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Quatro grandes tendências que merecem atenção dos investidores em 2026

Pesquisa Ipsos destaca principais tendências que serão vetores de riscos e oportunidades da economia nos próximos anos, das canetas emagrecedoras à inteligência artificial

3 minutos
Ipsos pesquisa 2026

Cenário de 2026 é de volatilidade e polarização, com 70% dos brasileiros pessimistas com a economia nacional, mas 67% otimistas com a situação individual, o que sugere risco macroeconômico elevado e mercado de consumo resiliente | Foto: Getty Images

O estudo “Ipsos Flair Brasil 2026: Eco dos Tempos” revela um panorama complexo para a economia brasileira e o ambiente de negócios, marcado pela polarização política e pela redefinição das relações globais.

O estudo anual de tendências socioculturais e de consumo do Instituto de Pesquisas Ipsos analisa o instinto e intuição sobre o que move o Brasil, explorando temas como desigualdade, sustentabilidade e saúde mental.

Para investidores, o relatório da Ipsos destaca quatro principais tendências que atuarão como vetores de risco e oportunidade no mercado nacional.

A análise é fundamental para entender como a fragmentação social, a crise de confiança nas instituições e as mudanças demográficas moldarão o consumo e as políticas empresariais até 2026.

O cenário é de volatilidade e polarização, com 70% dos brasileiros considerando a economia nacional em mau estado. Contudo, o otimismo individual se mantém alto (67%), sugerindo um risco macroeconômico elevado, mas um mercado de consumo resiliente.

As principais forças de impacto econômico estão detalhadas a seguir.

Pesquisa Ipsos: tendências e riscos para investidores em 2026

1. Risco geopolítico e comércio global: o fim da globalização condicional

O projeto da globalização está sendo redefinido, impactando a política comercial brasileira e criando novas prioridades para o país.

  • Protecionismo em alta: a tensão entre nacionalismo e globalização se intensificou com a política de taricas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 52% dos brasileiros defendem que o Brasil deve proteger sua economia, mesmo que isso limite o comércio internacional.
  • Reorientação do comércio exterior: após o tarifaço imposto pelos EUA, 68% dos brasileiros indicam que o país deve priorizar acordos com outros parceiros como China e União Europeia, sinalizando uma potencial reorientação da política externa e riscos nas relações bilaterais com os EUA.
  • Incerteza regulatória: a disputa global se espelha na polarização interna, contribuindo para um ambiente de incerteza regulatória e para o capital estrangeiro.

2. Volatilidade e polarização política: impacto na confiança e economia

A polarização e a baixa confiança nas instituições são fatores de instabilidade que afetam a previsibilidade da economia.

  • Polarização eleitoral 2026: o próximo ciclo eleitoral é visto como um referendo sobre os rumos do país. A polarização “afetiva” e a rejeição às figuras dominantes (22% rejeitam Lula e Bolsonaro) elevam a instabilidade política, o que historicamente desfavorece o investimento de longo prazo.
  • Crise de confiança social: o Índice de Confiança Social (ICS) caiu para 56 pontos em 2025. A baixa confiança nas instituições políticas (Partidos Políticos com 32 pontos) aumenta o risco democrático e a aceitação de alternativas autoritárias ou populistas, desestabilizando o sistema.
  • Consumo resiliente: a defasagem entre a percepção coletiva (70% veem a economia mal) e o otimismo individual (67% otimistas) sugere que o consumo pode se manter mais estável do que os indicadores macro sugerem.

3. O novo papel corporativo: ESG, propósito e a pressão dos consumidores

A responsabilidade social das empresas se torna um pilar central para a confiança e a reputação, influenciando o valor de mercado.

  • ESG como fator de risco: 81% dos brasileiros esperam que líderes empresariais se posicionem sobre questões sociais. A gestão de ESG e reputação corporativa é crucial, sendo um fator determinante na “licença social para operar” das marcas.
  • Navegação no ‘Anti-Woke’: as empresas no Brasil precisam equilibrar a pressão global por recuo em pautas de diversidade com as especificidades de uma sociedade mestiça e desigual. O alinhamento autêntico de propósito é um diferencial estratégico.
  • Oportunidade de reconstrução: diante da queda de confiança no governo, o setor privado tem a oportunidade de “reconstruir pontes”, recriando confiança e inovando em todos os domínios.

4. Demografia e inovação: as tendências do consumo e saúde no Brasil

As mudanças demográficas e o avanço da tecnologia impulsionam novos mercados e transformam o consumo.

  • Mercado de envelhecimento: a aceleração do envelhecimento populacional (26% na faixa de 60-80 anos em 10 anos) cria uma demanda crescente por investimentos em saúde, pensões e cuidados de longo prazo.
  • Aposta na saúde e bem-estar: o Brasil é o país latino-americano mais preocupado com a saúde (34% vs. 22% da média regional), aquecendo o mercado para inovações em bem-estar e medicamentos, como a “revolução das canetas emagrecedoras” (medicamentos GLP-1).
  • Risco tecnológico e ético (IA): o avanço da Inteligência Artificial (IA) levanta preocupações éticas e sociais, indicando que empresas de tecnologia enfrentarão pressão regulatória e de consumidores para garantir a veracidade das informações e mitigar o risco de um mundo “Black Mirror“.

*Mais informações sobre a Pesquisa Ipsos Flair Brasil 2026: Ecos dos Tempos.

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