em relação a 2024, mesmo com a entrega de 1,37 milhão de metros quadrados ao longo do ano. Os preços pedidos avançaram para R$ 27,89 por metro quadrado ao mês, com destaque para São Paulo, onde o valor médio atingiu R$ 30,54.
Atualmente, há cerca de 1,19 milhão de metros quadrados em construção no país, concentrados principalmente em São Paulo (70%) e Minas Gerais (20%), refletindo a expectativa de continuidade da demanda.
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