close

Abra sua conta

Balanço dos resultados do trimestre indica cautela crescente com cenário

Monitor de resultados do Banco Safra mostra crescimento anual de receita e EBITDA, mas com rentabilidade mais pressionada e visão menos otimista para o segundo trimestre

3 minutos

O balanço consolidado do primeiro trimestre mostra um mercado corporativo ainda em expansão, mas já sob sinais mais claros de seletividade | Foto: Getty Images

O monitor de resultados do Banco Safra para o primeiro trimestre de 2026 (1T26)  traça um retrato de moderação para a temporada de balanços. Na visão consolidada, o desempenho das companhias sob cobertura veio ligeiramente abaixo do esperado, embora ainda tenha mostrado crescimento anual de receita, avanço de EBITDA e expansão de margem operacional. O ponto de maior pressão apareceu na última linha: a margem líquida recuou, sobretudo quando se excluem Petrobras (PETR3) e Vale (VALE3) do agregado.

Em termos agregados, receita líquida, EBITDA e lucro líquido ficaram 1,0%, 5,4% e 1,2% abaixo das estimativas do Safra, respectivamente. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, o quadro segue positivo: a receita cresceu 7,0%, o EBITDA avançou 9,0% e o lucro líquido subiu 4,7%. Ao retirar Petrobras e Vale da amostra, os resultados ficaram em linha com a expectativa do banco, com alta anual de 7,4% em receita, 12,0% em EBITDA e 6,2% em lucro líquido.

Commodities pesam no consolidado

Parte importante da frustração do trimestre veio das gigantes de commodities. No caso da Petrobras, o forte aumento do preço do petróleo não se traduziu integralmente em resultado por um descasamento temporal entre o preço spot e o preço efetivo de venda da companhia. Na Vale, o EBITDA ficou 1% abaixo das projeções do Safra, embora o lucro líquido tenha vindo 10% acima.

Entre as companhias domésticas, o retrato foi mais resiliente. Esse grupo registrou crescimento anual superior em todas as linhas, com alta de 7,4% na receita, 12,0% no EBITDA e 6,2% no lucro líquido, sinalizando uma temporada mais sólida fora do peso das grandes exportadoras de commodities.

Onde vieram os destaques positivos

Os melhores desempenhos combinaram crescimento anual com números acima do esperado. O Safra destaca cinco frentes principais:

  1. Distribuição de combustíveis: margens unitárias mais fortes, favorecidas pela política de preços da Petrobras e pelos efeitos do combate à ilegalidade.
  2. Educação: boa dinâmica de captação e execução consistente, com Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3) e Vitru (VTRU3) entre os nomes de maior destaque operacional.
  3. Farmácias: crescimento robusto de vendas em mesmas lojas e expansão de margem EBITDA.
  4. Locação de automóvei: repasse de preços e margens resilientes sustentaram o setor.
  5. Siderurgia: maior spread metálico e demanda forte na América do Norte para Gerdau (GGBR4), além de preços mais altos e custos menores em siderurgia para Usiminas (USIM5) e bom desempenho de mineração, cimento e energia na CSN (CSNA3).

Onde ficaram as frustrações

Do lado negativo, os especialistas do apontam quatro grupos que combinaram desempenho mais fraco e números aquém das estimativas:

  1. Bens de capital: apesar do avanço de receita em alguns casos, margens mais apertadas e queda de lucro pesaram sobre Embraer (EMBR3), enquanto a WEG (WEGE3) foi afetada pela forte contração do mercado doméstico.
  2. Construção de média e alta renda: mesmo com expansão de vendas, a dinâmica de lucros piorou e levou à contração de retorno sobre o patrimônio.
  3. E-commerce: o ambiente macroeconômico e competitivo seguiu desafiador e pressionou os resultados.
  4. Varejo de luxo: AZZAS (AZZA3) e Vivara (VIVA3) enfrentaram contração ou desaceleração sequencial das vendas, acompanhada de queda de rentabilidade.

Teleconferências mostram tom mais cauteloso

A leitura qualitativa das teleconferências reforça a percepção de um trimestre menos confortável. De acordo com o levantamento do Safra, houve redução na presença de termos de conotação positiva e aumento nas menções a temas defensivos.

As citações a “inflação” cresceram 17,8% na comparação trimestral, enquanto “riscos” avançaram 12,6%. Em direção oposta, palavras como “sólido” caíram 26,6%, e também houve redução nas menções a “melhora/melhorado” e “desalavancagem”.

No tema de inteligência artificial, monitorado pela primeira vez neste trimestre, as menções a “IA” e termos correlatos recuaram 23,7% em relação ao 4T25, movimento puxado principalmente pelo setor financeiro. Ainda assim, o segmento segue como o mais engajado no tema em termos absolutos.

O que muda para o 2T26

A visão dos analistas do Safra para o segundo trimestre ficou menos otimista do que a projetada para o início do ano. A fatia de resultados positivos esperados caiu para 44,4%, de 49,2% anteriormente. Ao mesmo tempo, os cenários neutros passaram a representar 41,9%, ante 35,7%, enquanto os negativos recuaram levemente, para 13,7%.

Na leitura setorial, o Safra vê espaço para desempenho mais favorável em educação, exploração e produção de petróleo, distribuição de combustíveis, farmácias, locação de veículos, logística, shoppings, papel e celulose e tecnologia. Em comum, esses segmentos reúnem vetores como carrego positivo do 1T26, repasse de preços, melhora operacional, redução de alavancagem e perspectivas mais construtivas para geração de caixa.

Abra sua conta