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Apesar da turbulência externa, cenário é favorável para os balanços do 1T26

Relatório do Safra aponta avanço de receita e margens nos balanços do 4T25, melhora disseminada em 12 de 16 setores e viés ligeiramente mais favorável para o 1T26

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RESULTADOS 4t25 1t26

Relatório de estratégia do Banco Safra mostra que o 4T25 encerrou em linha com as estimativas, com destaque positivo para distribuição de energia, combustíveis, farmácias, TMT e infraestrutura | Foto: Getty Images

O quarto trimestre de 2025 terminou sem surpresa relevante para as empresas sob cobertura do Banco Safra, mas com uma mensagem importante para o investidor: o ambiente corporativo segue mais resiliente do que a atividade doméstica mais fraca poderia sugerir.

Em relatório de estratégia divulgado em 1º de abril de 2026, a casa afirma que o desempenho consolidado veio dentro do esperado, com crescimento de receita e expansão das margens EBITDA e líquida, em movimento sustentado por ganhos de eficiência operacional e pelo arrefecimento da inflação.

Raízen e Braskem mostram baixas contábeis

Na leitura dos especialistas em investimentos do Safra, o quadro agregado foi praticamente alinhado às projeções quando se excluem Braskem (BRKM5) e Raízen (RAIZ4), cujos números foram afetados por baixas contábeis e perdas por desvalorização. Nesse recorte, receita, EBITDA e lucro líquido variaram +1,1%, +1,8% e -1,2% ante as estimativas, respectivamente.

Na comparação anual, porém, a fotografia foi mais robusta. O universo coberto registrou alta de 9% na receita, 10% no EBITDA e 64,9% no lucro líquido, sinalizando expansão de rentabilidade em um trimestre em que a disciplina de custos voltou a ganhar protagonismo. Das 16 frentes setoriais acompanhadas, 12 mostraram expansão de lucro em relação ao mesmo período do ano anterior.

Commodities sustentam a base, domésticas mostram qualidade de execução

Entre os pesos-pesados da Bolsa, Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) entregaram resultados sólidos e reverteram o prejuízo registrado no quarto trimestre de 2024. Ainda assim, o Safra observa que o número consolidado das gigantes de commodities ficou 20,4% abaixo do que a equipe projetava, evidenciando que, mesmo em setores de forte geração de caixa, a visibilidade operacional não foi plena.

No bloco das companhias mais expostas à economia doméstica, a leitura foi de moderação no crescimento, mas melhora qualitativa dos balanços. A receita subiu 8,1% na base anual, enquanto o EBITDA avançou 9,4% e o lucro, 17,4%, reforçando a percepção de que a recuperação de margens continua sendo um vetor mais relevante do que a aceleração do topo da linha.

Onde o trimestre surpreendeu positivamente

O Safra destaca cinco grupos com combinação de desempenho anual favorável e números acima do esperado:

  • Distribuição de energia, beneficiada por disciplina de custos e menor inadimplência;
  • Distribuição de combustíveis, apoiada por medidas contra práticas competitivas desleais;
  • Farmácias, com crescimento de vendas e avanço de margens;
  • TMT, com expansão de receita e eficiência operacional;
  • Infraestrutura, com melhora de tráfego e normalização logística.

No detalhamento setorial, a casa vê farmácias como um dos casos mais consistentes do trimestre. Raia Drogasil (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3) combinaram crescimento, ganho de margem e geração de caixa. Em tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT), Telefônica Brasil (VIVT3), TIM (TIMS3), Totvs (TOTS3) e LWSA (LWSA3) reforçaram a tese de negócios com boa capacidade de repasse, eficiência e resiliência operacional.

Os pontos de pressão no trimestre

Do lado negativo, a equipe do Safra chama atenção para segmentos em que a deterioração operacional coincidiu com resultados abaixo das estimativas:

  • Autopeças, pressionadas por mix, custos e demanda mais fraca;
  • E-commerce, afetado pelo ambiente macroeconômico;
  • Exploração e produção de petróleo, impactado pela queda do Brent e por volumes menores;
  • Supermercados, ainda sob efeito de trade down e vendas mais fracas;
  • Papel e celulose, com pressão de custo caixa em nomes como Klabin e Dexco.
  • Em varejo alimentar, o diagnóstico foi particularmente cauteloso. Juros elevados, consumo pressionado e famílias alavancadas mantiveram o volume fraco e reforçaram a migração para categorias mais baratas. Já no e-commerce, o Safra vê o cenário competitivo e macro ainda impondo restrições à geração de caixa, especialmente em Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3).

Sentimento das empresas piora na margem

Um dos sinais mais interessantes do relatório está fora dos números contábeis. Ao analisar as teleconferências de resultados do 4T25, o Safra encontrou um tom levemente mais negativo por parte das administrações.

As menções à palavra “inflação” cresceram 44,2% em relação ao trimestre anterior. Também avançaram termos como “desafiador” (+25,3%) e “riscos” (+16,3%), sugerindo maior cautela das companhias diante do ambiente geopolítico e de seus reflexos sobre preços e custos.

Em contrapartida, houve aumento nas citações de “favorável”, “desalavancagem”, “melhorar” e “sólido”, o que indica que o discurso corporativo não migrou para um terreno pessimista, mas sim para uma postura mais seletiva.

O que o Safra espera para o 1T26

Apesar desse viés de cautela nas teleconferências, a visão dos analistas do banco para o primeiro trimestre de 2026 é ligeiramente mais favorável. A proporção de expectativas negativas recuou de 18% no 4T25 para 15,1% no 1T26, enquanto as projeções neutras subiram de 32% para 35,7%. As positivas, por sua vez, passaram de 51,6% para 49,2%, ainda em patamar elevado.

Setores com viés positivo para o início de 2026

Segundo os especialistas em investimentos do Safra, há espaço para desempenho mais favorável em:

  • Distribuição de energia;
  • Exploração e produção de petróleo;
  • Distribuição de combustíveis;
  • Construtoras de baixa renda;
  • Construtoras de média e alta renda;
  • Shoppings;
  • Farmácias;
  • Papel e celulose;
  • Telecomunicações;
  • Varejo popular.

A tese para E&P, por exemplo, é de recuperação sequencial apoiada por Brent mais alto, tensões geopolíticas e aumento de produção. Em construção, o banco segue vendo ambiente favorável tanto para o segmento de baixa renda, impulsionado pelo Minha Casa, Minha Vida, quanto para empresas de média e alta renda, que ainda exibem estoques saudáveis e vendas resilientes.

Em papel e celulose, a expectativa é de melhora com preços mais altos de celulose, menor pressão de despesas e base operacional mais favorável.

Leitura para o investidor: temporada reforça a importância da seleção de ativos

A principal conclusão do monitor do Safra é que o 4T25 não alterou de forma dramática o pano de fundo da Bolsa brasileira, mas reforçou uma mensagem central para 2026: o mercado segue menos dependente de uma melhora generalizada da economia e mais sensível à qualidade de execução de cada companhia.

Setores regulados, negócios com disciplina de capital, empresas com capacidade de repasse e histórias de ganho de eficiência apareceram entre os destaques.

Em contrapartida, segmentos mais alavancados ao consumo discricionário, ao ciclo industrial ou a preços internacionais desfavoráveis continuaram exibindo maior volatilidade operacional.

Em um Ibovespa que, segundo o relatório, estava em 187.953 pontos em 1º de abril, com preço-alvo de 220 mil pontos e potencial de valorização de 17,05%, a mensagem do Safra é construtiva, mas longe de ser indiscriminada. Há espaço para valorização, porém com seletividade redobrada.

Empresas e segmentos que merecem monitoramento mais próximo

Entre os nomes e blocos setoriais que concentraram atenção no relatório estão:

  • Farmácias e telecom, pela consistência operacional;
  • Distribuição de energia e combustíveis, pela melhora de rentabilidade;
  • Construtoras, pela resiliência comercial e expansão de margens;
  • E-commerce e varejo alimentar, pela pressão macro;
  • Autopeças, pela deterioração de demanda e mix;
  • Papel e celulose, pelo impacto de custos no 4T25, mas com melhora projetada à frente.

Conclusão

O monitor de resultados do Safra para o 4T25 sustenta a leitura de que a temporada foi melhor em qualidade do que em exuberância. Os números vieram dentro do esperado, as margens continuaram avançando, a expansão do lucro foi disseminada e o viés para o 1T26 ficou um pouco mais benigno. Ainda assim, a dispersão entre setores e empresas permanece elevada, o que reforça a necessidade de análise fundamentalista criteriosa.

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