Relatório Safra: cenário de mercado para os principais produtos do agronegócio
Relatório do Banco Safra mostra o bom momento da soja e do milho, os bons preços do café no mercado internacional e a perda dos citricultores com a falta de chuvas
12/12/2025 4 minutos
A diminuição das tensões entre EUA e China devem trazer maior estabilidade às exportações de soja, mas o Brasil mantém posição competitiva histórica no mercado chinês | Foto: Getty Images
A produção de soja segue em patamar elevado, acompanhado de uma demanda internacional e aumento na produção de biodiesel. A diminuição das tensões entre EUA e China devem trazer maior estabilidade às exportações, mas o Brasil mantém posição competitiva histórica no mercado chinês.
No caso do café, o aumento dos preços no mercado internacional em 2025 favoreceu as exportações brasileiras. Já a Laranja deve apresentar redução de 23% na produção da safra atual devido à escassez de chuvas e consequente diminuição do tamanho dos frutos.
Estas são algumas das conclusões do Panorama Agro, relatório do Banco Safra que detalha a evolução da produção dos principais produtos do agronegócio brasileiro.
Produção de Soja
O 3º levantamento da safra 2025/26, divulgado pela Conab, reduziu a projeção de safra estimada em 0,5 milhões de toneladas, totalizando 177,1
milhões de tons (+3,3% vs. safra 24/25), devido à irregularidade das precipitações em todas as regiões em novembro.
A produtividade (3.620 kg/ha) e a área produtiva (48,9 milhões de ha) se mantiveram estáveis na projeção e o ritmo do plantio segue em linha com a média histórica, atingindo 90,3% em 5 de dezembro.
No entanto, o atraso na regularização das chuvas tem deslocado o plantio de soja para épocas que comprometem o milho de segunda safra, o que pode vir a afetar o nível de investimento dos produtores e a extensão da área semeada.
A menor expectativa de produção ajustou os estoques finais em -3,5% em relação à estimativa do mês passado, com -0,1% de variação nas exportações estimadas.
Apesar disso, o nível de produção segue em patamar elevado, acompanhado de uma demanda internacional que impulsiona importações e uma demanda doméstica beneficiada pelo aumento no esmagamento de soja voltado para biodiesel, após a elevação da mistura de B14 para B15.
A diminuição das tensões entre EUA e China devem trazer maior estabilidade às exportações de soja, mas o Brasil mantém posição competitiva histórica no mercado chinês.
Milho
O plantio da primeira safra 2025/26 alcançou 71,3% da área estimada de cultivo em 5 de dezembro (vs. 72,2% na safra anterior). As projeções foram marginalmente revisadas para cima e a primeira safra segue com produtividade inferior a/a, mas expansão de 7,2% da área cultivada, devido à migração do cultivo de arroz e feijão para o milho.
O plantio da segunda safra 2025/26 segue com expectativas de área plantada de 18,1 mil ha (+4% a/a) e produtividade de 6.106 kg/h (-3% a/a).
A colheita da terceira safra de 2024/25 sofreu atraso em razão do prolongamento das chuvas nas regiões produtoras, mas mantém uma estimativa de produção de 2,9 mil tons (+14,8% vs. safra 2023/24).
A Conab projeta uma produção total de 138,9 milhões de tons (-1,5% a/a), um leve aumento de 41 mil tons vs. levantamento de novembro. A produção será proveniente de 25,9 milhões de tons da primeira safra (+3,9% a/a), 110,5 milhões de tons da segunda safra (-2,5% a/a) e 2,5 milhões de tons da terceira safra (-12,6% a/a).
Apesar da expansão de área tanto na primeira quanto na segunda safra, a produtividade deve ser menor do que a safra passada, em razão da base comparativa excepcional, dadas as condições climáticas amplamente positivas na safra 2024/25.
O consumo interno na safra 2025/26 deve expandir 4,4% a/a, devido à produção de etanol de milho e as exportações também devem avançar
16,3% a/a, sustentadas pelo excedente produtivo, fazendo o estoque final recuar -3,7% a/a.
Açúcar e Etanol (Centro-Sul)
Entre o início da safra 2025/26 e 16 de novembro, a moagem de cana na região Centro-Sul somou 576,3 milhões de toneladas (-1,26% a/a). Até essa data, 120 unidades produtoras já encerraram a moagem, contra 70 no ciclo passado, e outras 65 estavam programadas para concluir as operações na segunda quinzena, podendo totalizar mais de 180 usinas com safra encerrada.
A produção de açúcar acumulada na safra atingiu 39,2 milhões de toneladas até 16 de novembro. Na primeira quinzena de novembro, foram produzidas 983,0 mil toneladas, com a proporção da cana destinada ao adoçante recuando de 46,0% para 38,6%, refletindo a menor atratividade do açúcar e a redução na qualidade da matéria-prima.
A qualidade da matéria-prima apresentou ATR de 142,4 kg/t na primeira quinzena (+6,23% a/a) e 138,5 kg/t no acumulado da safra (-2,80% a/a).
Em relação ao etanol, o volume acumulado chegou a 28,4 bilhões de litros (-5,60% a/a), sendo 17,6 bilhões de hidratado (-7,89% a/a) e 10,8 bilhões de anidro (-1,59% a/a).
O etanol de milho segue em expansão, com 386,2 milhões de litros produzidos na quinzena (+10,31% a/a) e 5,7 bilhões de litros no acumulado da safra (+16,27% a/a).
Café
A quarta estimativa da safra 2025 prevê uma produção nacional de 56,5 milhões de sacas (+4,3% a/a), apesar da bienalidade negativa da atual safra e devido a uma base de comparação mais fraca no ano passado. A área total soma 2,3 milhões de ha (+0,9% a/a) e Minas Gerais concentra 62% desse valor (1,4 milhões de ha), com foco em café arábica.
É estimado que o café arábica tenha uma produção de 35,8 milhões de sacas (-9,7% a/a), devido à diminuição da área de produção (-1,5% a/a) e redução da produtividade (-8,4% a/a), influenciada pela escassez hídrica ao longo da safra. Já o conilon deve atingir 20,8 milhões de sacas (+42,1% a/a), beneficiado pelo aumento na produtividade de +42,3% a/a e pela regularidade climática.
O aumento dos preços no mercado internacional em 2025 favoreceu as exportações brasileiras. Após a isenção tarifária em nov/25, a recuperação dos estoques de café nos EUA deve contribuir para a acomodação dos preços internacionais do café arábica. O café robusta vem mais pressionado pelo início da colheita vietnamita, que pode ser a maior dos últimos quatro ciclos.
Laranja
A segunda reestimativa da Fundecitrus da safra 2025/26 prevê uma produção de 294,8 milhões de caixas, redução de 3,9% em relação à estimativa de setembro devido à escassez de chuvas, diminuição do tamanho dos frutos e elevação da projeção da taxa de queda de 22% para 23%. O greening, apesar de apresentar menor aceleração na taxa de crescimento, apresentou maior severidade média no cinturão citrícola, saltando de 19% em 2024 para 22,7% em 2025.
Segundo o levantamento anual de setembro, o greening atingiu 47,6% da safra em 2025 (vs. 44,4% em 2024), com crescimento anual de 7,4%, uma taxa menor em relação aos dois anos anteriores, de 55,9% e de 16,5%.
Os preços da laranja seguem pressionados pela demanda externa mais contida e pela maior oferta no mercado interno.
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