Raízen e Pão de Açúcar: analistas apontaram dificuldades antes da recuperação judicial
Os analistas do Banco Safra alertaram em relatórios recentes sobre a situação das duas empresas que entraram com pedidos de recuperação juricial
11/03/2026 2 minutos
O pedido do GPA tem uma lista de 14 credores, liderado pelo Itaú Unibanco, com R$ 4,5 bilhões em dívidas a serem renegociadas | Foto: Getty Images
O noticiário corporativo fica no radar após os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4), e do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3). O pedido do GPA tem uma lista de 14 credores, liderado pelo Itaú Unibanco, com R$ 4,5 bilhões em dívidas a serem renegociadas.
Os analistas do Banco Safra alertaram em relatórios recentes sobre a situação das duas empresas. Em 12 de fevereiro, um relatório de atualização sobre a Raízen destacava que os títulos de crédito da Raízen (RAIZ4), maior fabricante de etanol do Brasil, sofreram forte desvalorização, acompanhando notícias sobre possíveis ações de reestruturação da dívida da companhia.
A empresa confirmou a contratação de assessores para auxiliar em medidas estratégicas para aliviar a pressão da dívida. Na sequência, veio o rebaixamento de rating de crédito da companhia pelas agências Fitch, S&P e Moody’s, citando piora nas métricas de crédito e baixo suporte dos acionistas.
Sobre o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), os analistas do Safra informaram em relatório em fevereiro que os resultados do 4T25 eram negativos, uma vez que “a companhia reportou mais um trimestre de queima de caixa e evidenciou uma estrutura de capital desequilibrada, que são as principais preocupações e sustentam a recomendação de Venda“.
Qual a situação da Raízen (RAIZ4)?
A deterioração do perfil de crédito da Raízen ao longo de 2025–26 decorre de uma combinação de não entrega de desalavancagem, queima de caixa sequencial e piora nas margens do segmento açúcar e etanol, criando um descompasso entre uma recuperação almejada pela companhia e o que de fato aconteceu.
Os impactados negativos vieram de uma combinação de menor rentabilidade na produção e queda nos volumes vendidos de etanol e açúcar, resultado financeiro negativo elevado – pressionado pelo custo e montante da dívida – e sazonalidade do capital de giro com formação de estoques, o que reforçou a fragilidade da geração de caixa recorrente e acentuou os efeitos da alavancagem elevada – em 5,1x Dívida Líquida/EBITDA.
A situação da Raízen combina estrutura de capital alavancada, operacional pressionado no segmento açúcar e etanol e geração operacional de caixa insuficiente para arcar com o serviço da dívida e capex.
Avaliação das agências de rating
As avaliações das agências Fitch, Moody’s e S&P convergem para um diagnóstico de estresse estrutural no crédito ressaltando a queima contínua de caixa, a ausência das entradas financeiras prometidas e um ônus de juros elevado (~R$ 9,5 bilhões) que continuará drenando liquidez, antecipava o relatório do Safra.
Grupo Pão de Açúcar (PCAR3): Safra alertou sobre queima de caixa
Em agosto do ano passado, relatório dos analistas do Banco Safra informou que o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) apresentou números em linha com as expectativas, exceto pelo prejuízo líquido, que foi 16% menor do que a estimativa do Banco Safra. No entanto, a queima de caixa de R$ 958 milhões em 12 meses (excluindo os R$123 milhões provenientes do aumento de capital e da venda de ativos) continuava sendo a principal preocupação.
No último relatório, em fevereiro deste ano, os analistas do Safra destacaram que o GPA Brasil apresentou uma queima de caixa em 12 meses (variação da dívida líquida) de R$ 686 milhões, incluindo o impacto positivo das vendas de ativos e do recente aumento de capital/venda de ativos (R$ 96 milhões). Excluindo esses eventos, a queima de caixa teria sido de R$ 786 milhões no período, que é a principal preocupação dos especialistas do Safra sobre o caso.
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