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Raízen (RAIZ4) melhora resultados após operação Carbono Oculto

Destaque do balanço da Raízen (RAIZ4) foi o incremento de 16,7% na margem EBITDA de distribuição de combustíveis após a operação Carbono Oculto da Polícia Federal no setor

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Raízen RAIZ4

Raízen foi beneficiada pela melhora do ambiente competitivo após a operação da Polícia Federal para combater fraudes no setor de etanol | Foto: Divulgação

O resultado operacional da Raízen (RAIZ4) foi pressionado pela operação de Etanol, Açúcar e Bioenergia, segundo especialistas do Banco Safra, após a piora da produtividade agrícola e menores preços e volumes da comercialização de açúcar, parcialmente compensados pelo aumento da moagem e maiores preços de venda do etanol.

Na operação de distribuição, o destaque foi o Brasil, com incremento de 16,7% a/a na margem EBITDA por metro quadrado, beneficiado pela melhora do ambiente competitivo após a operação Carbono Oculto.

Na Argentina, apesar do crescimento nos volumes, a parada para manutenção da refinaria reduziu o volume de produto próprio comercializado e aumentou as importações, pressionando a margem do segmento.

A alavancagem atingiu 5,1x no trimestre (vs. 4,5x no 1T25/26), influenciada por efeitos sazonais relacionados à formação de estoques para venda na entressafra e pela continuidade da substituição das linhas de risco sacado por dívidas de longo prazo, processo que, segundo a companhia, já está normalizado.

A Raízen segue implementando medidas para simplificação operacional e venda de ativos, incluindo a alienação de usinas no Brasil e o processo de venda da operação de refino na Argentina.

Quanto à capitalização, os acionistas controladores avaliam alternativas para reforço da estrutura de capital, com a Cosan indicando a possibilidade de utilizar parte dos recursos levantados em seu recente aumento de capital.

O aumento de capital, somado a novas vendas de ativos, são o principal ponto de reforço da tese da companhia e equalização do seu balanço. No entanto, desconsiderando o aumento de capital e mantida as premissas do time de Oil&Gas do Safra, a companhia teria um processo bem gradual de desalavancagem a partir da próxima safra.

Estrutura acionária da Raízen (RAIZ4)

  • Shell: 44%
  • Cosan: 44%
  • Free-float: 12%

Atualizações sobre a RAIZ4

A venda está alinhada à estratégia de priorização de ativos com melhores margens e sinergias. Após a conclusão das operações anunciadas, o portfólio da Raízen contará com 24 usinas e capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas por safra.

Até o momento, foram anunciadas vendas de aproximadamente R$5,0 bilhões em ativos, restando cerca de R$4,0 bilhões
a serem recebidos nos próximos trimestres. O processo de venda da operação na Argentina segue avançando, atualmente na fase de avaliação e negociação de propostas vinculantes.

Desempenho Operacional

A receita líquida consolidada atingiu R$ 59,9 bilhões no 2T25/26 (-17,8% a/a), pressionada pelo desempenho do EAB e da distribuição na Argentina, parcialmente compensada pela melhora na distribuição no Brasil.

O EBITDA ajustado foi de R$3,3 bilhões (-12,8% a/a), com margem de 5,6% (vs. 5,0% no 2T24/25).

Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB)

A moagem totalizou 35,1 milhões de toneladas (+6,7% a/a), favorecida por maior disponibilidade agroindustrial e condições climáticas positivas. No acumulado do semestre, a moagem foi de 59,6 milhões de toneladas (-6,4% a/a), impactada pela hibernação das usinas MB e Santa Elisa e venda de cana.

A produtividade agrícola foi de 10,4 ton ATR/ha (-7,1% a/a), refletindo efeitos das queimadas na safra anterior, chuvas abaixo da média na entressafra e geadas no início do ano. Os volumes comercializados de açúcar e etanol caíram 28,5% a/a e 16,1% a/a, respectivamente.

O preço médio do açúcar foi de R$2,4 mil/ton (-5,4% a/a), enquanto o etanol registrou alta de 6,7%, atingindo R$3,0/litro, impulsionado pela competitividade do biocombustível e demanda adicional após adoção do E-30 em agosto/25. A receita líquida do segmento foi de R$16,5 bilhões (-24,3% a/a), com EBITDA de R$1,9 bilhão (-26% a/a) e margem de 11,2% (-0,3 p.p. a/a).

Distribuição de combustíveis no Brasil

O segmento foi o principal destaque do resultado da companhia, tendo uma expansão de 6,5% a/a nos volumes vendidos, com melhora da assertividade da estratégia comercial e avanços no combate ao mercado irregular. O EBITDA ajustado da operação foi de R$1,4 bilhão (+24,7% a/a), com margem EBITDA de R$182/m³ (+16,7% a/a).

Distribuição Argentina

O volume de vendas registrou um crescimento de 9,6% a/a, com o posicionamento das operações nos postos Shell e no B2B. Apesar do crescimento no volume, o EBITDA ajustado foi de US$75 milhões (-25,3% a/a), impactado pela parada programada na refinaria em setembro e maiores importações de gasolina e diesel para atender a base de clientes. A margem EBITDA ajustada foi de US$43/m³ (-20,4% a/a).

Fluxo de caixa

A companhia registrou uma queima de caixa livre de R$2,0 bilhões, após uma geração de caixa operacional de R$0,3 bilhão, impactado por maiores volumes de estoques para venda na entressafra e continuidade da estratégia de redução das linhas de risco sacado.

Os investimentos totalizaram R$769 milhões, já incluindo os recebimentos parciais das vendas de ativos que totalizaram R$0,8 bilhão no trimestre. Por último, as despesas financeiras totalizaram R$1,5 bilhão no período, sendo R$1,4 bilhão em pagamento de juros.

Perfil da Dívida

A dívida bruta é de R$68,6 bilhões (+8,8% t/t), composta por linhas em moeda estrangeira (72%), indexadas ao IPCA (14%), ao CDI (12%) e outras (2%). No trimestre, a companhia captou R$9,9 bilhões em empréstimos e financiamentos, tendo amortizado R$2,8 bilhões no mesmo período. O prazo médio da dívida saiu de 8,2 anos (1T25/26) para 7,7 anos (2T25/26). Já a dívida líquida somou R$53,4 bilhões (+8,6% t/t).

A alavancagem (dívida líquida/EBITDA) saiu de 4,5x no 1T25/26 para 5,1x no 2T25/26. Com a queima de caixa no período, após a substituição de linhas de capital de giro de curto prazo, aumento dos estoques e maior volume de despesas financeiras no período.

Liquidez

Caixa e equivalentes de R$18,6 bilhões, o suficiente para amortizar a dívida de curto prazo de R$7,4 bilhões em 2,5x. Os próximos vencimentos de longo prazo estão distribuídos entre R$7,6 bilhões em 2027, R$6,6 bilhões em 2028 e R$6,7 bilhões em 2029. A companhia em nov/25 renovou sua linha de crédito rotativa de US$1,0 bilhão, com vencimento em cinco anos, substituindo as linhas até então vigentes e não sacadas, com vencimentos entre 2026 e 2027.

Descrição dos riscos

Pressão estrutural no EAB: produtividade agrícola persistentemente baixa, menor diluição de custos e volatilidade dos preços de açúcar/etanol seguem como os principais vetores de compressão de margens e consumo de caixa. A assimetria operacional do segmento ainda impede melhora consistente na geração operacional.

Alavancagem elevada: o patamar atual reduz a flexibilidade financeira, aumenta a sensibilidade a choques de preços de commodities e eleva o risco de eventuais reprecificações de crédito caso o plano de desinvestimentos ou a normalização operacional demore a se materializar.

Dinâmica de capital de giro ainda pressionada: a redução de convênios com fornecedores e adiantamentos de clientes é positiva do ponto de vista estrutural, mas aumenta o consumo de caixa no curto prazo. A combinação com maiores estoques na entressafra reforça o risco de queimas adicionais caso o EAB não recupere ritmo.

Principais Catalisadores

Conclusão e recebimento dos desinvestimentos (~R$4,0 bilhões): a entrada dos recursos reforça a liquidez, beneficia marginalmente a desalavancagem e alivia o risco de refinanciamento. É hoje o principal gatilho positivo de curto prazo para o crédito.
Normalização do EAB no 2º semestre da safra: recuperação do ritmo de moagem, melhora da produtividade e manutenção da competitividade do etanol podem beneficiar as margens do segmento e reduzir o consumo de caixa do ano safra.

Continuidade dos ganhos de eficiência operacional: as iniciativas de simplificação vêm entregando resultados tangíveis: menores despesas operacionais e maior previsibilidade no segmento de distribuição. A continuidade dessa agenda pode expandir margens e reduzir volatilidade de resultados.

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