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Tendências do mercado de ações em 2025

Relatório sobre os resultados das empresas no 4º trimestre de 2024 aponta boas perspectivas para setores como construção, combustíveis, varejo de luxo e outros

4 minutos
Balanços do trimestre

O balanço feito pelo Safra conclui que a tendência de desaceleração dos lucros mostrou-se mais forte do que era esperado | Foto: Getty Images

O desempenho das empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores (B3) surpreendeu negativamente as expectativas, apresentando desaceleração do crescimento de receita e contração de EBITDA e lucro líquido na comparação anual. Os números consolidados foram pressionados por Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).

A conclusão está no relatório do Banco Safra com um panorama dos resultados no último trimestre do ano passado das companhias cobertas pelos analistas do banco. O documento resume as principais variáveis que impactaram esses resultados e apresenta a visão dos analistas sobre as possíveis tendências para o primeiro trimestre de 2025.

O balanço feito pelo Safra conclui que a tendência de desaceleração dos lucros mostrou-se mais forte do que era esperado. Enquanto receita e EBITDA ficaram em linha com as expectativas (+1,3% e -3,2% vs. as expectativas), os lucros ficaram bem abaixo do esperado (-61,1%) – e o período foi o trimestre com os menores lucros consolidados do ano de 2024.

Excluindo os resultados de Petrobras e Vale, receita e EBITDA seguem em linha com as projeções (2,2% e 0,6%, respectivamente), mas os lucros apresentaram queda menor, ficando 14,7% abaixo das expectativas do Safra.

A deterioração das margens é mais perceptível na comparação anual dos desempenhos de receita, EBITDA e lucro (+7,8%, -5,3% e -66,9%, respectivamente, ou +13,4%, +10,6% e -21,9%, respectivamente, desconsiderando Vale e Petrobras).

Setorialmente, 9 dos 16 setores acompanhados pelos analistas do Safra apresentaram expansão de lucros e 4 apresentaram prejuízo líquido.

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Pontos positivos dos resultados das empresas no 4º trimestre de 2024

Os segmentos que se destacaram com uma combinação de performance anual positiva e números acima do esperado foram os seguintes, segundo o relatório do Banco Safra:

  • (i) Alimentos e BebidasAmbev se beneficiou do bom desempenho na América Latina e no Canadá. Os frigoríficos se beneficiaram de margens robustas em aves e suínos, além da forte demanda por bovinos, o que ofuscou os preços mais altos do gado no Brasil e nos EUA;
  • (ii) Educação – bom controle de custos e despesas em Yduqs e Anima, receita mais forte da operação de ensino à distância na Kroton e no segmento B2G da Cogna por meio da Vasta;
  • (iii) Pagamentos – ambiente competitivo mais favorável e movimentos de reprecificação aumentaram a confiança nas projeções;
  • (iv) Shoppings – o forte dinamismo de vendas dos trimestres anteriores refletiu a melhora no mix de locatários e maiores taxas de ocupação dos shoppings;
  • (v) Concessões Rumo surpreendeu com crescimento das tarifas médias, e EcoRodovias se beneficiou do resultado das concessões recentemente adicionadas; e
  • (vi) Construção – continuidade do bom desempenho do segmento de baixa renda e forte crescimento das vendas líquidas no segmento de média/alta renda, com
    destaque para a expansão do retorno sobre o patrimônio líquido de Cyrela e Lavvi.

Pontos negativos

Os segmentos que se destacaram negativamente com uma combinação de performance negativa e números abaixo do esperado foram:

  • (i) Petróleo e Gás – o preço mais baixo do petróleo e o desempenho da produção afetaram os resultados dos players independentes; para Petrobras, o desempenho
    ruim em exploração e produção (E&P) e o capex mais alto do que o esperado impactaram os dividendos;
  • (ii) Geração de Energia – o setor foi afetado por cortes na geração e por resultados mais fracos nos segmentos de comercialização;
  • (iii) Saúde – os hospitais foram impactados pela menor abertura de leitos e pela ocupação média abaixo do esperado. A Hapvida sofreu com o aumento significativo nas provisões, o que mais do que ofuscou a surpresa positiva na sinistralidade. No segmento odontológico, as margens fracas impactaram os resultados; e
  • (iv) Distribuição de Combustível – as condições desafiadoras de mercado e o possível aumento da concorrência desleal afetaram o segmento.

Menos resultados positivos no 1T25 e viés neutro

Apesar da piora da expectativa em comparação com a que o Safra tinha para o 4T24, com queda nos resultados positivos projetados (50,4% no 4T24e vs. 39,7% no 1T25e), os analistas do Banco Safra esperam mais resultados neutros (41,5% no 4T24e vs. 47,6% no 1T25e) do que negativos (8,1% no 4T24e vs. 11,9% no 1T25e) no 1T25.

As surpresas positivas devem diminuir à medida que a economia arrefecer com o menor impulso fiscal e os juros mais altos afetarem famílias e companhias.

O que esperar para o primeiro trimestre de 2025?

Os analistas do Banco Safra projetam resultados positivos para os seguintes setores:

(i) Construtoras – os analistas esperam a continuidade dos bons resultados operacionais no segmento de baixa renda;

(ii) Distribuidoras de Combustível – o Safra projeta melhores perspectivas de ganhos sustentados por preços mais baixos do biodiesel e aumento no preço do diesel. No caso da Raízen, também espera diminuição do impacto do clima seco e de incêndios;

(iii) Shoppings – o Safra ainda estima que a melhoria no mix de lojas e as altas taxas de ocupação levarão à continuidade do crescimento de vendas a taxas acima da inflação e à redução das despesas imobiliárias, enquanto o IGP-M contribuirá para a expansão nominal das receitas;

(iv) Varejo de Luxo – o Safra espera bons resultados advindos das vendas em canais próprios, melhora nos níveis de estoques, minimizando o custo de capital de giro, e aumento na alavancagem operacional;

(v) Petróleo e Gás – o Safra espera melhora sequencial dos resultados devido a aumento nos volumes de produção, principalmente para as juniores; e

(vi) Locadoras de Veículos – O Safra acredita que a performance das locadoras de veículos será impulsionada pelo aumento das tarifas, tanto no aluguel de carros quanto de frotas, aumentando as margens operacionais. Já para a Vamos, a implementação de projetos com retornos atrativos, incluindo a locação de usados que foram retomados,
combinada com um volume mais normalizado de ativos retomados, aumentará as margens operacionais.

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