close

Abra sua conta

Raízen apresenta plano para reestruturar R$ 65,4 bilhões em dívidas

A companhia propôs aporte de até R$ 4 bilhões, conversão parcial de dívida em ações e emissão de novos títulos no âmbito de sua recuperação extrajudicial

2 minutos
Fachada de unidade da Raízen

Proposta da Raízen prevê aporte dos acionistas, conversão de parte da dívida em equity e separação dos negócios entre combustíveis e energia | Foto: Divulgação/Raízen

A Raízen (RAIZ4) divulgou os termos preliminares de seu Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE), referente ao pedido protocolado em 11 de março de 2026. A dívida total da companhia soma R$ 75,3 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões, ou 86,8%, estão sujeitos ao processo.

A proposta está estruturada em três pilares: aporte primário de até R$ 4 bilhões pelos acionistas, conversão de parte da dívida em participação acionária na holding e reorganização do passivo remanescente em novos instrumentos de dívida.

Após a reestruturação, a empresa prevê a separação entre Raízen Combustíveis, que reunirá a distribuição no Brasil, e Raízen Energia, com os negócios de etanol, açúcar, bioenergia e a operação na Argentina, atualmente em processo de venda.

Credores terão três opções

A companhia ofereceu três alternativas aos credores sujeitos à recuperação extrajudicial:

Opção A

Conversão de 45% do crédito em ações da Raízen, a R$ 0,25 por ação, e 55% em nova dívida, com possibilidade de preservação da moeda original do título.

Opção B

Nova dívida com haircut de 80%, vencimento em 31 de março de 2047 e pagamento em parcela única.

Opção C

Pagamento à vista para credores menores, limitado ao menor valor entre 75% do crédito e R$ 9.750, com teto agregado de R$ 150 milhões.

Aporte da Shell e da Aguassanta

Pelos termos preliminares, a Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões em capital novo, ao preço de R$ 0,25 por ação. A Aguassanta poderá acrescentar até R$ 500 milhões, nas mesmas condições.

O fechamento da operação, no entanto, depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo uma transação tributária federal. Segundo o Safra, esse é um dos principais pontos de incerteza do cronograma.

Pressão financeira e operacional levou ao plano

Na avaliação dos analistas do Banco Safra, a recuperação extrajudicial ocorre após uma combinação de fatores que elevou a alavancagem da companhia para 5,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA ajustado.

Entre os vetores de pressão estão o ciclo de expansão financiado por dívida, juros elevados por período prolongado, quebra de safra, compressão de margens e volatilidade na Argentina. O relatório destaca que o EBITDA caiu 12% na safra 2025/2026 ante a anterior.

Mercado seguirá atento a execução e aprovação

Apesar de o plano trazer um desenho mais claro para a reestruturação, os termos ainda são preliminares e dependem da aprovação de mais da metade dos credores sujeitos ao processo. As assembleias de debenturistas e detentores de CRA estão previstas para os primeiros dias de junho.

Para os especialistas do Banco Safra, os principais pontos de atenção seguem sendo a dependência de aprovação do plano, a condição tributária, a exposição ao equity na Opção A e a alavancagem ainda elevada da futura Raízen Combustíveis.

Abra sua conta