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Reservatório da Cantareira tem menos de 20% de água

Sistema da Cantareira representa cerca de 50% da capacidade total de produção de água da Sabesp (SBSP3) e tem apenas 19,7% da capacidade de armazenamento

2 minutos
Cantareira

Especialistas do Banco Safra acreeditam que a situação ainda é administrável e pode ser controlada com mais flexibilidade no sistema de abastecimento | Foto: Getty Images

A Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Paulista de Águas (SP Águas) publicaram um relatório no dia 9 de dezembro alertando que o reservatório Cantareira ultrapassou o limite de 20% (volumes em 19,7% da capacidade), o que significa que, se essa situação não melhorar até o final de dezembro, o reservatório precisará operar com maiores restrições (Nível 5).

Consequentemente, as vazões de saída podem ser limitadas a 15,5 m³/s versus os atuais 23 m³/s.

Qual a gravidade da situação do abastecimento de água em São Paulo?

O Cantareira é um sistema de reservatórios (composto por 5 diferentes barragens, que recebem água não apenas das chuvas, mas também de 7 rios importantes), representando cerca de 50% da capacidade total de produção de água da Sabesp (SBSP3).

Dado o clima seco observado desde agosto, as afluências totais atingiram 47% da média de longo prazo (MLP) no acumulado do ano (e próximo de 20% da MLP em dezembro).

Como resultado, o reservatório está atualmente em 19,7% de sua capacidade máxima, um nível considerado muito baixo. Em 2014, a afluência estava em 27% da MLP, e a empresa precisou usar a reserva técnica dos reservatórios no verão e implementar várias medidas, incluindo racionamento de água, bônus para premiar menor consumo e penalidades para controlar a demanda.

Em 2017, devido aos grandes impactos da crise hídrica, o governo decidiu implementar regras para economizar água caso os reservatórios atinjam níveis críticos (Resolução nº 925).

A empresa também investiu em novos sistemas de produção e aumentou sua flexibilidade para atender à demanda usando diferentes
reservatórios, tornando o cenário de 2025 melhor do que o visto em 2014.

Cenário difícil pode exigir medidas alternativas adicionais

A Sabesp anunciou antecipação de investimentos na região do Alto Tietê para garantir afluência adicional de 2,5 m³/s. Além disso, a empresa pode considerar estender o período em que a pressão nos tubos é reduzida (atualmente das 19h às 5h) e até aumentar as vazões (mediante autorização da ANA) dos reservatórios da usina Jaguari (limitadas a 8,5 m³/s).

Todas as medidas podem compensar temporariamente a limitação das vazões do Cantareira, mas podem impactar negativamente os volumes no 4T25 e 1T26.

O Banco Safra atualizou o modelo de reservatórios para estimar o nível potencial assumindo diferentes cenários para
afluência e volumes crescendo 2% ano a ano:

(i) em um cenário cinza, as afluências são tão baixas quanto ~50% da MLP;

(ii) em um cenário base, os analistas assumem afluência em ~70% da MLP (média dos últimos 5 anos);

(iii) em um cenário azul, as afluências chegam a ~90% da MLP. No cenário cinza, os reservatórios estarão em nível desafiador no 1S26. No
entanto, os volumes de chuva durante a estação úmida (que termina em abril) são significativos e, mesmo em um cenário severo, as afluências são maiores que o consumo nesse período, possivelmente permitindo a recuperação dos reservatórios.

Análise do Safra

À espera da chuva, a Sabesp e o governo do Estado de São Paulo estão implementando medidas de acordo com as regras estabelecidas após a crise hídrica de 2013–2014. Nos níveis atuais dos reservatórios, o cenário seco pode ter impacto negativo nos volumes, mas, à medida que a estação chuvosa continua, os especialistas do Safra acreeditam que a situação ainda é administrável e pode ser controlada com mais flexibilidade no sistema de abastecimento.

Os especialistas do Safra continuam monitorando a perspectiva dos reservatórios e acreditam que as afluências de dezembro são fundamentais para definir o cenário de 2026.

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