Petróleo, gás e petroquímicos: prévia de resultados do 4T25 aponta cenário misto
Preços mais baixos do petróleo e spreads comprimidos devem pressionar margens, enquanto volumes e eventos pontuais ajudam a explicar desempenhos distintos entre as companhias do setor
04/03/2026 3 minutos
Oscilações no preço do Brent e spreads petroquímicos pressionados moldam a temporada de balanços do setor de petróleo, gás e petroquímicos no quarto trimestre de 2025 | Foto: Getty Images
Preços fracos e spreads apertados moldam o trimestre
Os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) das companhias de petróleo, gás e petroquímicos sob cobertura do Banco Safra devem refletir um cenário desafiador, marcado por preços mais baixos do petróleo e spreads comprimidos ao longo da cadeia petroquímica. A combinação desses fatores tende a resultar em um conjunto misto de números, com impactos distintos conforme o perfil operacional de cada empresa.
Entre as produtoras de exploração e produção (E&P), o banco projeta desempenhos que variam de positivos a negativos. O preço médio do Brent no trimestre deve pesar sobre a rentabilidade, mas o efeito é parcialmente compensado, em alguns casos, por volumes maiores e ganhos operacionais.
E&P: volumes fazem diferença no resultado
PRIO (PRIO3)
A PRIO (PRIO3) deve se destacar positivamente no trimestre. O Safra estima que a companhia reporte EBITDA ajustado de US$ 328 milhões, alta de 3% em relação ao trimestre anterior. O principal vetor é o aumento de 23% trimestre a trimestre nos off-takes, impulsionado pela retomada da produção do campo de Peregrino e pela consolidação de uma participação adicional de 40%.
O ganho de escala também deve se refletir nos custos. A expectativa é de redução do lifting cost consolidado para US$ 13 por barril, frente a US$ 17,4 por barril no terceiro trimestre, reforçando a resiliência operacional da empresa em um ambiente de preços mais fracos.
Brava Energia (BRAV3)
Para a Brava (BRAV3), o cenário é menos favorável. O Safra projeta EBITDA ajustado consolidado de R$ 831 milhões, queda de 36% na comparação trimestral. O desempenho reflete principalmente a retração de 13% nos off-takes, decorrente da menor contribuição dos ativos Potiguar e Parque das Conchas.
No segmento de E&P, o EBITDA ajustado deve alcançar R$ 848 milhões, recuo de 33% trimestre a trimestre, com margem estimada em 44%. Já os segmentos midstream e downstream devem reportar EBITDA ajustado de R$ 17 milhões, queda de 62%, com margem de apenas 1%, indicando pressão relevante sobre a rentabilidade fora do upstream.
PetroReconcavo (RECV3)
A PetroReconcavo (RECV3) deve reportar EBITDA ajustado de R$ 303 milhões, baixa de 13% na comparação trimestral, com margem de 44%. O resultado reflete uma queda estimada de 4% nas entregas, associada a atrasos operacionais ao longo do trimestre.
Além disso, despesas ainda elevadas com integridade de ativos devem limitar ganhos adicionais de eficiência, impedindo uma redução mais significativa do lifting cost no período.
Cosan: desempenho mais fraco das subsidiárias pesa
A Cosan (CSAN3) deve apresentar um trimestre mais fraco, segundo as estimativas do Safra. A projeção é de EBITDA sob gestão de R$ 6,6 bilhões, abaixo dos R$ 7,4 bilhões registrados no 3T25, refletindo o desempenho mais fraco da maioria das subsidiárias.
O banco projeta prejuízo líquido de R$ 8,6 bilhões, explicado principalmente pela menor contribuição da equivalência patrimonial. O resultado é fortemente impactado pelo impairment de R$ 11,1 bilhões reportado pela Raízen (RAIZ4), efeito parcialmente compensado por despesas financeiras menores no período.
Petroquímicos: spreads seguem pressionados
Braskem (BRKM5)
No segmento petroquímico, a Braskem (BRKM5) deve enfrentar mais um trimestre desafiador. A expectativa do Safra é de queda de 26% no EBITDA ajustado, para US$ 110 milhões, na comparação trimestral.
O desempenho reflete tanto o menor volume consolidado embarcado quanto spreads deprimidos em todas as linhas de produtos, cenário que segue limitando a recuperação dos resultados da companhia, apesar de eventuais ajustes operacionais.
Leitura geral do Safra
De forma consolidada, a prévia de resultados do 4T25 indica que o setor segue exposto a um ambiente operacional complexo. Enquanto empresas com crescimento de volumes e ganhos de eficiência conseguem mitigar parte da pressão dos preços, companhias mais dependentes de spreads ou com desafios operacionais tendem a apresentar números mais fracos.
O Safra avalia que a dispersão de resultados deve continuar elevada, reforçando a importância da seletividade na alocação em ações do setor de petróleo, gás e petroquímicos.