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Copa do Mundo sustenta expectativa para cervejas

Dados do IBGE mostram nova retração da produção de bebidas alcoólicas, enquanto exportações de proteínas avançam no segundo trimestre e reforçam perspectivas positivas para empresas do setor de alimentos e bebidas

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Safra cerveja

Consumo de cerveja tende a ganhar impulso em períodos de grandes eventos esportivos, mas desaceleração da produção industrial indica cautela no curto prazo | Foto: Getty Images

A produção industrial de bebidas alcoólicas voltou a mostrar fraqueza em maio, em um sinal de desaceleração para o setor, mesmo diante da expectativa de maior consumo impulsionado pela Copa do Mundo de Futebol. Segundo dados do IBGE analisados pelo Safra, a produção caiu 4,2% na comparação anual, enquanto o acumulado em 12 meses passou a registrar retração de 3,5%.

O desempenho reforça uma leitura mais cautelosa para companhias expostas ao mercado de cervejas, especialmente a Ambev. Apesar da perspectiva de recuperação ao longo do ano, sustentada por bases comparativas mais favoráveis, clima positivo e aumento do consumo durante o torneio esportivo, os números de abril e maio indicam um segundo trimestre mais fraco que o esperado.

O índice de produção de bebidas alcoólicas atingiu 94,6 pontos em maio, com queda acumulada de 3,1% no trimestre até o momento. Para os analistas do Safra, o dado deve levar o mercado a revisar para baixo parte das projeções para o restante do ano.

Menores volumes da Petrópolis favorecem Ambev

Os dados operacionais mais recentes do Grupo Petrópolis seguem mostrando forte retração de volumes, com queda de 17% na comparação anual até abril. Em contrapartida, os preços avançaram 57%, elevando a margem EBITDA para 6,5%.

Na avaliação do Safra, a perda de participação da companhia representa um efeito marginalmente positivo para a Ambev, principal líder do mercado brasileiro de cervejas.

Já o segmento de bebidas não alcoólicas permaneceu resiliente. O índice de produção recuou apenas 1% em maio e segue próximo das máximas observadas nos últimos cinco anos, apesar do ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Exportações de proteínas sustentam viés positivo para frigoríficos

Enquanto o segmento de bebidas perde tração no curto prazo, as exportações de proteínas seguiram robustas no segundo trimestre, com destaque para aves.

Dados da Secex mostram que os spreads das proteínas melhoraram em junho, impulsionados por preços mais altos e custos de insumos mais baixos. O maior avanço ocorreu em aves, com expansão de 14% na comparação mensal.

Aves lideram crescimento

As exportações de frango cresceram 44% na comparação anual em junho, favorecidas pela retomada da demanda de mercados como China, Filipinas, México e Arábia Saudita.

Os preços médios também avançaram, especialmente em mercados premium como China e Japão, fortalecendo as margens das empresas expostas ao segmento, como BRF e Seara, da JBS.

Para o Safra, o cenário permanece favorável para o segundo semestre, diante da combinação de preços sustentados e custos de grãos ainda controlados.

Carne bovina mantém forte demanda internacional

No segmento bovino, China e Estados Unidos continuaram liderando as compras de carne brasileira. Os volumes exportados avançaram 16% em junho, enquanto os preços permaneceram próximos das máximas históricas.

A combinação de demanda aquecida e queda no preço do gado ampliou os spreads de exportação, beneficiando especialmente a Minerva, empresa mais exposta ao mercado externo entre as companhias cobertas pelo Safra.

Consumo doméstico ainda exige cautela

Apesar do ambiente mais positivo para exportações e da expectativa de estímulo ao consumo gerado pela Copa do Mundo, o Safra mantém cautela em relação ao mercado doméstico de alimentos e bebidas.

No caso da M. Dias Branco, os dados de moagem de trigo mostraram estabilidade em relação à média histórica, mas o banco avalia que o ambiente de consumo segue pressionado por renda mais restrita e desaceleração econômica.

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