Produção de veículos cresce 36% e favorece ações da Marcopolo, Iochpe e Randoncorp
A produção de veículos no Brasil avançou, impulsionada por automóveis de passeio e comerciais leves, apesar de caminhões continuarem pressionados e ônibus mostrarem recuperação moderada
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Os números de março mostram uma indústria automotiva em recuperação, mas com vetores distintos entre os segmentos | Foto: Getty Images
A produção de veículos no Brasil somou 264 mil unidades em março, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea. O volume representa alta de 36% em relação ao mesmo mês do ano anterior e avanço de 29% na comparação com fevereiro.
O resultado refletiu, sobretudo, o ritmo mais forte de produção de automóveis de passeio e de veículos comerciais leves. Esse movimento reforça uma dinâmica mais favorável para empresas ligadas à cadeia de veículos leves, ainda que o cenário siga heterogêneo entre os segmentos da indústria.
Automóveis e comerciais leves lideram a alta
Entre os segmentos, os automóveis de passeio responderam pela maior parte da produção em março, com 200 mil unidades. O número indica crescimento de 39% na comparação anual e de 31% frente ao mês anterior.
Os comerciais leves, por sua vez, somaram 50 mil unidades. O avanço também foi de 39% em relação a março do ano passado, além de alta de 21% na margem.
Já o segmento de caminhões produziu 11,1 mil unidades. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 5%. Em relação a fevereiro, no entanto, o setor mostrou recuperação de 43%.
No caso dos ônibus, a produção chegou a 3,1 mil unidades. O volume representa alta de 7% na base anual e de 14% na comparação mensal.
Anfavea destaca crédito, exportações e estoques
Durante teleconferência, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou atenção para fatores que ajudam a explicar o quadro atual da indústria.
Segundo a entidade, o programa Mover Brasil já conta com R$ 10 bilhões em crédito aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. Ainda assim, existe uma defasagem de até oito semanas entre a aprovação e o emplacamento dos veículos.
No comércio exterior, as exportações cresceram 1% em março na comparação anual, com apoio da demanda da Colômbia. Por outro lado, o acumulado do primeiro trimestre ainda mostra queda de 18,5%, pressionado principalmente pelo mercado argentino.
A Anfavea também destacou que os emplacamentos de caminhões seguem fracos no acumulado do ano, com recuo de 21% na comparação anual, apesar de alguma melhora observada em março.
Além disso, a entidade apontou que o programa Carro Sustentável vem favorecendo as vendas de modelos elegíveis. Desde julho de 2025, esse grupo registra crescimento de 31% em relação ao mesmo período anterior.
Outro ponto relevante envolve os estoques e a política de importação. A expectativa é que o imposto de importação sobre veículos eletrificados alcance 35% em julho, o que tende a favorecer a produção local.
Apesar desse conjunto de fatores, a Anfavea manteve sua projeção para o ano.
Leitura para as empresas do setor de autopeças
Na avaliação do Safra, os números divulgados pela Anfavea trazem leitura levemente positiva para Marcopolo (POMO4) e Iochpe-Maxion (MYPK3), mas negativa para Randoncorp (RAPT4).
O desempenho de ônibus favorece a leitura para Marcopolo, embora a queda mais intensa das exportações limite um otimismo maior. Ao mesmo tempo, a expansão da produção de veículos leves sustenta uma perspectiva mais construtiva para Iochpe-Maxion (MYPK3), dada sua exposição a esse mercado.
Por outro lado, o ambiente ainda segue mais desafiador para Randoncorp. Isso ocorre porque o segmento de caminhões continua fraco no acumulado do ano, mesmo com a reação observada em março.
O que os dados sinalizam para o setor
Os números de março mostram uma indústria automotiva em recuperação, mas com vetores distintos entre os segmentos. De um lado, automóveis de passeio e comerciais leves sustentam o avanço da produção. De outro, caminhões ainda impõem cautela, enquanto ônibus evoluem em ritmo mais moderado.
Para o setor de autopeças, esse quadro sugere um ambiente mais favorável para empresas expostas à produção de leves e, em menor medida, de ônibus. Ainda assim, a trajetória dos veículos pesados continuará no centro das atenções nos próximos meses.
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